“Histórias do Brasil”, série da TV Brasil em associação com a Revista de História da Biblioteca Nacional estreou oficialmente na televisão em 5 de setembro de 2011. Ainda disponível no YouTube, é um excelente recurso para o professor usar em sala de aula. São dez episódios, com 25 a 30 minutos cada – tempo que permite passar o vídeo completo e ainda levantar algumas questões para discutir com a turma (que propomos abaixo).
Fugindo das cansativas vídeo-aulas, a série usa narrativas ficcionais que fazem a reconstituição histórica do período abordado. Destaca temas importantes da história brasileira e, ao mesmo tempo, aborda questões sociais, aspectos do cotidiano, costumes, arte e cultura. A narrativa é mesclada com comentários e análises de historiadores e pesquisadores. o objetivo é retratar momentos marcantes e aspectos pouco conhecidos do Brasil, desde o contato inicial entre indígenas e europeus até a construção de Brasília.
Os episódios 1 a 6 tratam do período colonial, dos primeiros contatos com os povos originários no século XVI à penetração das ideias iluministas na colônia no final do século XVIII. Seguem-se dois episódios (7 e 8) sobre o período monárquico que abordam saberes populares (um tema raramente trabalhado em sala de auça) e a Guerra do Paraguai. Encerram a série, os episódios 9 e 10 sobre o período republicano destacando o Estado Novo e os anos Juscelino Kubitschek. Todos os episódios trazem comentáriosn de especialistas o que enriquece e aprofunda o documentário.
Veja a seguir os títulos e as questões que propomos para debater em cada episódio com seus alunos.
Episódio 1 – O impacto do choque cultural, ano 1500
Antes do Brasil, Cabo Frio, 1530. (Duração: 24 min.). Acreditando tratar-se de um francês, um grupo de índios Tupinambás captura o alemão Franz Hassen e o preparam para o ritual antropofágico. A disputa por riquezas naturais e pela honra permeia a história de um povo feito de pessoas muito diferentes. O episódio permite discutir o conceito de “descobrimento”, o eurocentrismo, as relações de troca, alteridade e etnocentrismo. Traz comentários do antropólogo Eduardo Viveiros de Castro (UFRJ).
BNCC: habilidades EF07HI08 e EF07HI09.
Questões para discutir depois do filme (episódio 1)
Perguntas de aquecimento
- Se você estivesse na praia em 1500, o que mais te chamaria a atenção ao ver as caravelas chegando? E se você estivesse dentro do navio olhando para a praia?
- Quais foram as primeiras reações descritas no vídeo, tanto da parte dos portugueses quanto dos indígenas? Houve medo, curiosidade ou os dois?
- O episódio mostra que a história pode ser contada de várias formas. Vocês acham que a história do Brasil costuma ser contada mais pelo lado de quem chegou ou de quem já estava aqui?
Análise crítica e fontes
- A Carta de Pero Vaz de Caminha é muito citada no episódio. Por que os portugueses precisavam escrever tudo o que viam? Podemos acreditar em 100% do que estava escrito ali, ou era apenas a opinião de um homem europeu?
- Os portugueses deram espelhos, guizos e gorros vermelhos em troca da ajuda dos indígenas para cortar e carregar pau-brasil (escambo). Vocês acham que os indígenas foram “enganados” ou eles tinham interesses diferentes dos europeus naquele momento?
- O termo “Descobrimento do Brasil” é o mais correto para usar hoje em dia? Que outra palavra vocês usariam para definir o que aconteceu em 1500?
Conexão com a atualidade
- O episódio mostra o início de uma grande transformação na vida dos povos nativos. Como vocês acham que esse primeiro encontro em 1500 afeta a vida dos povos indígenas que vivem no Brasil hoje?
- Se os indígenas pudessem ter escrito uma carta para enviar a outros povos em 1500 contando sobre a chegada dos portugueses, o que vocês acham que estaria escrito nela?
