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Grandes Sociedades da África pré-colonial

9 de junho de 2023

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A história da África é marcada por uma enorme variedade de sistemas políticos e formações sociais. Um dos primeiros exemplos de formação de Estado na história da humanidade foi o Egito, no IV milênio a.C. O Egito, contudo, não serve de referência para a maior parte da história pré-colonial da África. Nas sociedades africanas, questões como Estado, o exercício do poder, a natureza dos regimes políticos, a relação entre governantes e governados não correspondem aos modelos conceituais adotados no ocidente pelos pesquisadores.

Organização política e social da África pré-colonial

Grande parte do povo africano viveu em sociedades sem organização estatal, nas quais as pessoas estavam unidas por laços de parentesco e onde a autoridade do chefe era exercida por uma família de prestígio. Em outras sociedades, porém, o governo era mais uma questão de consenso entre toda a população adulta do que o governo de uma pequena elite.

Alberto da Costa e Silva cita alguns exemplos:

“Havia povos, como os ibos (ou igbos) que não possuíam reis, nem chefes permanentes, nem o que chamamos de estados. A unidade social era a aldeia ou um pequeno agrupamento de aldeias, onde as decisões eram tomadas por um conselho dos chefes de famílias que ali viviam. (…)

A maioria das sociedades africanas era altamente hierarquizada. Nobres, plebeus, estrangeiros, escravos, homens e mulheres, cada qual conhecia o seu lugar – nele ficavam desde o nascimento e, em muitos povos, até após a morte, pois de acordo com suas crenças, o morto, se era aristocrata, continuava, no além, aristocrata, e o escravo, escravo.

Mas havia também sociedades que se regiam pelo mérito, nas quais o poder do sangue se restringia às estirpes reais, e tanto um plebeu quanto um escravo podiam ascender às mais altas funções do estado, à fama e à opulência.

Em outras, era a riqueza que determinava a posição social de cada indvíduo. Em outras, ainda, não havia diferença, só se distinguindo dos demais os idosos que formavam o conselho dos anciãos e, em caso de guerra, momentaneamente, nomeavam aqueles tidos por mais capazes para conduzir a luta” (COSTA E SILVA, 2008).

Existiram, também, sociedades em que determinados fatores – produção de excedente, ameaças externas, pressão demográfica, organização do comércio em escala – estimularam a fomação de um Estado mantido com recurso à coerção, poder centralizado, exército organizado e território delimitado.

O historiador José Rivair Macedo, resume a questão apontando os seguintes elementos constitutivos dos estados africanos:

  • Eram Estados sem unidade territorial, de modo que poder e influência dependiam da extensão da autoridade pessoal dos governantes, mediante alianças, negociações e conquistas militares.
  • Eram Estados de tipo monárquico, governados por linhagens cuja forma de sucessão oscilava entre o princípio matrilinear e patrilinear.
  • Eram Estados tributários, com servidores palacianos e exércitos mantidos com recursos provenientes de impostos cobrados aos povos conquistados
  • Eram Estados multiétnicos e multiculturais, influenciados pelo modelo social islâmico, mas estruturados nos costumes e rituais tradicioanais.

 Selecionamos 15 grandes sociedades africanas incluindo o ainda desconhecido País de Punte. Essas sociedades se organizaram de diferentes maneiras: impérios, reinos, cidades-estados, chefaturas etc. Seguimos a denominação usada pelos autores consultados.

CONTEÚDO

  1. Antigo Egito (3200 a.C.- 30 d.C.)
  2. Reino de Punte
  3. Reino de Kush /Cuxe (2000 a.C.-350 d.C.)
  4. Cartago (814 a.C.-146 a.C.)
  5. Cultura Nok (900 a.C.-200 d.C.)
  6. Império Axum / Aksum (séc. I d.C-VIII)
  7. Império de Gana (séc. IV-XIII)
  8. Império Mali (séc. XIII-XVI)
  9. Império Songhai (séc. XV-XVI)
  10. Benim (séc. XII- XIX)
  11. Confederação Axante / Ashanti (séc. XVII-XIX)
  12. Reino de Daomé / Abomé (séc. XVII-XIX)
  13. Reino do Congo (séc. XV-XVII)
  14. Grande Zimbábue (séc. IX-XV)
  15. Reino de Monomopata (séc. XV-XVIII)
  16. Linha do tempo das Grandes Sociedades da África pré-colonial

1. Antigo Egito (3200 a.C.-30 d.C)

O Egito Antigo é mais conhecida e longeva civilização africana. Prosperou às margens do rio Nilo onde, por volta de 3200 a.C. as inúmeras comunidades aldeãs foram unificadas e controladas por um Estado de caráter teocrático centralizado na figura do faraó.

