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Início da Era Meiji, no Japão

07 de abril de 1868

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Em 7 de abril de 1868, o jovem imperador Mutsuhito prestava o Juramento da Carta dos Cinco Artigos, considerada a primeira constituição do Japão moderno e que forneceu o cenário legal para a modernização do país. Favoreceu um processo de urbanização, pois as pessoas de todas as classes ficaram livres para mudar de emprego, de sair da aldeia ou cidade em busca de melhores oportunidades.

O texto do juramento consistia nos seguintes artigos:

Por este juramento, estabelecemos como nosso objetivo o estabelecimento da riqueza nacional em bases amplas e a elaboração de uma constituição e leis.

1. Assembleias deliberativas serão estabelecidas e todos os assuntos decididos em discussões abertas.

2. Todas as classes, altas e poderosas, se unirão na condução vigorosa da administração dos assuntos de estado.

3. As pessoas comuns, não menos que civis e militares, poderão seguir sua própria vocação para que não haja descontentamento.

4. Maus costumes do passado serão quebrados e tudo será baseado nas justas leis da Natureza.

5. O conhecimento deve ser buscado em todo o mundo para fortalecer a base do governo imperial.

O Juramento dos Cinco Artigos preparou o Japão para a a chamada Era Meiji.

O nome “meiji” significa “luz” e foi adotado pelo imperador para batizar as transformações ocorridas no regime teocrático japonês que atingiram as áreas do governo, educação, economia, religião entre outras. As mudanças levaram a uma acelerada modernização do Japão e transformaram o país na primeira nação asiática com um moderno sistema de Estado-nação vindo a se constituir em uma potência mundial.

A Revolução, Período ou Era Meiji estendeu-se de 1868 a 1912, período do reinado do Imperador Mutsuhito Tenno, que subiu ao trono aos 14 anos de idade e governou até sua morte, aos 45 anos. Após a sua morte, ele passou a ser chamado de Imperador Meiji, adotando o nome da era em que governou.

Retrato do Imperador Meiji aos 36 anos de idade, desenhado por Eduardo Chiossone em 1888, durante seu emprego na Imprensa Imperial. O artista recebeu a ordem de esboçar secretamente o imperador para criar, a partir daí, o retrato oficial. Concluído o trabalho, ele foi fotografado e distribuído para governos estrangeiros e escolas japonesas. O realismo do desenho era tal que muitos confundiram o retrato com uma fotografia real.

BNCC: 9º ano – Habilidade: EF09HI23, EF09HI26

O Japão antes da Era Meiji

Desde o século XVII, o governo japonês mantinha-se afastado do contato com os europeus por suspeitar que os ocidentais pretendessem conquistar o país. Estrangeiros foram expulsos e houve até execução de muitos deles. Estavam autorizados a comercializar com o Japão somente a China e a Companhia Holandesa das Índias Orientais; suas atividades eram, porém, restritas ao porto de Nagasaki.

O Japão viveu um período de estabililidade política, de urbanização crescente e de florescimento do comércio interno. O país era governado, de fato, pelo xogum – título militar concedido pelo imperador, equivalente a comandante-geral do exército. O imperador possuía grande autoridade simbólica, mas pouco poder político. Segundo a mitologia japonesa, o imperador era descendente direto dos deuses e, portanto, figura divina que deveria ser louvada.

Desde 1603, o governo era exercido pela família Tokugawa que manteve o país no isolamento. Porém, a elite e os intelectuais japoneses tiveram contato com as ciências e as técnicas ocidentais por meio das informações e dos livros trazidos pelos comerciantes holandeses sobre Geografia, Medicina, Ciências Naturais, Astronomia, Arte, Línguas e Mecânica.

A partir de 1850, o xogunato Tokugawa (1603-1868) foi forçado a enfrentar a agressiva política imperialista dos ocidentais

O imperialismo agressivo dos ocidentais

No início do século XIX, navios europeus e norte-americanos começaram a aparecer no litoral japonês com frequência, o que levou as autoridades do país a reagirem para expulsar os estrangeiros. Na China, a política imperialista britânica deixou claro suas intenções ao provocar a Guerra do Ópio (1840-1842) e apoderar-se de Hong Kong.