Episódio 2 – Tensões no engenho de cana
Colonização, Rio de Janeiro, 1580. (Duração: 27:07 min.). O português Fernão Barreto é um senhor de engenho que possui 50 escravos, todos “negros da terra”, ou seja, índios. Sua propriedade está sob ameaça de ataque de tribos vizinhas. Lopes Magalhães, um mercador de escravos, oferece a Barreto algumas peças de negros de Angola e tenta convencer o senhor de engenho que os africanos são melhores escravos do que os índios. O episódio permite discutir a escravidão e a resistência indígena, o papel da Igreja Católica na legitimação do trabalho colonial, comércio humano e as redes mercantilistas ligando as ilhas atlânticas (como a Ilha da Madeira) ao Brasil. Traz comentários de Mary del Priore, Eduardo Viveiros de Castro (UFRJ), Ronald Raminelli (UFF), Alberto da Costa e Silva e John Monteiro (Unicamp).
BNCC: habilidades EF07HI10, EF07HI13 e EF07HI14.
Questões para discutir depois do filme (episódio 2)
Perguntas de aquecimento
- O episódio mostra o senhor de engenho muito tenso esperando um padre para benzer o moinho antes de começar a moer a cana. Por que vocês acham que a religião era tão importante para os colonizadores em um momento de perigo?
- Quem eram as pessoas que realizavam o trabalho duro e perigoso no engenho mostrado no vídeo? O que chamou a atenção de vocês na rotina deles?
Análise crítica
- O termo “negros da terra” era usado pelos portugueses para se referirem aos indígenas escravizados. Por que vocês acham que eles usavam essa expressão em vez de chamá-los pelos nomes de suas verdadeiras etnias (como Tamoios ou Tupinambás)?
- O comerciante de escravos Lopes Magalhães conversa com o senhor de engenho sobre o fornecimento de trabalhadores. Como o vídeo mostra que a vida humana era tratada pelas leis e pelo comércio daquela época?
- Muitas vezes os livros antigos diziam que os indígenas “não gostavam de trabalhar” e por isso os portugueses buscaram africanos. Como as revoltas e os ataques dos indígenas mostrados no episódio ajudam a desmentir esse preconceito?
Conexao com a atualidade
- O açúcar ainda é um dos principais produtos agrícolas exportados pelo Brasil atual. Quais são as principais diferenças entre as condições de trabalho nos campos de cana-de-açúcar de 1580 e as leis trabalhistas do Brasil de hoje?
- A disputa por terras entre colonos e indígenas começou logo nos primeiros engenhos. Como esse problema do passado se relaciona com as lutas atuais dos povos indígenas pela demarcação de suas terras?
Episódio 3 -Invasão holandesa
Guerra pelo açúcar (Duração: 26:19 min.). A ocupação holandesa no Nordeste comentada pelos historiadores Jorge Couto (Universidade de Lisboa), Evaldo Cabral de Mello, Ronaldo Vainfas (UFF) e Mary del Priore. O episódio analisa figuras como Domingos Fernandes Calabar (retratado muitas vezes como traidor), aborda os interesses dos holandeses no mercado do açúcar, o impacto econômico e social da guerra que destruiu plantações, queimou engenhos e desestruturou a vida cotidiana da população escravizada e livre.
BNCC: habilidades EF07HI10, EF07HI13 e EF07HI14.
Questões para discutir depois do filme (Episódio 3)
Perguntas de aquecimento
- O episódio mostra Recife cercada e engenhos sendo queimados. Como devia ser a vida de um morador comum (que não era soldado) em Pernambuco durante essa guerra entre portugueses e holandeses?
- O que os holandeses buscavam controlar em nosso território?
Analise crítica
- Domingos Fernandes Calabar mudou de lado e passou a ajudar os holandeses contra os portugueses. Por que a história tradicional costuma chamá-lo de “traidor”? Será que os moradores da colônia realmente deviam lealdade a um Rei que vivia em Portugal?
- A guerra contra os holandeses uniu soldados portugueses, indígenas (como Filipe Camarão) e negros escravizados ou livres (como Henrique Dias). O que vocês acham que motivava cada um desses grupos tão diferentes a lutar na mesma guerra?
- Os holandeses eram protestantes e os portugueses eram católicos. Como a religião também virou uma “arma” ou um motivo de disputa entre os dois lados no episódio?
Conexão com a atualidade
- Muitas marcas da presença holandesa continuam no Recife até hoje, como pontes, fortes e traços urbanos. Por que é importante preservarmos monumentos históricos que foram construídos por invasores?
- Naquela época, grandes potências europeias guerreavam pelo controle do açúcar. Hoje em dia, por quais recursos naturais ou econômicos os países do mundo costumam entrar em conflito ou disputar influência?