O faraó era considerado a personificação viva de Rá, o deus-Sol sendo, portanto, divinizado. Os principais testemunhos da grandeza egípcia são as pirâmides, os templos, os obeliscos, as estátuas colossais de deuses e faraós, as pinturas e relevos. Mas, outras criações também foram importantes como os conhecimentos astronômicos, médicos e matemáticos, os sistemas de escrita  (hieroglífica, demótica e hierática), os canais de irrigados pelo shaduf, a produção do papiro para escrita etc.

Conquistou outros povos e, mesmo sob domínio estrangeiro (assírios, macedônios e romanos), o Egito manteve sua identidade cultural que chegou a ser absorvida pelos conquistadores. É a única civilização antiga africana que levou ao desenvolvimento de seu próprio campo de estudo: a Egiptologia

2. Reino de Punte

Os egípcios consideravam Punte a “Terra dos Deuses” e realizaram muitas expedições até esse país, porém, nunca registraram a sua localização.

Reino de Punte ou País de Punte era o nome que os antigos egípcios davam a uma região na África Oriental cuja localização não foi até hoje identificada. Segundo os pesquisadores, poderia estar situado em algum lugar ao longo do Mar Vermelho, em território das atuais Somália, Etiópia ou Eritreia.

Punte era considerada pelos egípcios a “Terra dos Deuses” (Ta Netjer). Desde o III Milênio, os faraós realizaram expedições comerciais a Punte para importar marfim, ouro, mirra, ébano, prata, resinas aromáticas, plumas e animais exóticos como leopardos e macacos babuínos. Os egípcios, porém, nunca registraram exatamente onde Punte estava localizado e nenhum vestígio arqueológico foi identificado até hoje.

A expedição mais famosa foi empreendida pela rainha Hatshepsut (século XV a.C.), sob a liderança de Nehesis, o tesoureiro real, para adquirir mirra, cedro e outros produtos. Um relato desta jornada foi preservado nos relevos esculpidos no templo funerário de Hatshepsut. Neles pode-se ver as casas sobre palafitas da terra de Punte, babuínos e navios.

3. Reino de Kush /Cuxe (2000 a.C.- 350 d.C.)

Quase tudo o que se sabe sobre Kush vem de registros egípcios onde a palavra Kush aparece, pela primeira vez, em 2000 a.C. para chamar um reino ao sul, em território do atual Sudão. O esplendor Cuxe teria sido alcançado no século XVIII a.C.

A riqueza de Cuxe vinha de seu lucrativo comércio de marfim, incenso, ferro e ouro realizado com o Egito. A elite cuxita adotou a escrita hieroglífica, a construção de pirâmides, a religião egípcia e os cultos a Ísis, Osíris e Amon.

Por volta de 1550 a.C., Tutmés III conquistou Kush e o reino foi mantido incorporado ao Império egípcio por cinco séculos. Aprofundou-se ainda mais o processo de assimilação cultural. O Egito, por sua vez, beneficiou-se com grande quantidade de ouro, cornalina, cobre, obsidiana, turquesa, ametista entre outros produtos provenientes de Kush. Recebeu também um contingente de homens como trabalhadores braçais, funcionários e soldados a serviço do faraó.

Governantes de Kush adotaram a religião, a escrita e os costumes egípcios. Reconstituição artística de Gregory Manchess.

Entre 750 a.C. e 660 a.C., Kush governou o Egito: foi a dinastia dos “faraós negros” (25ª Dinastia). Após essa data, os cuxitas retornaram para o sul, instalando a sede do governo inicialmente na cidade de Napata e depois em Méroe (500 a.C. a 350 d.C.)

O período meroíta foi de esplendor e prosperidade. Méroe tornou-se um centro comercial onde circulavam mercadores gregos, romanos, egípcios, persas, indianos, sírios e árabes. Rotas comerciais ligavam o oceano Índico ao mar Vermelho e o rio Nilo ao mar Mediterrâneo.

