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“Anschluss”: anexação da Áustria pela Alemanha

12 de março de 1938

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Em 12 de março de 1938, durante a madrugada, o exército alemão atravessou os postos da fronteira austríaca. Sem disparar um único tiro, a Alemanha anexou a Áustria considerada como terra de “arianos”. Na noite do dia anterior, grupos austríacos nazistas armados já tinham invadido a Chancelaria Federal (prédio do governo austríaco) e ocupado corredores e escritórios forçando a renúncia do chanceler Kurt  Schuschnigg. O chanceler declarou sua renúncia no rádio: “Deus proteja a Áustria”. Em seguida, instruiu o exército austríaco a se retirar sem resistência quando as tropas alemãs entrassem no país.

  • BNCC: 9° ano. Habilidade: EF09HI13

Schuschnigg foi mantido preso por meses na sede da Gestapo em Viena, e mais tarde deportado para o campo de concentração de Dachau. Ali ele teve um tratamento significativamente melhor do que os outros prisioneiros por ordem de Hitler que pretendia mantê-lo disponível para um julgamento-espetáculo a ser ainda planejado.  Após o fim da guerra, Schuschnigg migrou para os Estados Unidos onde adquiriu a cidadania e tornou-se professor de direito constitucional. Em 1968 ele retornou à Áustria, onde morreu em 1977.

Soldados austríacos da fronteira retiram a cancela para liberar a passagem das tropas alemães, 12 de março de 1938.

Entre os dias 11 e 12 de março de 1938, os nacional-socialistas austríacos prepararam a entrada dos alemães. Tomaram o poder em Viena e ocuparam cargos em todas as capitais de províncias. Hastearam bandeiras com a suástica em vários prédios públicos, muito antes da Wehrmacht alemã começasse a invadir. Em 12 de Março, só em Viena, 70 mil pessoas já tinham sido presas.

No dia 15 de março, Hitler anunciou “a entrada de minha pátria no Reich alemão” em um palanque erguido em frente do Hofburg, o palácio imperial de Viena. Estava proclamado oficialmente o Anschlus (anexação). A República austríaca foi convertida numa província do Terceiro Reich, com o nome Ostmark. Seus 7  milhões de habitantes falavam alemão, embora muitos, especialmente em Viena, a capital, vinham de várias comunidades do antigo império: húngaros, eslavos, italianos, judeus orientais…

Multidão saúda Hitler depois do Anschluss, março 1938.

O plebiscito da anexação

Nas semanas seguintes, as autoridades nazistas reuniram social-democratas, comunistas, outros dissidentes políticos e judeus austríacos e prenderam-nos ou enviaram-nos para campos de concentração. Enquanto isso, organizaram o plebiscito de 10 de abril no qual o povo austríaco deveria responder se concordava com a anexação. A pergunta era:

“Você concorda com a reunificação da Áustria com o Reich alemão e você vota na lista de nosso Führer Adolf Hitler?”

A propaganda nazista a favor da anexação estava em todas os lugares: bandeiras, faixas e cartazes com slogans e o símbolo da suástica espalhados nas paredes, postes, pilares, bondes. Só em Viena havia cerca de 200 mil retratos de Hitler em lugares públicos. Até os carimbos postais traziam: “Em 10 de abril, dê seu “sim” ao Führer”.

A imprensa e o rádio estavam nas mãos dos nazistas e repetiam sem cessar o “sim”, para que não houvesse vozes dissidentes. Uma revista satírica colocou na capa o retrato de Bismarck prestando homenagem a Hitler chamando-o de “O Criador da Grande Alemanha”. Parte do eleitorado austríaco foi impedida de votar: os judeus, os mestiços e aqueles que já haviam sido presos anteriormente.

No dia da votação, muitos eleitores optaram por assinalar o “sim” do lado de fora da cabine, na frente dos mesários, para evitar a suspeita de terem votado contra a anexação e sofrerem represálias como “opositores do sistema”. O sigilo do voto praticamente não foi mantido. Além disso, os nazistas intimidaram a população espalhando a notícia de que o sigilo não era garantido e que havia controles secretos para saber o voto dado por cada eleitor.

Na noite de 10 de abril, anunciou-se o resultado do plebiscito: o Anschluss foi aprovado com 99,73% de votos favoráveis. O Anschluss não foi uma adesão voluntária da Áustria ao Reich alemão, pois ocorreu de forma ilegal e sob ameaça de violência. Havia, porém, muitos austríacos que deram um apoio genuíno a Hitler. O Anschluss foi visto como um sucesso pessoal de Hitler, que alimentou o mito do Führer e legitimou ainda mais o seu governo.

Reações internacionais

A anexação violou o direito internacional: tanto o Tratado de Paz de Versalhes quanto o Tratado de Saint-Germain proibiam explicitamente a anexação da Áustria ao Reich. Esta proibição foi reafirmada pela Áustria nos Protocolos de Genebra de 1922. No entanto, tanto a França quanto a Grã-Bretanha aceitaram a anexação, o que era contrário ao direito internacional.

Em 18 de março de 1938, o governo soviético insistiu com veemência que os Estados Unidos, a Grã-Bretanha e a França tomassem medidas conjuntas contra a Alemanha, mas sem sucesso. Em setembro de 1938, Joseph Stálin tentou novamente, desta vez junto à Liga das Nações, novamente sem sucesso. Os Estados Unidos e a França não aceitaram a anexação por direito, mas o fizeram de fato. A Grã-Bretanha fez um protesto formal, mas depois reconheceu o fato consumado.

A Suíça declarou que não se manifestaria em respeito à sua neutralidade.

O México apresentou um protesto na Liga das Nações enviando uma nota diplomática “contra a agressão estrangeira à Áustria”. Atualmente, há uma placa na Praça do México, em Viena, com a seguinte inscrição: “Em março de 1938, o México foi o único país que apresentou um protesto oficial junto à Liga das Nações contra a anexação forçada da Áustria ao Reich Nazista Alemão. Em lembrança, a cidade de Viena deu a esta praça o nome de Praça do México.”

Perseguição aos judeus austríacos

Os austríacos, impulsionados pelo antissemitismo mais antigo do que o alemão, foram particularmente zelosos na perseguição aos 190 mil judeus do país. Assim que o Anschluss foi consumado, os judeus de Viena foram forçados a limpar as calçadas e apagar as inscrições antinazistas. As perseguições rapidamente superaram em violência as anteriormente conhecidas pelo “velho” Reich.

A perseguição aos judeus atingiu o clímax no pogrom da Noite de Cristal de 9-10 de novembro de 1938. Quase todas as sinagogas e casas de oração em Viena foram destruídas, assim como noutras cidades austríacas, como Salzburgo. A maioria das lojas judaicas foi pilhada e encerrada. Mais de 6 mil judeus foram presos durante a noite, e a maioria deportada para o campo de concentração de Dachau nos dias seguintes

Judeus ricos financiaram a emigração de seus correligionários pobres. A operação resultou na emigração de 50 mil judeus austríacos em poucas semanas. Em dezoito meses, 150 mil emigraram, cerca de 60% dos judeus austríacos. Dos mais de 65 mil judeus vienenses que foram deportados para campos de concentração, menos de 2 mil sobreviveram

judeus obrigados a lavar as ruas

Cena de humilhação em Viena: os judeus foram obrigados a lavar as calçadas para apagar as marcas antinazistas.

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