Episódio 4 – Interiorização da colônia
Entradas e bandeiras (Duração: 26:47 min.). O mameluco Jerônimo conhece bem o sertão e serve de guia para uma expedição bandeirante. Ele precisará usar todo o seu conhecimento para salvar a vida do jovem Pedro, seu patrão e meio-irmão. O episódio permite entender como o esgotamento do açúcar e a busca por metais preciosos (e escravos indígenas) empurraram as fronteiras do Brasil além do Tratado de Tordesilhas; analisar a disputa violenta entre os paulistas (descobridores) e os “emboabas” (forasteiros/portugueses) pelo direito de explorar o ouro; mostra o impacto da chegada de milhares de pessoas em uma região sem infraestrutura, gerando crises de fome e inflação, e desconstrói a imagem heroica dos bandeirantes revelando a violência de suas ações contra povos indígenas e quilombos. Traz comentários dos historiadores Márcio Roberto Alves dos Santos, Jorge Couto, Kátia Maria Abud (USP), John Monteiro (Unicamp) e Ronaldo Vainfas (UFF).
BNCC: habilidade EF07HI11.
Questões para discutir depois do filme (Episódio 4)
Perguntas de aquecimento
- O episódio mostra os paulistas cruzando matas e rios por meses. Que tipo de perigos físicos e dificuldades eles enfrentavam no dia a dia no sertão?
- Pelas imagens e relatos do vídeo, a relação entre os paulistas e os povos indígenas era baseada em comércio amigável ou em ameaça e uso da força?
Análise Crítica
- Historiadores no episódio comentam que os paulistas eram vistos na época como um dos povos mais violentos da América. Como o documentário justifica essa fama tão assustadora?
- Os indígenas capturados eram levados acorrentados e amarrados em longas filas até as vilas para serem vendidos. Como essa imagem contrasta com os monumentos e estátuas que costumamos ver nas cidades homenageando os bandeirantes?
- Se o Tratado de Tordesilhas proibia os portugueses de passarem para o lado espanhol da América, por que os governantes coloniais fingiam não ver essas expedições que cruzavam as fronteiras?
Conexão com a Atualidade
- O episódio debate se a destruição das populações indígenas foi culpa exclusiva dos bandeirantes ou se fez parte de um projeto maior de colonização. Como o desaparecimento forçado de tantas etnias no passado reflete na falta de conhecimento que os brasileiros têm hoje sobre as línguas e culturas nativas?
Episódio 5 – Mineração
Ouro e cobiça (Ouro Preto, 1719) (Duração: 26:32 min.). A sociedade mineradora mostrada a partir da oficina do artesão de esculturas Manuel Correia. Seu patrão, o português Antônio Vidal, vive do trabalho de suas cinco negras quituteiras, escravas de ganho que, para reunir a quantia devida, às vezes recorrem à prostituição. Seus clientes são os escravos que trabalham na região das minas e que pagam em ouro em pó. O ouro é guardado nas imagens de santo confeccionadas por Manuel. O episódio aborda a forte migração e urbanização da região mineradora, analisa os mecanismos de controle de Portugal (cobrança do Quinto, ouro em barra selado) e a criatividade dos colonos para burlar as taxas, destaca a mobilidade e diversidade social da sociedade mineradora. Traz comentários de Angelo Alves Carrara (UFJF), Caio César Boschi (PUC-MG) e Junia Furtado (UFMG).
BNCC: habilidades EF07HI10, EF07HI13 e EF07HI14.
Questões para discutir depois do filme (Episódio 5)
Perguntas de aquecimento
- O que mudou na paisagem e no ritmo de vida das pessoas quando a notícia de que “havia ouro nas Minas” se espalhou pelo Brasil e por Portugal?
- No início da exploração, ter muito ouro garantia que uma pessoa estaria bem alimentada e confortável? O que o episódio mostra sobre as dificuldades de sobrevivência na região mineradora?
Análise crítica
- Os paulistas achavam que eram os únicos donos legítimos do ouro. Por que os “emboabas” (pessoas vindas de fora) não aceitavam essa exclusividade? Quem vocês acham que a Coroa Portuguesa apoiou no final e por quê?
- Por que o governo português proibiu a circulação de ouro em pó ou em pepitas e criou as Casas de Fundição? Como o “imposto do Quinto” afetava a vida e o humor dos mineradores?
