10 coisas que você talvez não sabia sobre a Batalha de Waterloo

18 de junho de 2021

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A célebre Batalha de Waterloo, ocorrida entre os dias 16 e 18 e junho de 1815, foi o combate decisivo entre o imperador francês Napoleão Bonaparte e as forças coligadas da Inglaterra, Rússia, Prússia e Áustria sob o comando do Duque de Wellington. A luta aconteceu perto de Bruxelas, na Bélgica, na vila de Waterloo. O exército de Napoleão foi derrotado e ele preso e exilado na ilha de Santa Helena onde  viria a falecer seis anos depois, em 1821.

Waterloo é considerado um divisor de águas na história política e econômica europeia. A partir daí, delineou-se um novo mapa  da Europa (concretizado no Congreso de Viena) e tornou Londres o centro das finanças mundiais.

1. As guerras napoleônicas foram chamadas de “Grande Guerra” até 1917

 As batalhas que culminaram na Campanha de Waterloo, na Bélgica, em junho de 1815 puseram fim a 22 anos de lutas quase contínuas entre as potências europeias. Daí terem sido consideradas, na visão eurocêntrica dos historiadores do século XIX, como a primeira “guerra mundial”.

Estima-se que as guerras napoleônicas, entre 1804 e 1915, tenham vitimado cerca de 7 milhões de pessoas, entre militares e civis.

Essas guerras puseram fim à rivalidade militar entre a Grã-Bretanha e a França que, por seis séculos, desde a Guerra Anglo-Francesa de 1202-1214, havia atormentado esses dois países. A partir daí, apesar de algumas oscilações, Grã-Bretanha e França foram aliadas em vários conflitos subsequentes.

As guerras napoleônicas marcaram, também, o declínio do despotismo das antigas Casas Reais e o início de uma Europa mais moderna na qual a Alemanha e a Itália nasceriam.

2. Os custos de Waterloo ainda estão sendo pagos

A indústria de armamentos e os bancos internacionais foram (e continuam sendo) os principais beneficiários das guerras. Seja qual for a causa da faísca que acenda o fogo da guerra, as chamas são mantidas acesas pelos interesses de bancos e indústrias de armamentos.

Entre 1804 e 1815, as indústrias britânicas venderam 7,5 milhões de armas para o governo. Somente em 1815, os gastos do governo britânico com a guerra totalizaram 73 milhões de libras, equivalente a 266 bilhões de libras em valores atuais. Isso gerou uma enorme dívida do governo com os banqueiros credores. Parte da dívida atual do Reino Unido remonta a títulos de guerra emitidos em 1815.

Lendas surgiram em torno dos banqueiros envolvidos especialmente da Casa dos Rothschild. Conta-se que Nathan Rothschild teria recebido a notícia da vitória britânica em Waterloo, mas mentiu sobre o resultado para forçar a queda do preço dos títulos do governo. Comprou tudo o que pode e depois revendeu quando o resultado real foi conhecido fazendo subir o preço dos títulos públicos. Não existe nenhuma evidência documental sobre essa especulação, mas a lenda alimentou a “teoria da conspiração” envolvendo banqueiros judeus e a sua suposta intenção de dominação mundial – incluindo a teoria antissemita difundida pelo próprio Hitler.

3. Napoleão enfrentou duas frentes de combate em Waterloo

Durante a campanha de Waterloo, Napoleão enfrentou dois exércitos muito poderosos, não um – e cada um desses exércitos era numericamente quase tão forte quanto o seu. O exército francês do Norte somava cerca de 123.000; o anglo-holandês de Wellington, 112.000; o prussiano de Blücher, aproximadamente 130.000 soldados.

O plano de Bonaparte era lutar contra o exército que encontrasse primeiro, mantendo o segundo imobilizado; assim que derrotasse o primeiro exército, se voltaria contra o segundo.

