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Lançada “A Riqueza das Nações”, de Adam Smith

09 de março de 1776

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Em 9 de março de 1776, foi publicado em Glasgow, Escócia, um livro de aparência árida, “Uma investigação sobre a Natureza e as Causas da Riqueza das Nações”, mais conhecida como A Riqueza das Nações. Foi o primeiro livro moderno de economia. Seu autor, o economista escocês Adam Smith, é considerado o pai da economia política e do liberalismo.

Embora Smith seja mais conhecido hoje como economista, ele se via principalmente como professor de filosofia moral (que ele havia ensinado em Glasgow). Assim, A Riqueza das Nações não é apenas sobre economia (no sentido moderno), mas também sobre  economia política, direito, moral, psicologia, política e história, bem como a interação entre todas essas ciências.

A Riqueza das Nações é considerada obra fundadora da economia clássica e do liberalismo econômico. Ela inaugurou uma nova era na economia pondo fim às práticas do mercantilismo e da fisiocracia. Influenciou vários autores e economistas, bem como governos e organizações, definindo os termos para o debate econômico no próximo século e meio.

  • BNCC: 8° ano. Habilidades: EF08HI01, EF08HI03

“A Riqueza das Nações”, mural de Seymour Fogel, 1942, Departamento de Saúde e Serviços Humanos, Washington DC, Estados Unidos.

Adam Smtih e seu tempo

O escocês Adam Smith (1723-1790) viveu em pleno apogeu do Iluminismo. Em uma longa viagem à Europa, esteve com Voltaire em Genebra, na Suiça e entusiasmou-se com suas ideias. Em Paris, conheceu o fisiocrata François Quesnay de quem ouviu as críticas ao mercantilismo e a defesa ao laissez-faire, laissez-passer (“deixai fazer, deixar ir, deixai passar”) na economia, isto é, sem interferência do Estado no sistema econômico.

De volta a Londres, conheceu Benjamim Franklin, cuja influência o fez afirmar que as colônias americanas eram uma nação que “provavelmente se tornará a maior e mais formidável que exisitiu no mundo”. Alguns anos depois, ocorreu a indepedência dos Estados Unidos, no mesmo ano em que Adam Smith lançava sua obra A Riqueza das Nações.

A Inglaterra passava, então, pelas profundas transformações provocadas pela Revolução Industrial que se iniciava. Smtih chegou a frequentar a Lunar Society (“Sociedade Lunar”), um clube em Birmingham onde se reuniam, regularmente intelctuais, filósofos e figuras proeminentes da indústria. O nome vinha do hábito de seus membros se reunirem em noites de lua cheia. Entre os frequentadores assíduos do Lunar Society estavam James Watt, inventor da máquina a vapor; John Roebuck, químico e inventor; Richard Arkwright, inventor têxtil; os americanos Benjamin Franklin e Thomas Jefferson; James Keir, químico, geólogo e inventor.

Adam Smith foi ainda contemporâneo da Revolução Francesa e da célebre tomada da Bastilha (14 de julho de 1789), amplamente divulgadas e debatidas na Inglaterra e na Escócia. Smith faleceu no ano seguinte, indiferente aos acontecimentos revolucionários que agitavam a França e ameaçavam o campo inglês.

Ao refletir sobre a economia no início da Revolução Industrial, Smith apresentou sua análise sobre a origem da riqueza e prosperidade de certos países, como a Inglaterra e a Holanda.  Ele desenvolveu teorias econômicas sobre a divisão do trabalho, o mercado, o dinheiro, a natureza da riqueza, o preço dos bens no trabalho, os salários, os lucros e a acumulação de capital. Ele examina diferentes sistemas de economia política, especialmente o mercantilismo e a fisiocracia.

A Natureza da Riqueza

Antes de Adam Smith os economistas tinham duas explicações amplas de riqueza: para os mercantilitas, a riqueza se definia pela posse de metais e pedras preciosas porque têm um valor duradouro reconhecido em toda parte; para os fisiocratas, a produção agrícola seria a única fonte de riqueza, sendo as demais atividades dedicadas apenas à transformação dessa riqueza primária.