Em 1853, uma esquadra dos Estados Unidos ameaçou o Japão e forçou-o a negociar a abertura dos portos. Pouco depois, a Grã-Bretanha, a França, a Holanda e a Rússia fizeram o mesmo. Em 1854, o Japão abria seus portos para o comércio com o mundo.

O governo japonês aproveitou a presença estrangeira para modernizar seu Exército e sua Marinha. Abriu uma escola naval em Nagasaki (1855) com instrutores holandeses, comprou navios de guerra e armamentos dos Países Baixos, contratou engenheiros franceses para construir um arsenal naval, mandou traduzir livros ocidentais e e enviou estudantes para estudar em escolas britânicas. Em pouco tempo, o Japão tinha um Exército e uma Marinha modernizada com navios de guerra a vapor.

O fim do xogunato e a guerra civil

O comércio com os ocidentais desequilibrou a frágil economia japonesa. A produção interna era escassa e as importações superaram as exportações fazendo o país se endividar e perder rapidamente suas reservas. Isso causou uma grave crise interna. A população empobrecida atacou navios e comerciantes estrangeiros. Esses incidentes fizeram com que o Reino Unido bombardeasse Kagoshima e outras potências invadissem Yamaguchi (1863).

Até então, a prioridade da população era expulsar os estrangeiros do arquipélago, mas os ataques sofridos demonstraram o fraco poderio bélico japonês e a pouca proteção dada pelo xogunato Tokugawa ao povo. A insatisfação era também de muitos nobres e jovens samurais que não concordavam com a forma como o xogunato lidava com os estrangeiros. Cresceu a ideia de derrubar o xogunato e restaurar o poder imperial.

No final de 1866, ocorreu uma importante mudança no quadro político do Japão: morreram o imperador Komei e o xogum Tokugawa Iemochi, sucedidos respectivamente por Mutsuhito (futuro imperador Meiji), então com 14 anos, e Tokugawa Yoshinobu.

Tokugawa Yoshinobu, o 15º xogum do xogunato Tokugawa e o último xogum, foto de 1867. Após renunciar ao cargo no final de 1867, retirou-se da vida pública, evitando aparições até ao final da sua vida. Faleceu em 1913, aos 76 anos.

A troca de governo não aliviou as tensões sociais e políticas, ao contrário, elas aumentaram. Em 9 de novembro de 1867, o novo xogum renunciou ao seu cargo e entregou seus poderes ao imperador. Isso acabou com o xogunato Tokugawa.

A renúncia do xogum, porém, não acabou com o aparato militar e a força da família Tokugawa. Esta permaneceu uma força proeminente e logo se reorganizou para recuperar seus poderes políticos.

Em janeiro de 1868, teve início a guerra civil conhecida como Guerra Boshin (“Guerra do Ano do Dragão”) em que o exército da família Tokugawa enfrentou as forças favoráveis à restauração do poder imperial.  Cerca de 120 mil homens foram mobilizados durante o conflito que matou 8.200 e feriu mais de 5.000.

Durante a guerra, junto com armas e técnicas tradicionais, foram empregados alguns dos mais modernos armamentos e técnicas de combate do período, incluindo navio de guerra couraçado, metralhadoras e técnicas aprendidas com conselheiros militares ocidentais.

A facção imperial foi vitoriosa. Após a vitória, o novo governo procedeu à unificação do país sob um governo único, legítimo e poderoso da Corte Imperial. A residência do imperador foi efetivamente transferida de Kyoto para Edo, e a cidade renomeada para Tóquio.

O palanquim e a procissão do Imperador Meiji movendo-se de Kyoto para Tóquio pela estrada Tokaido. Desenho publicado na revista “Le Monde Illustré” em 20 de fevereiro de 1869, desenho de Alfred Roussin, oficial da marinha francesa no Japão.

A Era Meiji (1868-1912)

Mutsuhito, o imperador Meiji, subiu ao trono em 30 de janeiro de 1867. As mudanças começaram após o juramento da Carta dos Cinco Artigos, em 7 de abril de 1868. Foi abolido o cargo de xogum e o imperador, renunciando ao papel simbólico e religioso, passou a governar diretamente o país com a ajuda dos grandes senhores (daimyo). A capital foi transferida de Kioto para Tóquio.