Por essa razão, lutou contra os prussianos em 15 junho de 1815, novamente contra os prussianos no dia 16 enquanto parte de seu exército detinha o exército anglo-holandês na retaguarda. Enfrentou esse exército no dia 17 e, finalmente, as tropas de Wellington em Waterloo em 18 de junho. Durante a batalha, os soldados franceses contiveram os prussianos tentando vir em socorro de Wellington – em alguns dos mais sangrentos combates já visto. Eram 77.5000 soldados franceses contra 73.200 anglo-holandeses e 49.000 prussianos. No final da batalha, havia mais de 50.000 mortos ou feridos.

4. A vitória em Waterloo foi mais alemã do que britânica

No total, mais de 45% do exército anglo-holandês de Wellington falava alemão como primeira língua. O restante era composto por soldados holandeses e belgas. Os britânicos somavam apenas 36% do exército de Wellington em Waterloo. É por esta razão que o historiador Peter Hofschröer descreve Waterloo como uma “vitória alemã”, já que mais de ¾ daqueles que lutaram contra Bonaparte em 18 de junho 1815 eram alemães.

5. A batalha não aconteceu em Waterloo

A queda de Napoleão não aconteceu exatamente em Waterloo! A batalha foi travada no terreno entre a aldeia de Mont St. Jean, no norte, e uma pousada chamada La Belle Alliance no sul. Contudo, no dia seguinte à batalha, quando Wellington redigiu seu relatório, ele o fez em uma pousada na vila de Waterloo, 3 km ao norte. Desde então, a batalha ficou conhecida como Waterloo.

6. Milhares de amputações realizadas em campo de batalha

Serra e luva ensanguentada usada em amputação. Museu Waterloo, Bélgica.

Os ferimentos mais graves nas pernas e braços levavam à amputação do membro. Estima-se que mais de 2.000 amputações tenham sido feitas nos combates em Waterloo. O procedimento durava 15 minutos, feito com facas e serras, e sem anestésico significativo.

Um dos amputados mais famosos de Waterloo foi Lord Uxbridge, comandante da cavalaria de Wellington. Um tiro disparado de canhão francês acertou sua perna direita e quase cortou o membro. Conta-se que diante de seus gritos de desespero, Wellington lhe respondeu: “Por Deus, homem, você ainda tem outra perna!”

Uxbridge foi levado para uma casa em Waterloo, onde os restos da perna foram removidos.  Ao contrário do que ocorria com os demais soldados feridos, o nobre militar desfrutou de uma dose de ópio que carregava na bagagem. A perna amputada foi enterrada no campo de batalha e no local foi erguido um monumento que logo começou a atrair turistas, inclusive a realeza, como o rei da Prússia.

O monumento ainda existe,  embora não contenha mais a perna. A perna foi exumada anos depois e levada para a Inglaterra para ser enterrada junto aos restos mortais Lord Uxbridge na Catedral de Lichfield, em Somerset. Atualmente, o Museu Waterloo exibe a prótese usada por Lord Uxbridge até sua morte, assim como a serra e a luva ensanguentada usadas na amputação pelo cirurgião Dr. John Hume.

Prótese usada por Lord Uxbridge após a amputação de sua perna direita em Waterloo. Museu Waterloo, Bélgica.

7. Os “dentes de Waterloo”

Ainda na noite após a batalha, os cadáveres foram saqueados pelos ”tira-dentes”. Usando alicates, eles extraíram os dentes frontais dos mortos para vendê-los a dentistas que fabricavam dentaduras com dentes humanos – as mais cobiçadas pela aristocracia de Londres, Paris, Berlim, São Petersburgo e Nova York.

Veja mais em: “Dentes de Waterloo”: dentaduras com dentes dos soldados mortos em Waterloo

8. Os restos mortais de Waterloo usados ​​como fertilizantes

Soldado de Waterloo no local onde foi encontrado (à direita) e detalhe da costela com a bala de mosquete que o matou (à esquerda).

