França ocupada pelos nazistas, II Guerra Mundial

22 de junho de 1940

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Em 22 de junho de 1940, o governo francês assinou um armistício com a Alemanha nazista que formalizou a ocupação da França pelas tropas alemãs. O armistício foi resultado das derrotas sofridas pelas  forças inglesas e francesas na Batalha da França (10 de maio de 1940) e em Dunquerque (4 de junho de 1940).  Nos quatro anos seguintes, a França ficou submetida ao regime de Adolf Hitler.

Nos termos do armistício, o norte e oeste da França, incluindo Paris, foram designados zona ocupada pelos alemães; o sul foi considerado zona livre onde o marechal Pétain organizou a “França de Vichy”. A Alsácia e Lorena foram reincorporadas à Alemanha e sua população masculina ficou sujeita ao recrutamento militar alemão.

Vários departamentos ao longo da fronteira italiana foram ocupados por tropas fascistas de Mussolini. Toda a costa atlântica foi declarada zona militar alemã e, portanto, fora dos limites para civis franceses.

A soberania francesa manteve-se por todo o território, incluindo a zona ocupada, que permaneceu sob a autoridade do governo francês liderado pelo governo do marechal Pétain que era, também, o chefe de Estado do regime de Vichy (assim chamado porque o governo estava em Vichy, cidade localizada na zona livre).

Na prática, contudo, a França estava submetida à Alemanha nazista. Como todos os países ocupados, a França sofreu pilhagem econômica, humana e territorial (anexação da Alsácia e Lorena). O regime de Vichy colaborou com o governo nazista na perseguição aos grupos de resistência e na deportação de judeus para a Alemanha e Polônia. No total, 75.000 judeus, ¼ da população judaica da França, foram mortos nos campos de extermínio nazistas.

Ocupação alemã na França

Evolução da ocupação alemã entre 1940 e 1944. Em vermelho, as áreas ocupadas pela a Alemanha, em verde pela Itália, em azul a zona livre.

A vida na França ocupada

A vida na França sob ocupação alemã caracterizou-se pela escassez e repressão. A produção do país ficou seriamente afetada com a falta de mão de obra (1 milhão e meio de trabalhadores franceses qualificados foram levados para trabalhar na Alemanha) e escassez de matérias-primas e fontes de energia (carvão, petróleo e eletricidade). Locomotivas, caminhões e cavalos de tração foram levados em grande número para a Alemanha.

O abastecimento das cidades desorganizou-se e foram introduzidos cartões de racionamento para se obter alimentos (pão, carne, peixe, açúcar, gordura, café etc.) e também produtos domésticos, roupas, tabaco, vinho etc. Cada pessoa foi classificada de acordo com suas necessidades energéticas, idade, sexo e atividade profissional recebendo, então, a ração relativa à sua categoria.

A fome prevaleceu principalmente na cidade e afetou os mais jovens. Aumentaram os roubos, o escambo bem como o mercado negro para adquirir alimentos sem cartão de abastecimento.

As tropas de ocupação somavam cerca de 40.000 homens (sem incluir as tropas baseadas na Muralha do Atlântico) e 7.000 forças policiais. A partir de 1942, à medida que a Resistência francesa aumentava, o efetivo militar alemão foi reforçado. Conforme estipulado no armistício de 1940, o custo da manutenção das tropas alemãs de ocupação era suportado pelo governo francês – o que elevou enormemente o custo de vida da população.

Para se deslocar da zona ocupada para a zona franca, os franceses deviam cruzar a linha de fronteira interna fortemente vigiada por soldados alemães, e apresentarem um Ausweis (carteira de identidade) ou um Passierschein (passe) para as autoridades de ocupação. Outra maneira, era entrar clandestinamente por meio da ajuda das muitas redes de resistência.

Jornais e rádios estavam sob controle do regime de Vichy que impunha a censura no noticiário. Uma intensa propaganda feita por meio de cartazes exaltava o “sacrifício” do soldado alemão para afastar a ameaça do comunismo na Europa e induzia os franceses a fazerem o mesmo trabalhando voluntariamente.

Nas escolas, o retrato do marechal Pétain estava em todas as salas e as crianças o saudavam com a frase “Marechal, aqui estamos nós!”, criando assim um culto da personalidade na pessoa do marechal.

Cartazes de propaganda nazista

Cartazes de propaganda nazista fixados na França: à esquerda, “Povo abandonado, confie no soldado alemão!”; no centro, “Eles dão o seu sangue. Dê o seu trabalho para salvar a Europa do bolchevismo”; à direita, “O complô judeu contra a Europa” em alusão à suposta conspiração entre judeus e comunistas para dominar a Europa.

A ocupação total e a libertação final

Em 1942, quando os aliados invadiram o norte da África francesa, os alemães e os italianos ocuparam a parte restante da França. O país é, então, totalmente ocupado, na região dos Alpes pela Itália fascista e em todo o resto da França pela Alemanha nazista.

A ocupação da França manteve-se até dezembro de 1944. A libertação do país começou em 6 de junho de 1944 com o desembarque das forças aliadas no Dia D e a Batalha da Normandia, e terminou em dezembro daquele ano. Paris foi libertada em 25 de agosto de 1944.

Com cerca de 75.000 civis mortos e alvo de 550.000 toneladas de bombas, a França foi, depois Alemanha, o segundo país da frente ocidental  que mais danos sofreu na Segunda Guerra Mundial. Os bombardeios aliados foram particularmente intensos antes e durante a operação de libertação da França, em 1944.

Fonte

  • MAZOWER, Mark. O império de Hitler: a Europa sob o domínio nazista. São Paulo: Companhia das Letras, 2013.

Saiba mais

Abertura

  • Hitler (na frente, o segundo da direita para esquerda) e oficiais nazistas passeando em frente à torre Eiffel em Paris, 23 de junho de 1940.

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