O governo de Méroe era exercido pelo casal real. A esposa do governante meroíta, chamada kdke – traduzido por kandake ou candace – exercia forte liderança no governo. Muitas governaram sozinhas e comandaram exércitos. A candace Amanirena é a rainha meroíta mais famosa por sua liderança do exército cuxita contra os romanos, em uma guerra que durou três anos (25-22 a.C.). A vitória meroíta interrompeu a expansão de Roma para o sul da África.

As pirâmides de Méroe, no atual Sudão, são testemunhos do Reino de Kush.

4. Cartago (814 a.C.-146 a.C.)

Cartago foi fundada pelos fenícios em 814 a.C., no norte da África, onde hoje é a Tunísia. Foi o centro comercial mais importante do Mediterrâneo antigo e, nos séculos IV e III a.C., uma das cidades mais ricas do mundo clássico.

Com uma população de quase 500.000 habitantes, Cartago foi a capital de uma república marítima muito poderosa. No século IV a.C. tornou-se potência dominante no Mediterrâneo ocidental. Criou colônias na Sicília, Sardenha, Córsega e na Península Ibérica, além de controlar territórios no norte da África (Mauritânia e Numídia). Enviou navegadores ao Atlântico Norte em busca de matérias-primas, em especial minérios (prata, estanho, cobre e ouro).

Comercializava têxteis, minérios e a famosa púrpura extraída de um molusco. Seus tecidos tingidos com púrpura eram objetos de luxo e sinal de requinte entre a aristocracia romana e grega. Segundo Heródoto,  os cartagineses também buscaram ouro na costa da África Ocidental. Em uma estela votiva, ficou registrada a expedição do navegador cartaginês Hannon à costa atlântica da África e a descrição das selvas tropicais, de grandes rios, elefantes, crocodilos, hipopótamos e de africanos negros que ele chamou de etíopes.

Itinerário do Périplo de Hannon, navegador cartaginês que explorou a costa ocidental da África no século V a.C.

O império marítimo cartaginês só foi possível graças à frota numerosa, construção naval superior e marinheiros bem treinados. A cidade possuía dois grandes portos artificiais, protegidos por muralhas e torres: um para abrigar a enorme frota de 220 navios de guerra da cidade e o outro para o comércio mercantil que podia comportar 300 trirremes.

Reconstituição artística de Cartago. O porto circular na frente era destinado aos navios de guerra cartagineses. A faixa litorânea da cidade era rodeada por muralhas.

Extensão do império marítimo cartaginês (em azul escuro) no século IV a.C.

Cartago possuía um sistema de governo centrado em duas pessoas chamadas sufetes eleitos anualmente. O poder dos sufetes não era absoluto, eles atuavam como juízes compartilhando suas decisões com o Senado e outras instituições reservadas às famílias ricas mais influentes.

Os cartagineses lutaram contra a República Romana em guerras frequentes conhecidas como Guerras Púnicas que se estenderam por mais de 120 anos. A última delas, a Terceira Guerra Púnica, em 146 a.C.,  foram derrotados. Os romanos destruíram Cartago e proibiram que o local fosse habitado. Somente cem anos depois, Júlio César ao visitar o local, decidiu que ali deveria ser construída uma cidade devido à sua excelente posição estratégica.

5. Cultura Nok (900 a.C.-200 d.C.)

A cultura Nok floresceu no território da atual Nigéria por volta de 900 a.C. É a sociedade mais antiga conhecida da África Ocidental. Recebeu esse nome pois os primeiros sítios arqueológicos foram escavados na moderna cidade nigeriana de Nok. A cultura se destaca por suas esculturas únicas e o trabalho em ferro.

A cultura Nok floresceu no território da atual Nigéria por volta de 900 a.C.

As esculturas em terracota são de cabeças humanas, figuras humanas sentadas e animais. As figuras humanas caracterizam-se por olhos ovais ou triangulares, pupilas, narinas e boca marcadas por um furo e cabelos presos em um coque.

Esculturas Nok foram encontradas em uma área de mais de 78.000 km2, mas toda argila veio de uma mesma fonte o que sugere que a cultura tinha uma organização centralizada e estava em expansão. Nok mantinha ligações comerciais com Cartago, através do Saara e também com Méroe na África oriental.

As esculturas Nok de figuras humanas caracterizam-se por olhos ovais ou triangulares, pupilas, narinas e boca marcadas por um furo e cabelos presos em um coque.