Para Smith, a riqueza de uma nação não deriva da quantidade de recursos naturais ou metais preciosos que pode dispor, nem é gerada apenas a partir da terras, mas ela é gerada pelo trabalho dos homens. Assim, ele lança as bases da doutrina do valor-trabaho, que será teorizada no século seguinte, por David Ricardo.

Como essa riqueza é produzida e como podemos aumentá-la? Para responder essas perguntas, Smith apresenta uma análise do crescimento econômico. Analisando a economia de seu tempo, ele distingue três causas principais do enriquecimento da nação: a divisão do trabalho, o tamanho do mercado e a acumulação de capital .

A divisão do trabalho

A divisão do trabalho consiste em uma distribuição cada vez mais especializada do processo produtivo para que cada trabalhador se torne especialista na etapa da produção a que se dedica, aumentando assim a eficiência de seu trabalho, sua produtividade.

Para ilustrar esse princípio, Smith usou o exemplo da produção de alfinetes de metal. Um homem trabalhando sozinho teria dificuldade para produzir vinte alfinetes perfeitos em um dia. Já um grupo de dez homens, encarregados de diferentes tarefas (esticar o arame, endireitá-lo, cortá-lo, afiá-lo e introduzir uma cabeça) era capaz de produzir mais de 48 mil alfinetes por dia.

Smith estava impressionado com os grandes saltos de produtividade do trabalho durante a Revolução Industrial, devido a trabalhadores dotados de melhores equipamentos e, muitas, vezes, máquinas substituindo homens. O trabalhador não especializado não podia sobreviver em tal sistema.

Quanto mais homens houver, mais eles poderão dividir as tarefas. Há, porém, um obstáculo à divisão do trabalho, que é o tamanho do mercado. É preciso que haja compradores para para consumirem o excedente de produção obtido por uma divisão cada vez maior do trabalho.

O mercado e a mão invisível

Adam Smith apresenta a ideia de um mercado “auto-regulado” que ele chama de mão invisível para se referir à interferência natural que o mercado exerce na economia. Segundo Smith, a competição e os interesses individuais levam as pessoas a produzirem o que a sociedade precisa. A forte demanda (procura) provoca a disparada dos preços e isso leva, naturalmente, os produtores, ávidos por lucros, a produzir o bem desejado. Já o contrário, uma oferta maior do que a demanda, leva à queda de preços.

Assim, a mão invisível do mercado com sua lei de oferta e procura, regularia a quantidade de bens disponíveis e seus preços seriam dados de maneira muito mais eficiente do que qualquer governo.

Acumulação e crescimento

Graças às leis do mercado, Smith descreve então uma dinâmica econômica para conduzir a sociedade à opulência. Ele vê, na acumulação de capital, isto é, no investimento em maquinário, a oportunidade de aumentar em dez vezes a produtividade e aumentar a divisão do trabalho.

Segundo Smith, a acumulação de máquinas implica um aumento das necessidades de trabalho e, portanto, um aumento dos salários. O aumento dos salários permite que os pobres sustentem seus filhos e, portanto, aumenta a mão de obra disponível no longo prazo, causando assim uma queda dos salários em relação ao seu nível anterior e permitindo que os lucros aumentem novamente e, portanto, a acumulação.

Livre comércio e o papel do Estado

A doutrina de livre comércio e desregulamentação foi vista como revolucionária na época pelo ataque aos privilégios comerciais e agrícolas e aos monopólios existentes.

