Na madrugada de 13 de agosto de 1961, teve início a construção do Muro de Berlim, erguido pela República Democrática Alemã (Alemanha Oriental ou Alemanha Socialista). A cidade foi dividida em duas partes praticamente intransponíveis – o lado ocidental, , sob domínio das potências capitalistas, e o lado oriental, sob domínio soviético. Durante os vinte e oito anos de sua existência (1961 a 1989), a população foi impedida de circular de um lado para outro.
Além do muro de pedras de 160 km de extensão, havia 66,5 km de gradeamento metálico, 302 torres de observação, 127 redes metálicas eletrificadas com alarme e 255 pistas de corrida para cães de guarda. O muro era patrulhado por militares da Alemanha Oriental Socialista com ordens de atirar para matar quem tentasse atravessá-lo. Oficialmente, 80 pessoas morreram nessa tentativa durante a existência do muro (1961 a 1989).
Havia oito passagens de fronteira entre Berlim Oriental e Ocidental, o que permitia o trânsito de pessoas desde que possuíssem as permissões necessárias. Quatro rodovias ligavam Berlim Ocidental à Alemanha Ocidental, bem como quatro linhas de trem além de acesso por barco através dos canais e rios.
Vivia-se, então, em plena Guerra Fria com o mundo polarizado pelos Estados Unidos e União Soviética.A Alemanha, conforme os acordos da Conferência de Yalta, foi dividida em quatro zonas de ocupação pelos vencedores: Estados Unidos, Reino Unido, França e União Soviética. A República Federal da Alemanha (ocidental) desenvolveu-se como um país capitalista com uma economia de mercado e uma democracia parlamentar. A República Democrática Alemã (oriental) teve suas propriedades privadas e indústrias nacionalizadas e adotou o regime comunista. Berlim foi declarada capital da Alemanha Oriental.
Nos primeiros anos, as linhas de fronteira entre as duas Alemanhas foram marcadas por pilares de madeira amarelos e sinalizações de cores nas árvores. Com o recrudescimento das tensões que marcaram a Guerra Fria, as fronteiras foram crescentemente fortificadas.
Em 1952, a Alemanha Oriental ergueu cercas com dispositivos de alarme, abriu “faixas protetoras” de 500 metros de largura e intensificou o policiamento para prender suspeitos de fugas. Mesmo assim, antes de 1961, calcula-se que cerca de 3,5 milhões de pessoas fugiram da zona de ocupação soviética para o lado ocidental.
A decisão de construir o muro foi mantida como segredo de Estado praticamente até o início das obras, em 13 de agosto de 1961. Paralelamente às obras, as casas e lojas junto à fronteira foram fechadas com tijolos e concreto, e também todas as estações de metrô e trem por onde passavam os trens vindos do lado ocidental. A propaganda da Alemanha Oriental justificou o muro e toda a segurança militar na fronteira como “proteção contra a fuga de cérebros, subversão, espionagem, sabotagem, contrabando, venda e agressão do Ocidente”. Mesmo assim, entre 13 de agosto de 1961 e 9 de novembro de 1989, houve 5.075 fugas bem-sucedidas para Berlim Ocidental.
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Abertura
- Muro de Berlim em construção, agosto de 1961.