O povo de Nok conhecia a tecnologia do ferro e foram encontrados em uma única região 13 fornos de fundição de ferro. Fabricavam pontas de lanças, flechas, ferramentas agrícolas, pulseiras para braços e tornozelos. É uma das poucas sociedades do mundo que fizeram a transição de ferramentas de pedra diretamente para ferramentas de ferro sem primeiro aprender a metalurgia do cobre ou bronze.

A cultura Nok foi responsável pela difusão do ferro para o leste e o sul da África. Para alguns pesquisadores, Nok teria sido o centro de origem dos iorubás que, mais tarde, fundaram as cidades de Ifé, Oyó e Benim.

Os estudos sobre a cultura Nok têm sido prejudicados pelas frequentes escavações ilegais para o contrabando de peças destinado a colecionadores particulares na Europa e nos Estados Unidos.

7. Império Axum / Aksum (séc. I d.C.-VIII d.C.)

A cidade de Axum foi fundada por volta de 100 d.C. ao norte da atual Etiópia por sabeus vindos do sul da Arábia. Expandiu-se desde então e, no século IV, atingiu seu apogeu tornando-se um dos estados mais poderosos da região entre o Império Romano do Oriente e a Pérsia. Controlava o sul do Egito e parte da Arábia até o Iêmen.

Quando Axum surgiu, no século I d.C., o Egito estava sob domínio do Império Romano, e Kush havia detido a expansão romana e consolidava-se como um grande centro comercial. Logo Axum assumiu essa posição tornando-se centro do comércio marítimo para o Oriente (via oceano Índico) e para o Mediterrâneo (via mar Vermelho e rio Nilo).

Seu porto de Adúlis era um dos mais importantes portos do mar Vermelho, centro de um comércio marítimo intenso com rotas que chegavam até a Índia e o Ceilão. Em Adúlis chegavam algodão e linho do Egito, musseline da Índia, vidros, barras de cobre, machados, adagas, copos de bronze, objetos de ouro e prata, azeite, vinho da Síria e da Itália.  Dai saíam marfim, carapaças de tartaruga, chifres de rinoceronte.

Os axumitas desenvolveram sua própria escrita conhecida como Ge’ez (ainda hoje usada pela Igreja Ortodoxa Etíope). Cunhavam sua própria moeda (de ouro, prata e bronze), que circulou entre os séculos III e VII.

Em honra aos seus soberanos, os axumistas ergueram enormes obeliscos de pedra. Essa prática durou até cerca de 330 d.C. e terminou na época do rei Ezana, que se converteu ao cristianismo por um monge sírio. Sob o rei Ezana, Axum foi o segundo estado, depois da Armênia, a adotar o cristianismo como religião oficial, e o primeiro a usar a imagem da cruz em suas moedas. A partir dessa época, os reis cristãos de Axum construíram palácios e igrejas.

As estelas ou obeliscos de Axum foram erguidas para glorificar os reis axumitas. O costume cessou quando o reino adotou o cristianismo.

Segundo a tradição religiosa da Igreja Ortodoxa Etíope, foi de Axum que partiu Maqueda, a rainha de Sabá, para visitar o rei Salomão em Jerusalém. Da união entre ambos nasceu Menelique I, que após visitar o pai trouxe à Etiópia a Arca da Aliança, que até hoje estaria numa capela da Igreja de Santa Maria de Sião, em Axum.

7. Império de Gana (séc. IV a XIII)

Gana, fundada pelo povo soninquê, foi o primeiro  grande reino do Sahel (região africana entre o deserto e as savanas). Ocupava partes dos atuais territórios de Mali e Mauritânia, no oeste da África. O nome vem  de ghana, como era chamado seu governante.

Gana foi o primeiro grande reino do Sahel (região africana entre o deserto e as savanas). Ocupava partes dos atuais territórios de Mali e Mauritânia, no oeste da África. Sua capital era Cumbi-Salé.

A soberania do ghana exercia-se sobre os homens e não sobre a terra. Seu título não se fundava na soberania territorial e é possível que o estado nem tivesse nome, sendo conhecido como os “domínios do ghana”.

O monarca não estava interessado em ampliar seu poder conquistando novos territórios, mas em submeter número crescente de cidades e aldeias que lhes pagassem tributo e pudessem fornecer soldados para a guerra, servidores para a corte, lavradores para os campos reais.