- A sociedade das minas é descrita como mais urbana e diversa do que a sociedade do açúcar. Que tipo de trabalhos e profissões aparecem no episódio que não eram comuns dentro de um engenho de cana-de-açúcar?
Conexão com a atualidade
- A ganância pelo ouro no século XVIII destruiu rios e florestas na região de Minas Gerais. De que forma a mineração ilegal (garimpo) continua gerando conflitos e problemas ambientais no Brasil de hoje, especialmente em terras indígenas?
- O episódio mostra a Coroa Portuguesa criando leis duras para combater o contrabando de ouro. Que tipos de produtos ou recursos são contrabandeados ou falsificados no Brasil de hoje, e quais são os impactos disso para o país?
Episódio 6 – Ideias iluministas e a Conjuração Mineira
Leituras perigosas, Rio de Janeiro, em 1794 (Duração: 23:27 min.). O cirurgião Manoel Toledo obtém de um contrabandista um exemplar das “Fábulas de La Fontaine”, um dos muitos livros proibidos pela Metrópole. Toledo, que participa de uma Sociedade Literária, pretende difundir o livro proibido encadernando-o no meio de textos liberados e assim escapar da fiscalização. No meio da noite, enquanto trabalha nisso, batem à sua porta. São três soldados carregando um homem ferido e inconsciente que Toledo reconhece ser o contrabandista. O comandante da tropa pede a Toledo para reanimar o contrabandista para que os soldados possam arrancar dele os nomes de seus clientes. O episódio analisa o perfil dos revoltosos (poetas, juízes, padres) e os motivos econômicos da revolta (o medo da Derrama), problematizar o fato de que a elite queria se libertar de Portugal mas não o fim da escravidão dos negros e comenta como os interesses econômicos de indivíduos (como Joaquim Silvério dos Reis) sabotaram o movimento. Traz comentários de Lúcia Bastos (UFRJ) e Claudia Heynemann (Arquivo Nacional).
BNCC: habilidade EF08HI05.
Questões para discutir depois do filme (Episódio 6)
Perguntas de aquecimento
- Por que os homens do episódio se reuniam escondidos para ler e conversar sobre livros? Hoje em dia, ler um livro parece algo perigoso para vocês?
- Qual era a principal reclamação que a elite de Vila Rica tinha em relação ao governo de Portugal?
Análise Crítica
- O episódio mostra que livros de filósofos franceses e textos sobre a Independência dos Estados Unidos eram escondidos em fundos falsos e porões. De que forma ideias escritas em livros podiam ameaçar o poder de um rei absoluto?
- Os inconfidentes usavam o lema “Libertas Quæ Sera Tamen” (Liberdade, ainda que tardia). No entanto, eles tinham escravizados e não pretendiam libertá-los se vencessem. Como vocês explicam essa contradição?
- Joaquim José da Silva Xavier, o Tiradentes, pertencia a um grupo social mais baixo que os poetas e juízes da conspiração. Como a história tradicional costuma retratar Tiradentes e como o documentário mostra a sua participação no movimento?
Conexão com a atualidade
- No século XVIII, a censura de livros era feita fisicamente pela Coroa. No mundo digital de hoje, que tipos de censura ou controle de informações nós sofremos na internet e nas redes sociais?
- A bandeira de Minas Gerais usa até hoje o símbolo e o lema idealizados por esse movimento de 1789. Por que vocês acham que os estados brasileiros mantêm símbolos do passado colonial em suas identidades atuais?
Episódio 7 – Saberes populares
O sangrador e o doutor, Rio de Janeiro, 1820 (Duração: 27:02 min.). Benedito, um ex-escravo de 5o anos, conhecido como curador, é levado até um rico palacete cujo proprietário, João Alencar está doente. Após um rápido exame, Benedito decide começar o tratamento com uma sangria. Dois dias depois, Alencar está de pé. Grato ao ex-escravo, resolve ir pessoalmente à sua modesta casa para agradecê-lo pessoalmente. Depara-se então com um culto de candomblé e fica horrorizado. O episódio mostra o contraste e o conflito entre a medicina oficial europeia (trazida pelos físicos e doutores diplomados) e os saberes populares, as práticas tradicionais dos povos indígenas e as técnicas curativas trazidas pelos africanos escravizados, com destaque para a figura do barbeiro-sangrador. Destaca a importância dos conhecimentos botânicos e medicinais de matriz indígena e africana para a cura de doenças em um território sem hospitais ou médicos diplomados. Analisa como a medicina europeia da época tentava se impor sobre os saberes tradicionais, criminalizando práticas que não vinham das universidades. Complementa o episódio os comentários de Alberto da Costa e Silva, Mary del Priore (Universo, Lilia Moritz Schwarcz (USP), Tânia Pimenta (Fiocruz) e Gabriela dos Reis Sampaio (UFBA).