Em 2012, durante a reconstrução do centro de visitantes de Waterloo, foi encontrado o esqueleto de um soldado que morreu na Batalha de Waterloo em 18 de junho de 1815. Seu corpo foi encontrado a 400 metros da linha de batalha e ele poderia ter sido carregado por um companheiro para um local de descanso final. A causa da morte era óbvia, já que a bala de um mosquete ainda estava alojada entre suas costelas.

Este é o primeiro esqueleto completamente intacto encontrado no local em quase 200 anos. Isso pode parecer estranho, afinal para onde foram os cerca de 50.000 mortos de Waterloo? A explicação está em uma prática muito difundida nas décadas de 1830 a 1850: ossos humanos serviam de fertilizantes para as lavouras. Somente os ricos recebiam um túmulo adequado naquela época. Os demais acabavam em valas comuns que, anos depois foram saqueadas. A pólvora encontrada foi vendida aos fazendeiros locais e os ossos desenterrados foram moídos e usados como fertilizante.

Empresas de fertilizantes invadiram outros campos de batalhas napoleônicas, como o de Austerlitz e Leipzig, onde os ossos de soldados e cavalos caídos foram removidos e enviados para moinhos de ossos, muitos em Doncaster, na Inglaterra.

9. As botas wellington inventadas por Wellington

Botas Wellington

O modelo de botas chamado “wellington” feita, hoje, de borracha e neoprene, é ítem de segurança para trabalhos pesados. Está nos pés de bombeiros, militares, guardas florestais, equipes de resgate etc. O modelo foi inventado por Wellington que instruiu seu sapateiro a modificar o modelo usado então, as botas de Hessian, tornando-as mais resistentes e confortáveis.

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Os soldados rasos, contudo, não gozavam da mesma elegância. Nas longas caminhadas, muitas vezes sob chuvas torrenciais e marchando em meio a lama, era comum eles perderem suas botas. Por isso, costumavam carregar uma bota extra (não um par de botas). Esquerda ou direita? Tanto fazia, já que, na época, as botas e os sapatos eram de corte reto, sem direito ou esquerdo, e vinham em apenas três tamanhos – pequeno, médio ou grande.

As botas wellington tornaram-se um calçado popular e na moda pelos próximos 40 anos. Em 1852, Hiram Hutchinson passou a fabricá-las não mais de couro, mas usando o novo processo de vulcanização inventado por Charles Goodyear. As botas wellington derivaram então para impermeáveis “galochas”.

10. Mulheres em campo de batalha

Milhares de mulheres serviram em unidades militares francesas entre 1775 e 1820. Os exércitos de outros países também incluíam mulheres, mas o francês tinha muito mais integrantes femininas que os de outras potências europeias. Elas serviam como cantinières, vivandières e blanchisseuses, isto é, cuidavam do fornecimento de rações aos soldados, outras estavam autorizadas a vender comida, bebida e utensílios aos soldados, e finalmente as lavadeiras responsáveis pela lavagem de roupas.

Somente em Waterloo calcula-se que havia 600 cantinières entre as forças francesas. Muitas eram esposas de soldados e, ocasionalmente, se engajam em combates.

Conhece-se a história de algumas delas como a vivandière Marie Tête-de-Bois que esteve em dezessete campanhas militares e acabou morrendo em Waterloo, abatida por um tiro no rosto. Regula Engel, que sobreviveu à batalha, mesmo tendo sido baleada no pescoço. Seu marido, no entanto, foi morto diante de seus olhos e seu filho de 9 anos, Joseph (um menino que tocava o tambor), foi baleado na cabeça.

A cantinière Madeleine Kintelberger serviu durante a campanha de Austerlitz e foi apanhada pelos cossacos russos enquanto protegia seus filhos que também estavam com ela no campo de batalha. Seu marido havia sido morto por tiros de canhão e Madeleine deteve os cossacos com uma espada, perdendo o braço direito na luta e sendo baleada em cada perna. Ela estava grávida de gêmeos na época. Os russos a fizeram prisioneira, mas ela sobreviveu e retornou à França com seus filhos, onde foi recebida pessoalmente pelo imperador Napoleão que a condecorou e lhe concedeu uma pensão militar.

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