Gana ficou conhecido como “o país do ouro” que era extraído das ricas jazidas do reino. Al-Bakri  e Al-Idrisi, viajantes e geógrafos hispano-muçulmanos que estiveram em Gana, respectivamente nos séculos X e XII, deixaram relatos sobre o fausto e esplendor dos governantes de Gana. Afirmam que no palácio havia um bloco de ouro que pesava 30 libras, isto é, o equivalente a cerca de 13,5 quilos!

O ouro em pó e em pepita, juntamente com o marfim e os escravos, eram negociados com os nômades das rotas transaarianas em troca de ferro, cobre, tecidos, cavalos, sal e artigos de luxo. Entre os séculos VII e XI, Gana foi a maior potência econômica e militar da África ocidental. Uma de suas cidades, Audagoste, já foi a maior cidade ao sul de Saara, com cerca de 20.000 habitantes.

 *O atual país Gana não tem nenhuma relação geográfica nem étnica com o antigo reino de Gana. O antigo reino ficava a mais de 600 km a noroeste da atual Ganam na área que hoje compreende o Mali e a Mauritânia.

8. Império Mali (séc. XIII-XVI)

O Império Mali foi fundado por Sundiata Keita, “o príncipe leão”, herói do povo mandinga. Liderando numerosos guerreiros, ele submeteu diversos povos além dos mandingas, como os soniquês, fulas, dogons, sossos e bozos. A Batalha de Quirina (1235) marcou a fundação do Estado unificado de Mali formado por diversos povos aparentados que viviam na região entre o rio Senegal e o rio Níger e sob a predominância dos mandingas (ou malinquês ou mandes).

Sundiata Keita foi o primeiro mansa (soberano) do Império Mali. O mansa era o líder supremo, o executor das decisões coletivas, o aplicador da justiça e o representante máximo dos costumes ancestrais. Apesar da conversão ao Islã, os ritos e cultos tradicionais politeístas foram mantidos no Mali. Na corte malinense havia espaço para os eruditos muçulmanos e os estudos do Alcorão, e espaço para os griôs, os conhecedores e transmissores dos costumes seculares.

Isso pode ter contribuído para a consolidação do império. Segundo Macedo, outros fatores da hegemonia do Mali foram:

  • Militar: controle de um poderoso exército composto por arqueiros, lanceiros e cavaleiros.
  • Econômico: controle das áreas de extração do ouro o que garantiu ao Mali a posição de destaque na circulação das caravanas transaarianas.
  • Político: criação e manutenção de uma estrutura administrativa eficiente, com funcionários e homens da lei nas áreas de domínio mandinga.

O império abrangia os antigos domínios de Gana, estendendo-se até o litoral africano. Tinha poderosas cidades como Tombuctu, Djené e Gao.

O império abrangia os antigos domínios de Gana, estendendo-se até o litoral africano. Tinha poderosas cidades como  Tombuctu, Djené e Gao. A universidade Sankoré de Tombuctu tinha uma biblioteca com mais de 700.000 manuscritos.

A riqueza de Mali vinha do controle do comércio de sal, cobre e noz-de-cola, e principalmetne das fabulosas minas de ouro. Mantinha laços econômicos com a Tripolitânia (região da Líbia) e com o Egito).

Exemplo da riqueza do império ficou registrada quando da viagem do mansa Kanku Mussa (1307-1332) a Meca, cidade sagrada do Islã e obrigação de todo muçulmano visitar. Conta-se que Kanku Mussa (ou Mansa Musa, Kankou Musa, Kankan Musa) viajou com mais de 60 mil homens entre civis, soldados e escravos, levando 10 a 12 toneladas de ouro. Ao parar no Cairo, ele decidiu fazer uma doação em ouro à cidade. A quantidade foi tamanha que provocou uma crise inflacionária no Egito que levou 12 anos para ser contida.

Kanku Musa, imperador do Mali segurando uma bola de ouro. Sua viagem a Meca marcou, por anos, a imaginação dos povos muçulmanos e também dos europeus como mostra esse detalhe do Atlas Catalão, de Abraão Cresques, 1375.

9. Império Songhai (séc. XV-XVI)

Segundo narram os griôs, os songhais estavam sob o domínio de Mali quando o chefe songhai Ali Ber (1464-1493) rebelou-se, libertou seu povo e liderou-o para tomar Tombuctu e Djené – importantes cidades muçulmanas e portas de entrada do comércio transaariano. Ali  tomou para si o título de soni , fundou uma nova dinastia e o Império Songhai.