BNCC: habilidade EF08HI14.
Questões para discutir depois do filme (Episódio 7)
Perguntas de aquecimento
- O episódio mostra que o “barbeiro” daquela época fazia muito mais do que cortar cabelo e fazer a barba. Que outras tarefas ele realizava e por que as pessoas o procuravam?
- Ao ver o modo como as doenças eram tratadas no passado colonial, vocês sentiram medo, curiosidade ou alívio pela medicina atual? O que mais assustou vocês?
Análise crítica
- A medicina oficial dos “doutores” da colônia acreditava muito na “sangria” (técnica de retirar o sangue do paciente para curá-lo). Hoje sabemos que isso costumava piorar o estado das pessoas. Por que vocês acham que eles confiavam tanto nessa prática?
- Muitas mulheres, indígenas e africanos que conheciam o segredo das ervas e das plantas eram perseguidos ou acusados de “feitiçaria” pelas autoridades da época. Havia uma preocupação real com a saúde ou um preconceito contra a cultura dessas pessoas?
- Como as péssimas condições de vida, higiene e trabalho das pessoas escravizadas colaboravam para que as doenças se espalhassem de forma tão rápida no Brasil Colônia?
Conexão com a atualidade
- Na sua casa, alguém já usou um chá ou uma planta medicinal para curar uma dor de barriga ou uma gripe? De onde veio esse costume e como ele se conecta com a história que vimos no documentário?
- Hoje nós temos remédios modernos de farmácia, mas os cientistas continuam pesquisando as plantas das florestas brasileiras para criar novos tratamentos. Por que é importante respeitar e proteger o conhecimento dos povos tradicionais (como indígenas e quilombolas) sobre a natureza?
Episódio 8 – Guerra do Paraguai
Vida e morte no Paraguai, Tuiuti, 1866. (Duração: 27:19 min.). No acampamento do Exército Aliado, três amigos se divertem conversando sobre Alfredo, colega deles que se feriu em circunstâncias misteriosas. Cada amigo tem uma versão para o ferimento. Cada versão narra um aspecto da guerra: a) o saque feito nos campos de batalha por brasileiros e paraguaios que levavam roupas, armas e suprimentos dos mortos; b) momentos amistosos entre os dois lados inimigos em que conversam, bebem e fumam juntos; c) romances e negociações entre militares e comerciantes. Mostra que o cotidiano dos soldados envolvia muito mais fome, lama, tédio e doenças (como o cólera) do que batalhas heroicas e gloriosas. Analisa o recrutamento de negros escravizados enviados para lutar no lugar de seus senhores com a promessa de liberdade se sobrevivessem. Avalia a escala de destruição da guerra, os erros de planejamento de ambos os lados e o choque cultural entre os exércitos. Traz comentários de José Murilo de Carvalho, Ricardo Henrique Salles (Unirio) e Lilia Moritz Schwarcz (USP).
BNCC: habilidade EF08HI18.
Questões para discutir depois do filme (Episódio 8)
Perguntas de aquecimento
- O episódio traz a história de Alfredo, um soldado que foi até a trincheira inimiga com um lenço branco apenas para conversar e olhar nos olhos dos paraguaios. O que essa atitude nos ensina sobre os soldados comuns que são mandados para as guerras?
- Pelas cenas do vídeo, como era a vida nos acampamentos militares? Quais eram os maiores inimigos dos soldados além das balas do exército paraguaio?
Análise crítica
- Muitos dos soldados enviados pelo Brasil eram negros escravizados (os “Voluntários da Pátria”). Que ironia ou contradição existia no fato de um escravizado arriscar a vida para defender as fronteiras do Império do Brasil?
- Durante muito tempo, livros escolares culpavam apenas a Inglaterra ou apenas as ambições do ditador paraguaio Solano López pelo início do conflito. Como o documentário distribui as responsabilidades políticas entre Brasil, Argentina e Paraguai?