Especial atenção foi dada à educação. Adotou-se os ideais iluministas de educação popular, estabelecendo um sistema nacional de escolas públicas e gratuitas que ensinavam aos alunos leitura, escrita e matemática. Os alunos também frequentavam cursos de “treinamento moral” que reforçavam seus deveres para com o imperador e o estado japonês.

No final do período Meiji, a frequência de escolas públicas era generalizada. Ainda no século XIX, a taxa de alfabetização do país já era comparável à das cidades europeias mais instruídas (50% da população adulta sabia ler e escrever). Isso aumentou a disponibilidade de trabalhadores qualificados e contribuindo para o crescimento industrial do Japão.

O Imperador Meiji realizou a modernização acelerada do Japão, implantando indústrias, ferrovias, estaleiros, portos e universidades. A rápida industrialização e modernização do Japão, permitiu e requereu um enorme aumento na produção e na infraestrutura. Foi desenvolvido um moderno um sistema ferroviário e de comunicações, integrando o país.

Sob o tema “Enriquecer o país, fortalecer as forças armadas”, o Japão já era considerado uma potência econômica e militar em 1895. Apesar de receber ajuda de potências europeias e dos Estados Unidos, o país conseguiu promover sua industrialização sem interferência negativa dessas potências por sua falta de recursos, o que o tornava pouco atraente para o imperialismo ocidental.

Modernidades introduzidas no Japão da Era Meiji:

1869 – Inaugurada a primeira linha telegráfica, entre Tóquio e Yokohama.

1871 – Introduzido o Serviço Postal Nacional.

1871 – Implantado sistema de bondes puxados por cavalos em Tóquio, substituído por bondes elétricos em 1903.

1872 – Inaugurada a primeira conexão ferroviária entre Tóquio e Yokohama.

1872 – Inaugurada a Mitsuigumi House, edifício bancário em estilo ocidental.

1873 – Adotado o calendário gregoriano substituindo o calendário lunar (chinês).

1873 – Declarada liberdade religiosa.

1877 – Fundada a Universidade de Tóquio.

1877 – Instalados os primeiros telefones.

1877 – O Japão aderiu à União Postal Internacional.

1880 – Linhas telegráficas ligam todas as principais cidades do Japão.

1882 – Adotado um sistema bancário de estilo europeu.

1887 – Inaugurada a primeira ponte de aço sobre o rio Sumida.

1889 – Introduzida a Constituição Meiji, um sistema segundo o padrão germano-prussiano. No entanto, o imperador foi declarado “sagrado e inviolável”.

A Constituição Meiji, apesar de estabelecer uma forma de governo autoritário, reconhecia alguns direitos civis e partidários. A liberdade de expressão, de associação e de religião eram todas limitadas por leis. Apenas 1,1% da população tinha direito de votar e ser eleita. Em 1925 foi promulgado o sufrágio universal masculino aos maiores de 25 anos. A Constituição Meiji foi vigente ate´1947.

Durante a Era Meiji, o Japão ascendeu como potência militar ao vencer a China na Coreia (Guerra Sino-Japonesa, 1894-1895) e a Rússia na Manchúria  (Guerra Russo-Japonesa, 1904-1905). A vitória sobre a Rússia em 1905 causou um forte impacto no mundo ocidental: pela primeira vez, em vários séculos, uma potência europeia foi derrotada por uma potência asiática.

“A característica mais importante do período Meiji foi a luta do Japão pelo reconhecimento de suas conquistas consideráveis ​​e pela igualdade com as nações ocidentais. O Japão teve grande sucesso na organização de um estado capitalista industrial nos modelos ocidentais. Mas quando o Japão também começou a aplicar as lições aprendidas com o imperialismo europeu, o Ocidente reagiu negativamente. Em certo sentido, a principal desvantagem do Japão foi que ele entrou na ordem mundial dominada pelo Ocidente em um estágio tardio. O colonialismo e a ideologia racista que o acompanhava estavam muito arraigados nos países ocidentais para permitir que uma nação não-branca “arrivista” entrasse na corrida por recursos naturais e mercados de igual para igual.” (A Restauração e Modernização Meiji, 2023).

O Novo lutando contra o Velho, alegoria da Era Meiji, 1872, autoria desconhecida.

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