Soni Ali conquistou parte do antigo  Império do Mali e outros povos estendendo os domínios songhai a um vasto território que correspondia aos atuais Mali, Níger, Senegal, Guiné, Gâmbia e Burkina Faso.

Soni Ali, o chefe songhai, destacou-se como um dos grandes reis guerreiros da História. Desenho de Leo Dillon.

O Império Songhai ocupava um vasto território de 1,4 milhão de km² que correspondia aos atuais Mali, Níger, Senegal, Guiné, Gâmbia e Burkina Faso.

O Império Songhai ganhou sua riqueza através do comércio de ouro, noz-de-cola, sal e escravos. O mercado de Gao era famoso e ali se vendiam escravos para os canaviais do Marrocos, para as lavouras da Sicília e para o serviço doméstico no Egito, Turquia e nas cidades italianas de Gênova, Veneza e Nápoles.

Em 1493, Askia Mohammed, o Grande, fundou a dinastia Askia (1493-1591) e expandiu ainda mais o império Songhai. Ocorreu uma grande prosperidade cultural e o império se tornou um centro de pesquisa e comércio especialmente em Tombuctu, a mais brilhante cidade do Império Songhai.

10. Benim (séc. XII-XIX)

Benin foi um cidade-estado de população edo, povo aparentado dos iorubás, estabelecida em uma área que hoje faz parte da Nigéria. É chamada, também, de Reino Edo. A cidade foi fundada no século XII por um príncipe iorubá vindo de Ifé, a cidade sagrada, que pôs fim ao estado de anarquia em que os edos se encontravam.

Nos séculos seguintes, Benim destacou-se como um dos maiores centros mercantis da região do Golfo da Guiné e importante centro fornecedor de escravos para a América.

O Estado monárquico de Benim era governado pelo oba, chefe militar e religioso considerado com poderes divinos. Vivia em um enorme palácio decorado com imponentes esculturas de bronze. Os chamados “bronzes de Benim” – cabeças de reis e rainhas, relevos de guerreiros etc. – são, hoje, as peças mais conhecidas e admiradas dessa sociedade.

Benim possuía ruas espaçosas, com cerca de 37 metros de largura, que irradiavam a partir do centro onde ficava o palácio do oba. Um sistema de drenagem subterrânea canalizava as águas pluviais para longe da cidade. A cidade formava um mosaico geométrico com áreas contendo, cada uma , casas, oficinas, pátios e edifícios públicos.

Os europeus que chegaram a Benim deixaram relatos sobre a cidade, sempre com expressões de surpresa e admiração.

O grande Benin, onde reside o rei, é maior que Lisboa; todas as ruas correm retas e a perder de vista”, escreveu o capitão de navio português Lourenço Pinto em 1691. Ele acrescentou: “As casas são grandes, especialmente a do rei, ricamente decorada e com belas colunas. A cidade é rica e trabalhadora. É tão bem governado que o roubo é desconhecido e as pessoas vivem com tanta segurança que não têm portas em suas casas”.

Situada em um planície, Benim era protegida por valas profundas e possantes muralhas. A terra retirada na escavação do fosso foi usada para formar a muralha externa. De acordo com o Guinness Book of Records (edição de 1974) as muralhas de Benin foram as “maiores obras de terraplanagem do mundo realizadas antes da era industrial”. Estendiam-se por cerca de 16.000 km ao todo, em um mosaico de mais de 500 assentamentos interconectados.

Reconstituição artística do fosso e muralha que protegia a cidade de Benim.

Reconstituição artística mostrando o oba de Benim e, ao fundo, a cidade de Benim.

Os primeiros portugueses chegaram a Benim entre 1471 e 1475 quando Benim estava no auge de seu poder. A relação entre Portugal e Benin era tão cordial que oba Esigie teria enviado embaixadores a Portugal, um intercâmbio que resultou em influências europeias na arte e cultura do Benim. Vieram depois, mercadores holandeses e no século XVII, comerciantes da Inglaterra, França, Alemanha e Espanha. Em 1897, os ingleses invadiram Benim, prenderam o oba, saquearam seus bronzes e incendiaram a cidade. 

*Não confundir o reino do Benim com a atual República do Benin. O antigo Benim era  Estado pré-colonial da moderna Nigéria. A nome do país atual foi uma homenagem ao Reino do Benim. 