- O Paraguai sofreu uma perda demográfica gigantesca ao fim da guerra (com a morte de grande parte de sua população masculina). Como o episódio retrata o sofrimento da população civil (mulheres e crianças) envolvida nas fases finais do conflito?
Conexão com a atualidade
- Após a Guerra do Paraguai, o Exército Brasileiro voltou muito fortalecido politicamente e passou a defender o fim da escravidão. De que forma uma guerra externa acabou mudando a política interna do nosso próprio país no século XIX?
- O Brasil e o Paraguai hoje são parceiros comerciais e dividem a Usina Hidrelétrica de Itaipu, mas o passado da guerra ainda deixa marcas profundas na identidade e na história paraguaia. Por que é importante que os países vizinhos estudem juntos esses traumas do passado para construir relações de paz no presente?
Episódio 9 – O Estado Novo
Propaganda e repressão, Rio de Janeiro, 1942. (Duração: 27:47 min.). Em uma mesa do Bar Amarelinho, na Cinelândia, alguns jornalistas conversam sobre Getúlio Vargas, o Estado Novo e a censura aos jornais. Entre eles está o jovem Alves que, no dia seguinte será empregado no DIP por indicação de seu pai, importante empresário e simpatizante do Estado Novo. Alves participa de reunião com os chefes das cinco divisões do DIP: Divulgação, Rádio-difusão, Cinema e Teatro, Turismo e Imprensa onde são discutidas estratégias de cada setor. O episódio aborda a dualidade desse governo: a intensa censura e o controle da informação pelo DIP (Departamento de Imprensa e Propaganda) em contraste com o projeto de modernização, a criação das leis trabalhistas e a construção de uma identidade nacional brasileira. Analisa o papel do rádio como o grande integrador nacional da época e ferramenta direta de comunicação do governo. Debate a criação da CLT e o salário mínimo, discutindo se esses direitos foram um “presente” de Vargas ou fruto de décadas de lutas operárias. Mostra como o governo utilizou o samba (exigindo letras que exaltassem o trabalho) e o carnaval para criar uma ideia oficial de “brasilidade”. Traz comentários de Ângel Castro Gomes (CPDOC-FGV), Marieta de Moraes Ferreira (CPDOC-FGV) e Maurício Parada (PUC-RJ).
BNCC: habilidade EF09HI06.
Questões para discutir depois do filme (Episódio 9)
Perguntas de aquecimento
- O episódio mostra Getúlio Vargas usando muito o rádio e aparecendo em festas escolares cercado de crianças. Que imagem de Vargas o governo queria passar para o povo?
- Como as pessoas sabiam o que estava acontecendo no país e não existia televisão, internet ou redes sociais, e o governo controlava o rádio e os jornais?
Análise crítica
- O DIP (Departamento de Imprensa e Propaganda) proibia notícias ruins sobre o governo e ainda obrigava os artistas e sambistas a mudarem suas letras para falar bem do trabalho e do Brasil. Por que um governo ditatorial se importava tanto com o que se cantava no Carnaval?
- Getúlio Vargas ficou conhecido pela famosa expressão “Pai dos Pobres”. Pensando de forma crítica, os direitos aos trabalhadores era bondade do governo ou uma estratégia política para controlar os sindicatos e evitar revoltas operárias?
- O episódio aborda o clima de repressão e as prisões políticas do Estado Novo. Como um governo conseguia ser, ao mesmo tempo, muito popular entre os trabalhadores e muito violento contra os seus opositores?
Conexão com a atualidade
- O rádio foi a grande tecnologia usada para espalhar a propaganda oficial na década de 1930 e 1940. E hoje, quais são as ferramentas de comunicação mais utilizadas pelos governantes e políticos para construir suas imagens públicas?
- No Estado Novo, a censura vinha direto de um órgão oficial do governo (o DIP). Hoje nós corremos o risco de consumir informações manipuladas de outras formas? Quais?
