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Surge o nome “América” para o novo continente

25 de abril de 1507

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Em 25 de abril de 1507, o mapa Universalis Cosmographia do cartógrafo alemão Martin Waldseemüller trazia, pela primeira vez, o nome “América” para designar as terras descobertas por Cristóvão Colombo quinze anos antes. O mapa publicado em mil cópias revolucionou a percepção das pessoas mostrando que as terras descobertas pelo navegador genovês era um Novo Mundo e não um apêndice da Ásia.

O mapa fazia parte do livro Cosmographiae Introductio (“Introdução à Cosmografia”) cujo título completo era: “Introdução à Cosmografia com certos princípios necessários de Geometria e Astronomia aos quais são adicionadas as quatro viagens de Américo Vespúcio e uma representação de todo mundo, como projeção esférica e superfície plana, incluindo terras que eram desconhecidas de Ptolomeu, e foram recentemente descobertas.

De acordo com o título do livro, o autor utilizou como referência os relatos de Américo Vespúcio sobre suas viagens de exploração às novas terras.

No capítulo IX da “Introdução à Cosmografia”, Martin Waldseemülle comentou a respeito das terras descobertas: “Hoje, essas partes do mundo – Europa, África e Ásia – foram mais plenamente exploradas, e uma quarta parte foi descoberta por Américo Vespúcio, como se pode ver nos mapas anexos. E, como Europa e Ásia receberam nomes de mulheres, não vejo razão para não chamar esta outra parte de Amerige, isto é, a terra de Amérigo, ou América, em honra do sábio que a descobriu”.

O cartógrafo atribuiu a descoberta da “quarta parte” do mundo a Américo Vespúcio e daí ter homenageado o navegador florentino batizando o novo continente com o seu nome. Essa teoria, contudo foi revista por estudos recentes.

Mapa de Waldseemüller

Mapa mundi “Universalis Cosmographia”, de Martin Waldseemüller, 1507, mostrava o mundo conhecido pelos europeus na época. No canto à esquerda, o continente recém-descoberto chamado “América”. Veja o detalhe na imagem de abertura.

Detalhe do mapa Universalis Cosmographia,  de Martin Waldseemüller, 1507, onde se lê o nome “América”.

A polêmica do nome América

A discussão sobre o nome do continente já começa pelas incertezas do próprio nome de Vespúcio. Nos documentos da época, ele é chamado de Alberico, Albertutio e Amerigho – um detalhe relevante em razão da nomeação de América para o continente.

Waldseemüller, o autor do mapa-múndi, não tinha as informações precisas ou mesmo corretas a respeito das navegações que então ocorriam. Os relatos de Américo Vespúcio tinham muita fantasia e contradições e, sabe-se hoje, que sua primeira viagem que ele diz ter feito à América entre 1497 e 1498, nunca aconteceu, e há dúvidas se ele esteve de fato no Brasil entre 1503-1504.

Se o nome América foi escolhido porque Vespúcio teria sido o primeiro europeu a atingir o continente, a justificativa não precede. Colombo chegou à parte continental em sua terceira viagem, em 1498. Faleceu em 1506, um ano antes da publicação do mapa de Waldseemüller, convencido que as suas expedições tinham sido realizadas ao longo da costa oriental da Ásia.

Américo Vespúcio teria atingido a parte continental em 1499 quando esteve na costa do Brasil e no golfo da Venezuela, cujo nome lhe é historicamente atribuído. Ele teria observado as casas dos indígenas Añu erguidas sobre palafitas que lhe lembraram da cidade de Veneza, na Itália. Isso o inspirou a dar o nome de Venezziola, Pequena Veneza em italiano, que depois se tornaria Venezuela em espanhol.

Estudos recentes apontam que o fato de Vespúcio reconhecer as costas descobertas como continente em vez de ilha não significa que ele pensasse que era um continente novo, diferente dos três conhecidos desde a Antiguidade. Ao contrário, Vespúcio provavelmente pensou nas novas terras como uma extensão da Ásia, ou seja, ele tinha a mesma ideia de Colombo sobre as terras descobertas (LEHMANN, 2013).

O equívoco perpetuou-se

Publicada a Cosmographiae Introductio, de Waldseemüller, a obra foi um grande sucesso editorial, e a palavra “América” ​​rapidamente se espalhou para outras obras cartográficas.

No entanto, o próprio Waldseemüller se deu conta do equívoco e buscou se corrigir em um mapa de 1513, incluído em uma edição da Geographia de Cláudio Ptolomeu. Nele chamou o novo continente de “Terra Incógnita” e afirmou que seu descobridor foi Colombo, não Vespúcio.

Mas aí já era tarde demais para corrigir o erro. O nome “América” já estava circulando entre os navegadores, os reis e os geógrafos. O próprio Américo Vespúcio já tinha falecido sem saber que seu nome tinha se consagrado para chamar o novo continente.

Em 1538, o cartógrafo flamengo Mercator, em seu primeiro mapa-múndi, o chamado «Orbis Imago», também deu o nome de “América” ao novo continente. O Novo Mundo estava, então, batizado para a eternidade.

Para  Cristóvão Colombo restou a homenagem de seu nome ter batizado um país da América do Sul, a Colômbia.

“Américo Vespúcio desperta a América”, alegoria da América, gravura de Johannes Stradanus, 1575-1580. O nome América estava, então, consolidado para chamar o Novo Mundo.

Fonte

  • Et Waldseemüller inventa l’Amerique. Herodote.net. 27 nov. 2018.
  • LEHMANN, Martin. “Amerigo Vespucci and His Alleged Awareness of America as a Separate Land Mass”. Imago Mundi 65 (1), janeiro 2013, p. 15-24.
  • FERNÁNDEZ-ARMESTO, Felipe. Amerigo. The man who gave his name to America. London: Weidenfeld & Nicolson, 2006.

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