11. Confederação Axante / Ashanti (séc. XVII-XIX)

Por volta de 1690, os axantes fundaram a cidade de Kumasi, ainda hoje existente, na região da atual Gana. A região era ponto de encontro das rotas de comércio de ouro e noz-de-cola.

O chefe de Kumasi foi reconhecido como chefe dos axantes e assumiu o título de asanteene. Ele deu início a uma política de aliança com os povos vizinhos, unindo estados autônomos que continuaram mantendo um amplo grau de independência. Formou-se, então, a Confederação Axante. Por volta de 1820, a confederação dominava 40 povos entre o interior (floresta) e a costa. Os povos confederados pagavam tributos ao rei e forneciam homens para o exército axante que chegou a ter 80 mil soldados.

Sociedades da África ocidental, porém de tempos históricos diferentes.

No século XVIII, a Confederação Axante era a maior potência militar e comercial da costa ocidental africana. Controlava as rotas comerciais que ligavam a costa atlântica e as regiões setentrionais. Exerceu um forte domínio sobre o lucrativo comércio de escravos afetando os interesses econômicos dos traficantes holandeses e ingleses que atuavam na região interferindo nos preços das mercadorias e cativos.

Em meados do século XIX, Kumasi, a capital axante, era uma metrópole cosmopolita, por onde circulavam altos dignatários, mercadores muçulmanos e negociantes cristãos de várias partes da Europa, além de autoridades e chefes de diversos reinos circunvizinhos aliados ou dependentes. (…) Uma rede de estradas partindo de Kumasi articulava as diversas áreas do reino e servia de acesso à principais rotas de comércio entre o litoral e as comunidades o interior (MACEDO, 2015).

12. Reino de Daomé / Abomé (séc. XVII – XIX)

O Reino do Daomé, berço da atual República do Benim, foi estabelecido no território da atual República do Benim, por volta de 1600, por povos fons e ajás (conhecidos no Brasil como jejes ou mina-jeje) vindos de um dos reinos iorubás vizinhos. Agadja (1708-1740), o quinto rei do Daomé,  iniciou uma significativa expansão territorial do reino conquistando os reinos vizinhos de Aladá, Ajudá (ou Ouidah) e Popó.

Explorando o tráfico de escravizados, o Daomé tornou-se uma potência regional tornando-se, no século XVIII, o grande fornecedor de africanos cativos para os holandeses, franceses e ingleses na costa ocidental da África que ficou conhecida como “Costa dos Escravos”.

O Reino de Daomé (no Benim atual) foi fundado por volta de 1600 e durou a´te 1904 quando foi conquistado pelos franceses.

Trocava prisioneiros capturados em guerras ou ataques por mercadorias como facas, rifles, tecidos e bebidas alcoólicas. Os cativos aguardavam o embarque para a América na fortaleza de São João Batista de Ajudá, erguida pelos portugueses.

O Daomé manteve relações diplomáticas com o Brasil desde meados do século XVIII. Foi o primeiro Estado a reconhecer a independência do Brasil em 1822, enviando representantes diplomáticos ao país. Era forte a presença brasileira na vida política, econômica e cultural do reino. O brasileiro Francisco Félix de Souza, poderoso traficante de escravizados, tornou-se vice-rei do Daomé, com o título de Chachá. Ele recebeu os escravizados participantes da Revolta dos Malês (Bahia, 1835) que foram enviados de volta para a África.

Uma peculariedade do Daomé era sua guarda feminina, mulheres guerreiras chamadas Ahosi ou Mino. Muito bem treinadas, as ahosi eram equipadas com rifles e facões. Cabia-lhes o policiamento do palácio real e da guarda pessoal do soberano, além de participarem das guerras em que o reino se envolvia.

A guarda pessoal do rei daomeano era composta por mulheres guerreiras –  as “ahosi” ou “mino” – que os europeus chamavam de “amazonas negras”. Ilustração do Le Petit Journal, 29 de abril de 1892.

13. Reino do Congo (séc. XV – XVII)

O reino do Congo foi fundado pelos bantos onde hoje é Angola, parte da República do Congo, da Repúblia Democrática do Congo e do Gabão. Na segunda metade do século XV, o Congo era o maior Estado do oeste da África central com um exército numeroso e uma rede de estados menores tributários.