Episódio 10 – Governo JK e a construção de Brasília
O sonho de Juscelino, Brasília, 1958. (Duração: 25:24 min.). Brasília já está praticamente pronta e essa será a última noite em que o presidente dormirá no Catetinho. Sebastião, velho mordomo que acompanha Kubitschek desde o Rio de Janeiro, e Nascimento, jovem mordomo que assumirá o cargo na nova capital, trabalham juntos para deixar tudo arrumado. Mas as diferenças entre os dois mordomos são muitas: discordam sobre a construção da capital e sobre sua arquitetura. O episódio mostra a transição do Brasil rumo à modernidade dos anos 1950, a promessa de “50 anos em 5”, os bastidores da arquitetura monumental de Oscar Niemeyer e Lucio Costa, e, principalmente, a realidade social dos candangos—os trabalhadores que ergueram a nova capital no meio do cerrado. Contrapõe a beleza dos palácios com as condições precárias de vida, alojamento e trabalho dos migrantes (especialmente nordestinos) que construíram a cidade. Destaca a chegada das indústrias automobilísticas e o endividamento econômico que veio junto com o rápido crescimento. Mostra como os trabalhadores foram progressivamente empurrados para fora do Plano Piloto após a inauguração, dando origem à divisão social do Distrito Federal. Complementa com comentários de Marly Silva da Motta (CPDOC-FGV), Marieta de Moraes Ferreira (CPDOC-FGV), Santuza Cambraia (PUC-Rio e UCAM).
BNCC: habilidades EF09HI17, EF09HI18.
Questões para discutir depois do filme (Episódio 10)
Perguntas de aquecimento
- Se vocês fossem convidados em 1956 para se mudar para o meio do nada e ajudar a construir uma cidade do zero, vocês aceitariam? O que motivou milhares de brasileiros a fazerem exatamente isso?
- Ao verem os prédios e palácios de Brasília sendo inaugurados no vídeo, o sentimento é de orgulho pela engenharia nacional ou de preocupação com quem trabalhou ali? Por quê?
Análise crítica
- O presidente JK prometeu avançar o Brasil “50 anos em 5”. Quais foram os grandes símbolos desse avanço que aparecem no documentário e qual foi o preço financeiro que o país pagou por essa velocidade?
- Os arquitetos planejaram Brasília para ser uma cidade sem cruzamentos de trânsito e com áreas verdes integradas, uma “utopia de igualdade”. Mas por que os operários que construíram os palácios não puderam morar neles quando a cidade ficou pronta?
- O episódio mostra que a mudança da capital do Rio de Janeiro para o centro do país tinha motivos políticos e de segurança. De que forma afastar a capital do litoral mudou o contato do povo com os governantes?
Conexão com a atualidade
- Brasília completou mais de seis décadas desde sua inauguração. Olhando para a capital federal hoje através dos jornais e da TV, vocês acham que ela reflete as ideias de “modernidade e futuro” que seus criadores imaginaram nos anos 1950?
- A migração interna de trabalhadores (como os candangos) mudou a cara do Brasil e ajudou a fundar novas cidades. Na sua cidade ou região, existem bairros ou histórias de pessoas que vieram de outros estados para construir a comunidade local?
Conheça também “Guerras do Brasil”
O documentário “Guerras do Brasil“, produzidos pelo roteirista Luiz Bolognesi, traz 5 episódios de 26 minutos cada que contam a história do Brasil a partir de seus principais conflitos: guerras coloniais de coquista, Guerra de Palmares, Guerra do Paraguai, Revolução de 1930 chegando à atualidade com a falência do sistema carcerário do país, no episódio nomeado Universidade do Crime. A narrativa é costurada pelos depoimentos dos principais conhecedores dos fatos. Clips de imagens com trilha utilizando imagens de arquivo e ilustrações dão um ritmo ágil aos programas, permitindo ao espectador visualizar e compreender os acontecimentos.
Os episódios estão na seguinte sequência/minutagem:
- Episódio 1 (00:00): Guerras Coloniais
- Episódio 2 (26:50): Guerras de Palmares
- Episódio 3 (52:40): Guerra do Paraguai
- Episódio 4 (1;19:00): A Revolução de 1930
- Episódio 5 (1:44:38): Universidade do Crime
Saiba mais
- Histórias do Brasil. Série completa.
- 21 filmes de História do Brasil Colonial
- 16 filmes sobre o Brasil monárquico
- 23 filmes sobre a República Velha, 1889 a 1930
- 22 filmes sobre o Brasil dos anos 1930 a 1954
- 30 filmes sobre o Brasil de 1955 a 1975














Muito bom! Obrigada pela colaboração excelente!
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