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Batalha de Queroneia e o fim das cidades-Estado gregas

02 de agosto de 338 a.C

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Em 2 de agosto de 338 a.C., uma aliança grega liderada por Atenas e Tebas enfrentou o exército macedônico na planície de Queroneia, uma região da Grécia central. O exército de Filipe II, rei da Macedônia, contava com cerca de 25 mil soldados e 5 mil cavaleiros, enquanto os gregos tinham maior vantagem numérica com 35 mil guerreiros. A derrota grega significou o fim da independência das cidades-Estado gregas e o declínio da democracia ateniense.

Breve retrospectiva: a Idade de Ouro de Atenas

Um século antes, Atenas, sob o governo de Péricles (c. 460 a 429 a.C.), dominava o mundo grego exercendo sua hegemonia através da Liga de Delos. Foi a Idade de Ouro de Atenas que, desde o século anterior já ocupava uma posição de proeminência no Mediterrâneo.

A democracia, depois das reformas de Clístenes, em 507 a.C., estabilizou-se por dois séculos, garantindo aos cidadãos atenienses a participação no governo por meio da assembleia, conselho, tribunais judiciários, administração da cidade e comando militar. Os cidadãos recebiam, até mesmo, uma compensação monetária para participarem da vida pública. Apesar de seu caráter excludente (mulheres, estrangeiros e escravos não participavam da vida política), a democracia ateniense foi o exemplo mais clássico do mundo antigo.

Péricles foi um dos grandes nomes da democracia ateniense; daí o século V a.C. ser também chamado de “o século de Péricles”.

Atenas era uma cidade rica graças à exportação de seu azeite e cerâmica de luxo. A descoberta de minas de prata no início do século V a.C. impulsionou ainda mais sua economia e financiou a marinha de guerra ateniense. Em meados daquele século, Atenas apropriou-se do tesouro da Liga de Delos utilizando-o para distribuir benefícios aos seus cidadãos e embelezar a cidade com templos magníficos como o Partenon, o grande templo a Atena, na acrópole.

Nem a derrota final de Atenas na Guerra do Peloponeso (431-404 a.C.) abalou a cidade. Atenas permaneceu uma cidade democrática e fortaleceu as instituições do Estado por meio de diversas reformas.

No século IV a.C., contudo esse cenário mudou. Conflitos internos, disputas entre cidades e as sucessivas hegemonias entre os gregos – de Esparta, Tebas e Coríntio – desorganizaram e enfraqueceram as cidades. Isso deu oportunidade do pequeno reino da Macedônia se fortalecer.

O reino da Macedônia

Localizada a nordeste da Grécia, a Macedônia era habitada por lavradores e pastores aparentados dos gregos, mas por estes desprezados como um povo bárbaro. A relação com as cidades gregas foi instável: na Guerra do Peloponeso, a Macedônia aliou-se à Atenas, mas depois se uniu a Esparta, e novamente firmou uma nova aliança com Atenas.

Sob o reinado de Filipe II (359 a 336 a.C.), a Macedônia fortaleceu-se. Filipe II empenhou-se em formar um poderoso exército com o qual expandiu seus domínios vencendo diversos estados tribais que foram incorporados como súditos do reino macedônico.

Os melhores guerreiros foram recrutados para o exército real e treinados intensamente. Em poucos anos, a Macedônia passou de 600 cavaleiros e 10 mil soldados em 358 a.C., para 2.800 cavaleiros e 27 mil soldados em 336 a.C.

Filipe recorreu, também, a casamentos para impor alianças sobre os povos dominados. Entre as quatro mulheres que desposou está Olímpia, mãe de Alexandre, o Grande (356-323 a.C.).

Demóstenes contra Filipe II

Em relação às cidades gregas. Filipe II adotou uma política dúbia e dissimulada: conquistou algumas, fez acordos de paz com outras (sempre rompidos e refeitos conforme o interesse imediato), cooptou cidadãos gregos influentes para defende-lo nas assembleias da pólis, e aliou-se a algumas cidades gregas, como Tebas e, em alguns momentos, até mesmo Atenas.

O crescente poder militar da Macedônia chamou a atenção do político ateniense Demóstenes, que se esforçou para abrir os olhos dos cidadãos de Atenas para o perigo macedônio. Escreveu inúmeros discursos contra Filipe II da Macedônia que ficaram conhecidos como Filípicas. Demóstenes pretendia convencer os atenienses a reunirem forças contra a Macedônia antes que fosse tarde demais.

Em seus discursos, Demóstenes conclamava os gregos a desconfiarem do rei da Macedônia, a não acreditarem nas falsas promessas de paz que escondiam suas intenções de apoderar-se de riquezas, territórios, cidades e seus navios mercantes.

“Observai pois, Atenienses, a que ponto chegou a insolência do homem [Filipe II], que não nos dá escolha de agir ou de ficar na quietude. Pelo contrário, ameaça e profere palavras arrogantes, e não é capaz de parar no que subjugou, mas sempre estende mais alguma coisa ao seu território e cerca-nos com armadilhas por todo o lado, enquanto permanecemos quietos.

Ora quando, Atenienses, quando é que realizareis aquilo que é preciso? Quando acontecer algo? Até que, por Zeus, haja alguma necessidade?

(…) Na verdade, Filipe não cresceu tanto graças à sua própria força, quanto devido à nossa negligência.

Primeira Filípica (351 a.C.), parágrafos 9-11.

Batalha de Queroneia

Os gregos não deram ouvidos aos discursos de Demóstenes e nem estes conseguiram deter os macedônios. Contudo, quando a guerra estourou os argumentos do orador ateniense convenceram os gregos a deixarem de lado seus conflitos e se unirem contra as forças macedônias.

Filipe II levou para a guerra seu filho Alexandre que, mesmo jovem (com 18 anos de idade) comandou as tropas montadas. Foi sua primeira participação militar.

O confronto ocorreu na Batalha de Queroneia, em 2 de agosto de 338 a.C. Os gregos foram esmagados: perderam cerca de 2 mil homens e tiveram 4 mil capturados, enquanto os macedônios tiveram apenas algumas dezenas de mortes.

Os atenienses derrotados foram tratados com consideração pois Filipe II estava interessado no apoio da cidade para a guerra planejada contra o Império Persa. Atenas não foi ocupada, pode manter o que restou da Liga de Delos e conservou seu governo democrático (que só foi abolido em 322 a.C.). Mas,  a cidade perdeu sua independência, tendo que se submeter, como o resto da Grécia, à Macedônia.

Já Tebas foi punida com a ocupação militar e teve seus líderes executados ou exilados. Os prisioneiros tebanos foram vendidos como escravos. A cidade passou a ser governada por uma oligarquia de 300 homens de confiança do rei da Macedônia. Três anos depois, a cidade foi destruída pelas tropas de Alexandre.

Em 336 a.C., Filipe II foi assassinado por um de seus homens. Alexandre, com 20 anos, assume o trono e dá sequência ao projeto expansionista do pai derrotando os persas e levando os domínios macedônios para a Ásia e o Egito.

Reino da Macedônia

Reino da Macedônia à época da morte de Filipe II, em 336 a.C.

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