No livro V de A Riqueza das Nações , Adam Smith define as funções do Estado limitando-as às esferas política, militar e da justiça. Ele reconhece três deveres do Estado:

O primeiro é o dever de defender a sociedade de qualquer ato de violência ou invasão por outras sociedades independentes.
O segundo é o dever de proteger tanto quanto possível cada membro da sociedade contra a injustiça ou opressão de qualquer outro membro, ou então o dever de estabelecer uma administração exata da justiça.
E o terceiro é o dever de erigir e manter certas obras públicas e certas instituições que o interesse privado de um indivíduo ou de alguns indivíduos nunca poderia levá-los a erguer ou manter, porque o lucro reembolsaria a despesa disso para um indivíduo ou para alguns indivíduos, embora no que diz respeito a uma grande sociedade esse lucro faria muito mais do que reembolsar a despesa.

Assim, o Estado deve ser guardião do interesse geral (e não do interesse do governante) e realizar as obras que não são lucrativas para os empresários, mas beneficiam amplamente a sociedade, como obras de infra-estrutura e serviços públicos. Smith defendia, ainda, como função do Estado a oferta de educação aos pobres.

Posições políticas de Adam Smith

Em sua obra A Riqueza das Nações, Smith assume diversas posições nos debates políticos que então ocorriam contribuindo para o ideal iluminista.

Sobre a questão da escravidão, ele explica que o trabalho escravo apesar de custar apenas sua subsistência é, na verdade, muito mais caro do que o dos homens livres, motivados pela ganância e pelas forças de mercado.

Pela mesma lógica, ele critica o colonialismo, considerando-o um empreendimento caro de produção, que só serve para ostentar a magnificência do Estado absolutista.

Critica também os latifundiários ociosos, os rentistas sobre os quais escreveu: “os latifundiários, como todos os outros homens, adoram colher onde não semearam”.

Legado de Adam Smith

Adam Smith não inventou o liberalismo. Ideias liberais já haviam sido colocadas por Montesquieu em O Espírito das Leis, em 1748, pelo fisiocrata Vincent de Gournay e por Turgot em 1759. Foi, porém, Adam Smith quem primeiro sistematizou o dogma liberal fazendo da iniciativa privada o motor da economia e da sociedade. Daí ele ser considerado o Pai do Liberalismo.

No plano intelectual, a obra de Smith exerceu influência direta nos economistas das décadas seguintes como Thomas Malthus, David Ricardo e Stuart Mill. O próprio Karl Marx, apesar de defender uma teoria oposta ao liberalismo, era um admirador de Adam Smith que considerava um “clássico” e inspirou-se nele para desenvolver a teoria clássica do valor.

O conceito de mercado tornou-se o assunto favorito dos economistas desde então. Os liberais exaltam Smith como aquele que trouxe à tona a importância do mercado como modo de regulação automática da sociedade. Já os que recomendam uma intervenção moderada do Estado, lembram que Smith também apontou suas possíveis imperfeições e convocou o poder público para corrigi-las.

10 frases de Adam Smith

  • “O que gera a riqueza das nações é o fato de cada indivíduo procurar o seu desenvolvimento e crescimento econômico pessoal”.
  • “A riqueza de uma nação se mede pela riqueza do povo e não pela riqueza dos príncipes.
  • “Onde há grande propriedade, há grande desigualdade. Para um indivíduo muito rico há, no mínimo, quinhentos pobres, e a riqueza de poucos presume da indigência de muitos”.
  • “A ciência é o grande antídoto contra o veneno do entusiasmo e da superstição”.
  • “É injusto que toda a sociedade contribua para custear uma despesa cujo benefício vai a apenas uma parte dessa sociedade”.
  • “É o medo de perder seu emprego que restringe suas fraudes e corrige sua negligência”.
  • “A ambição universal do homem é colher o que nunca plantou”.
  • “A riqueza de uma nação se mede pela riqueza do povo e não pela riqueza dos príncipes”.
  • “O verdadeiro valor das coisas é o esforço e o problema de as adquirir”.
  • “Nenhuma nação pode florescer e ser feliz enquanto grande parte de seus membros for formada de pobres e miseráveis”.
  • “O homem é um animal que faz barganhas”.

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