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Pedro Álvares Cabral chega à costa do futuro Brasil

22 de abril de 1500

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Na manhã de 22 de abril de 1500, a armada comandada por Pedro Álvares Cabral, então com 32-33 anos, avistou um monte redondo, a que chamou de Pascoal por estar na semana da Páscoa. O território foi denominado ilha de Vera Cruz e, depois, Terra de Santa Cruz.

A armada saiu de Lisboa no dia 9 de março. No dia anterior, a tripulação tinha recebido uma despedida pública que incluiu uma missa e comemorações com a presença do rei, da corte e uma enorme multidão. Cabral, criado como membro da nobreza portuguesa, era fidalgo do Conselho do Rei e havia sido nomeado Cavaleiro da Ordem de Cristo. Era o chefe da expedição, mas levava consigo navegadores mais experientes entre eles Bartolomeu Dias, Diogo Dias e Nicolau Coelho.

A expedição era composta por 13 embarcações e cerca de 1.500 homens entre os quais, 700 eram soldados, embora a maioria fosse composta por gente comum sem nenhum treinamento militar.  Era a maior esquadra portuguesa enviada para navegar o Atlântico. Estima-se que tivesse mantimentos para cerca de 18 meses.

Como recompensa por liderar a frota, Cabral tinha direito a 10 mil cruzados (antiga moeda portuguesa equivalente a aproximadamente 35 kg de ouro) e a comprar 30 toneladas de pimenta, às suas próprias custas, para transportar de volta à Europa. A pimenta poderia então ser revendida à Coroa Portuguesa, livre de impostos. Ele também foi autorizado a importar 10 caixas de qualquer outro tipo de especiaria, livre de impostos. Embora a viagem fosse extremamente perigosa, Cabral tinha a perspectiva de se tornar um homem muito rico caso retornasse com segurança para Portugal com o carregamento. As especiarias eram raras na Europa de então e intensamente solicitadas.

Durante a viagem, uma primeira perda: no dia 23 de março, a nau comandanda por Vasco de Ataíde, com 150 homens, desapareceu sem deixar vestígios.  No dia 9 de abril, a frota cruzou a linha do Equador e, navegando rumo a oeste, afastou-se o mais possível do continente africano. No dia 21 de abril, os marujos avistaram algas-marinhas, o que os levou a acreditar que estavam próximos da costa. No dia seguinte, 22 de abril avistaram o monte que batizaram de Pascoal.

O litoral onde Cabral aportou, correspondendo hoje ao litoral da Bahia, era ocupado por duas nações indígenas do grupo linguístico tupi: os Tupinambás e os Tupiniquins. Mais para o interior, estavam os Aimorés.

Rota seguida por Cabral de Portugal para a Índia em 1500 (em vermelho) e a rota de retorno em (azul).

Navegadores anteriores a Cabral

Há evidências concretas de que espanhóis teriam chegado à costa norte do Brasil antes de Cabral. Em 26 de janeiro de 1500, a expedição do espanhol Vicente Yáñez Pinzón chegou ao Cabo de Santo Agostinho, litoral sul de Pernambuco. Seguindo para o norte, atingiu, em fevereiro, a foz do rio Amazonas, a qual denominou de Mar Dulce, de onde prosseguiu para as Guianas e, daí para o Mar do Caribe. Na foz do rio Amazonas, encontrou uma outra expedição espanhola liderada por Diego de Lepe. Não se pode, contudo, considerar Pinzón e Lepe como “descobridores” pois suas viagens não tiveram qualquer impacto duradouro, não influenciando em nada a história do que viria a ser o Brasil.

Outra teoria de possível conhecimento da terra antes de Cabral foi feita pelo historiador português Damião Peres (1889-1976). Baseou-se em uma interpretação do livro Esmeraldo de Situ Orbis (1506), do cosmógrafo português Duarte Pacheco Pereira, e que esteve perdido durante quase quatro séculos.  Trata-se de um dos primeiros manuscritos portugueses a mencionar a costa brasileira e a abundância de pau-brasil nela existente.

