Em 27 de novembro de 1935, foi deflagrado, no Rio de Janeiro, o levante conhecido como Intentona Comunista ou Revolta Vermelha de 35 contra o governo de Getúlio Vargas. O movimento já havia eclodido em Natal (entre os dias 23 e 25) e em Recife (dia 25), mas foi na capital do país que teve maior repercussão.
A conspiração político-militar foi realizada pelo PCB (na época, Partido Comunista do Brasil) em nome da Aliança Nacional Libertadora e liderada por Luís Carlos Prestes, capitão do Exército e líder tenentista convertido ao comunismo. O levante estava articulado com a direção da Internacional Comunista que tinha entre seus integrantes, Olga Benário, companheira de Prestes.
Os insurgentes lutavam contra as oligarquias, o imperialismo e o autoritarismo. Reivindicavam o não pagamento da dívida externa, a nacionalização das empresas estrangeiras, a reforma agrária e o combate ao fascismo.
O movimento foi rapidamente reprimido e os envolvidos foram presos. Desconhece-se o número de mortos. O Exército lista 32 mortos do 3o. Regimento de Infantaria, mas é possível que uma centena tenha falecido. No ano seguinte, Prestes perdeu a patente de capitão e ficou nove anos na prisão. Sua companheira, Olga Benário, estava grávida e foi deportada e morta no campo de concentração nazista Ravensbrück. A criança, Anita Leocádia Prestes, nascida em uma prisão na Alemanha, foi resgatada pela mãe de Prestes.
A repressão ao movimento levou o Congresso Nacional a decretar o Estado de Guerra, o que preparou o caminho para que Getúlio Vargas, desse o golpe que implantou a ditadura do Estado Novo, em 1937.

Monumento aos Soldados Mortos na ‘Intentona’ Comunista de 1935, Urca, Rio de Janeiro, Rio de Janeiro.
Por que “intentona”?
O termo “intentona” tem o sentido pejorativo de “tentativa louca” ou “plano insensato”. Foi utilizado principalmente pelo governo de Getúlio Vargas e por setores conservadores da sociedade para desqualificar a iniciativa dos comunistas e dos militares de esquerda. Chamar o movimento de 1935 de “intentona” é imprimir-lhe a marca de ação desordenada e pouco planejada.
Por outro lado, as forças envolvidas, como o Partido Comunista Brasileiro (PCB) e a Aliança Nacional Libertadora (ANL), usavam outros termos para descrever o ocorrido, como “levante” ou “revolta”, por enfatizarem o caráter de luta e resistência contra o regime de Vargas. Um discurso da ANL, inclusive, afirmava: “Abaixo o fascismo! Abaixo o governo odioso de Vargas! Por um governo popular nacional revolucionário! Todo o poder à ANL!”
Para fins de análise histórica, os termos Revolta Comunista de 1935 ou Revolução Comunista de 1935 passaram a ser utilizados com maior frequência. Contudo, apesar de a historiografia ter produzido ao longo dos anos vastas análises sobre a insurreição de novembro de 1935, com diferentes perspectivas e abordagens, ainda é forte no imaginário popular a ideia de “Intentona Comunista”, disseminada pela imprensa e ratificada por parte dos livros de história sobre o tema.
Também existe no senso comum uma outra interpretação igualmente alimentada pelo anticomunismo: a de que os atos foram diretamente comandados e financiados por Moscou, privilegiando-se o fator externo/internacional para explicar as causas da sublevação.
Fonte
- COSTA, Homero. A insurreição comunista de 1935: Natal: o primeiro ato da tragédia. São Paulo/Natal: Ensaio/Cooperativa Cultural UFRN, 2015.
- MOTTA, Rodrigo Patto Sá. Em guarda contra o perigo vermelho: o anticomunismo no Brasil (1917-1964). Niterói: Eduff, 2020.
- SODRÉ, Nelson Werneck. A intentona comunista de 1935. Porto Alegre: Mercado Aberto, 1986.
- VIANNA, Marly de Almeida Gomes. Revolucionários de 1935: sonho e realidade. São Paulo: Expressão Popular, 2007.
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