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Inaugurada a Confeitaria Colombo, Rio de Janeiro

17 de setembro de 1894

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Em 17 de setembro de 1894 era inaugurada a Confeitaria Colombo, na movimentada rua Gonçalves Dias, no centro histórico do Rio de Janeiro. Fundada pelos imigrantes portugueses Joaquim Borges de Meireles e Manuel José Lebrão, era considerada uma casa “verdadeiramente parisiense”. Seus anúncios nas revistas e jornais costumam ser escritos em francês para impressionar a elite da sociedade carioca.

Em pouco tempo, a Colombo tornou-se um dos pontos mais conhecidos da cidade.  Era vizinha de importantes estabelecimentos comerciais e dos prestigiados ateliês de Juan Gutierrez e José Ferreira Guimarães, ambos fotógrafos da Casa Imperial.

Sua arquitetura e ambiente permitem ter uma ideia de como teria sido a Belle Époque na então capital da República. Entre 1912 e 1918, os salões internos da confeitaria foram reformados ganhando um toque Art Nouveau, com enormes espelhos de cristal da Antuérpia, emoldurados por frisos talhados em madeira de jacarandá.

O salão recebeu cadeiras de jacarandá com encosto e assento de palhinha fabricados pela marcenaria de Antonio Borsoi (1880-1953), mesas com os pés de ferro e tampo de opalina azul, posteriormente substituídas por tampos de mármore.

Em 1922, as suas instalações foram ampliadas para abrir um salão de chá no segundo andar. Uma abertura no teto do pavimento térreo permite ver a claraboia do salão de chá. Importada da França, a claraboia é decorada com belos vitrais que iluminam suavemente o ambiente. Foi instalado o elevador, um dos primeiros do Rio de Janeiro.

Fachada da Confeitaria Colombo, RJ.

Os clientes habitués da confeitaria

A Colombo era um dos lugares mais cobiçados da capital federal. Era frequentada por escritores como Olavo Bilac, Lima Barreto, Machado de Assis e Luís Murat, políticos e jornalistas como Rui Barbosa e Emilio de Menezes, artistas como Villa-Lobos e Chiquinha Gonzaga, políticos como os presidentes Washington Luís, Getúlio Vargas e Juscelino Kubitschek e as damas da alta sociedade carioca.

Algumas mesas trazem os nomes de seus clientes mais ilustres, como a que homenageia o empresário e político Assis Chateubriand (1892-1968), fundador dos Diários Associados.

A generosidade e tolerância do proprietário Lebrão, estimulavam a frequência de artistas, escritores e jornalistas aceitando alguns excessos de comportamento e até calotes, como mostram os versos escritos pelo jornalista e poeta Emílio Menezes (1866-1918) em uma mesa:

“Lebrão, tu sabes que a confeitaria

Colombo é verdadeira sucursal

Da nossa muito douta Academia

Mas sem cheiro de empréstimo oficial.

Cerca-te sempre a simpatia

De todo literato honesto e leal

E tu vais te tornando dia a dia

O mecenas de todo esse pessoal.

Nisto mostras que és homem de talento

Que não cuidas somente de pasteis
Nem de lucros tirar cento por cento.
Atende, pois, a um dos amigos fieis
Que está passando por um mau momento
E anda doido a cavar trinta mil-réis.”

Por causa desse bom relacionamento de seu dono com os intelectuais, a confeitaria acabou sendo elevada à condição de “sucursal da ABL”, a Academia Brasileira de Letras, como alude os versos de Menezes.

O segundo andar permite ver o movimento no térreo.

Outra estratégia para fidelizar os clientes era a proibição de gorjeta aos garçons. Para Lebrão, a gorjeta não era uma boa atitude para com os clientes e criava concorrência entre os garçons. Em troca, pagava comissões por venda – o que fazia com que todos se esforçassem para atender melhor e, com isso, vender mais. Os funcionários eram beneficiados, ainda, com uma participação nos lucros da empresa, que no início incluía também um armazém.

Lebrão buscou adaptar-se a todos os públicos. Aos que não tinham condições de sentar-se à mesa para um completo chá das cinco, ele oferecia os balcões, onde era possível comprar doces avulsos, na quantidade que estivesse ao alcance do cliente.

O público dividia-se também por horários. Até o final da tarde, a Colombo recebia mulheres da sociedade para o chá. À noite, o ambiente mudava e permaneciam apenas os homens com uma ou outra mulher mais rebelde, como era o caso de Chiquinha Gonzaga.

Embora os encontros na Confeitaria Colombo fossem fartamente animados pelas conversas, a casa também oferecia música ao vivo em seu salão.

A casa continua sendo um reduto de elegância e sinônimo de tradição no Rio de Janeiro. Em seu cardápio ainda oferece seus produtos mais famosos e feitos artesanalmente: a geleia de mocotó e o biscoto Leque.

A marchinha de carnaval “Sassaricando” (1951), interpretada por Virgínia Lane, menciona a Confeitaria Colombo.

Fonte

  •  BIANCHI, Silvia Soler. Entre o café e a prosa: memórias da Confeitaria Colombo no início do século XX. Rio de Janeiro: Terceira Margem, 2008.
  • DUNLOP, Charles. Rio Antigo, vol 2. Rio de Janeiro: Cia. Editora e Comercial F. Lemos, 1956.
  • FREIRE, Renato; RODRIGUES, Antônio Edmilson Martins. Confeitaria Colombo: Sabores de uma cidade. Rio de Janeiro: Edições de Janeiro, 2014.

 

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