Segundo aquele historiador, Duarte Pacheco Pereira teria sido o “verdadeiro descobridor” do Brasil por ter estado entre novembro e dezembro de 1498, em algum ponto da costa entre o Maranhão e o Pará, e dali alcançado a foz do rio Amazonas e a ilha de Marajó. Teria vindo em missão secreta para reconhecer os territórios pertencentes a Portugal de acordo com o Tratado de Tordesilhas, de 1494.  A possível existência de uma política de sigilo dos monarcas portugueses não se sustenta, porém, uma vez que era prática comum, na ausência de um tratado, reclamar a soberania de uma terra anunciando publicamente a sua descoberta.

A polêmica da descoberta

Os termos “descobrimento” e “descoberta” dizem respeito ao processo de expansão marítima e comercial europeia, e desconsideram a existência prévia de povos indígenas no território, seus primeiros ocupantes. Os termos podem ser usados em referência aos navegadores que aqui chegaram antes de Cabral.

A data de 22 de abril simboliza a tomada de posse do território pelos portugueses e o início da sua exploração e posterior colonização. Essa data, contudo, permaneceu desconhecida até 1817 quando foi encontrada a Carta de Pero Vaz de Caminha entre os documentos trazidos pela Família Real ao Brasil, em 1808.

Até então, considerava-se o 3 de maio como data do descobrimento conforme indicado pelo historiador português Gaspar Correia. O 3 de maio continuou a ser a data oficial do descobrimento durante o Império e fazia parte dos feriados. Com a República, o 3 de maio foi reconhecido por decreto de 1890 e mantido como feriado alusivo ao descobrimento. Somente em 1930, por decreto de Getúlio Vargas, que se extinguiu o feriado de 3 de maio e foi instituído o dia 22 de abril como o Dia do Descobrimento do Brasil.

As descobertas de Cabral e até mesmo o local onde ele fora enterrado ficaram esquecidos por quase trezentos anos. Na década de 1840, D. Pedro II patrocinou pesquisas e publicações sobre a vida e a expedição de Cabral através do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro (IHGB). Isso fazia parte do ambicioso plano do Imperador para incentivar e reforçar um sentimento de nacionalismo no país, dando aos cidadãos uma identidade e história comuns. O interesse em Cabral havia ressurgido com a descoberta de seu túmulo, em 1839, pelo historiador brasileiro Francisco Adolfo de Varnhagen (mais tarde nomeado Visconde de Porto Seguro). O péssimo estado em que se encontrava o túmulo de Cabral quase provocou uma crise diplomática entre Brasil e Portugal.

Outra polêmica diz respeito à intencionalidade ou não da descoberta de Cabral. Por muito tempo, havia o consenso de que a descoberta tinha sido um acidente. Foi o imperador D. Pedro II, durante uma sessão do IHGB, em 1854, que levantou a questão perguntando aos pesquisadores se a descoberta poderia ter sido intencional. Desde então, vários estudiosos apoiram a ideia, tais como Varnhagen, Capistrano de Abreu e Pedro Calmon. A hipótese da intencionalidade baseia-se no conhecimento náutico dos portugueses e nas suspeitas anteriores da existência de terras no Atlântico Sul; não existem, contudo, provas irrefutáveis que a comprovem. Para o historiador Charles R. Boxer, o debate sobre se a descoberta foi intencional ou não é irrelevante.

Fonte

  • BOXER, Charles R. O império marítimo português 1415–1825. São Paulo: Companhia das Letras, 2002.
  • BUENO, Eduardo.  A viagem do descobrimento: a verdadeira história da expedição de Cabral. Rio de Janeiro: Objetiva, 1998.
  • CARVALHO, Frederico. O caso Pacheco Pereira. Afinal quem chegou primeiro ao Brasil, Pedro Álvares Cabral ou Duarte Pacheco Pereira? Público, entrevista, 14 out, 2012.
  • RAMOS, Fábio Pestana. Por mares nunca dantes navegados: a aventura dos Descobrimentos. São Paulo: Contexto, 2008.
  • SCHWARCZ, Lilia Moritz. As barbas do Imperador: D. Pedro II, um monarca nos trópicos. 2a. ed. São Paulo: Companhia das Letras, 1998.
  • SKIDMORE, Thomas E. Uma História do Brasil. 4a. ed. São Paulo: Paz e Terra, 2003.
  • VAINFAS, Ronaldo. Dicionário do Brasil colonial (1500–1808). Rio de Janeiro: Objetiva, 2001.

Saiba mais

Abertura

  • Nau de Pedro Álvares Cabral, Livro das Armadas, Academia das Ciências de Lisboa.

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