Era governado pelo manicongo, o Senhor do Congo. Era uma monarquia que ao longo de sua história alternou entre hereditária e eletiva. O reino consistia em nove províncias e três reinos (Ngoy, Kakongo e Loango), mas a sua área de influência estendia-se também aos estados limítrofes, tais como Ndongo, Matamba, Kassanje e Kissama – onde predominava povos bantos.

Apesar do manicongo exercer certa preponderância sobre os demais chefes locais, seu poder efetivo era bastante limitado restringindo-se basicamente à área de M’Banza Congo (cidade do Congo), a capital do reino. Os chefes de linhagens e clãs exerciam forte influência nas decisões políticas e na sucessão do poder do manicongo. A linhagem era o principal pilar de sustentação da sociedade congolesa pois representava a perpetuação dos ancestrais.

A chegada dos portugueses no final do século XV marcou uma profunda mudança na história do reino. O manicongo Nzinga Nkuwu converteu-se ao catolicismo e foi batizado com o nome de D. João I (1470-1509. A capital M’Banza Congo foi rebatizada de São Salvador do Congo.

Para o manicongo, a conversão tinha um caráter mais político-diplomático do que de fé, com o objetivo de facilitar a aliança com os portugueses. Interessava ao manicongo contar com a ajuda portuguesa para modernizar o país importando novas técnicas, alterando os processos produtivos e inserindo o Congo na economia do Atlântico (COSTA E SILVA, 2002).

Jovens de famílias congolesas importantes foram enviados a Portugal para estudar ciências médicas e farmacêuticas, religião, arte náutica e botânica. Na troca de cativos, os congoleses obtinham armas de fogo, pólvora, ferramentas, cavalos e artigos de luxo (tecidos de lã, algodão e seda, bordados e rendas, contas de vidro, porcelanas etc.).

14. Grande Zimbábue (séc. IX – XV)

Grande Zimbábue é o nome de uma enorme cidade de pedra construída nas colinas do sudeste do atual Zimbábue, possivelmente pelos shonas (ou xonas). Acredita-se que tenha sido capital de um grande reino durante o final da Idade do Ferro, sobre o qual pouco se sabe.

A construção da cidade começou no século IX e continuou até ser abandonada no século XV. A cidade de pedra abrange uma área de 7,22 km quadrados e poderia ter abrigado até 18 mil pessoas. Sua muralha foi erguida com blocos de pedra sem argamassa e chega a 11 metros de altura.

No interior da muralha, tem um torre cônica, construída de pedra, com 5,5 metros de diâmetro e 9 metros de altura.  A palavra “grande” distingue o local das muitas ruínas menores, também chamadas “zimbabues”.

O Grande Zimbábue era um centro de comércio de ouro e marfim ligado a Quíloa, uma ilha no litoral da atual Tanzânia, e estendendo-se até a China. A descoberta de peças de cerâmica chinesa, vidro árabe e tecidos europeus são evidências desse rede comercial. A influência do Grande Zimbábue foi transferida para o reino de Monomopata.

Ruínas do Grande Zimbábue.

Reconstituição artística do Grande Zimbábue.

15. Reino de Monomopata (séc. XV – XVIII)

O Império Monomopata ou Mutapa estendia-se desde os rios Limpopo e Zambeze, até à costa do Oceano Índico ocupando parte dos atuais Zimbábue e Moçambique. Este Estado africano possuía ricas minas de ouro e controlava a metalurgia do ferro e ouro. Seu rei era chamado muene, que significa príncipe ou senhor. A aglutinação do título muene mutapa, “senhor das minas”, deu nome ao reino de Monomopata.

O império conseguiu unir povos diferentes do sul da África e atingiu sua maior extensão em 1480. Quando os portugueses chegaram à costa do Moçambique, por volta de 1504, o reino de Monomopata era o principal Estado da região. Era tamanha a sua riqueza que os portugueses acreditavam que as lendárias minas do rei Salomão estavam escondidas em Monomopata.

O muene usou os marinheiros portugueses para transportar bens de luxo entre Monomopata e a Índia, conseguindo também impor uma taxa de 50% sobre todos os bens comerciais importados.

16. Linha do tempo

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Fonte

  • COSTA E SILVA, Alberto da. A enxada e a lança.  A África antes dos portugueses. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 2006.
  • __________. A manilha e o libambo. A África e a escravidão, de 1500 a 1700. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 2002.
  • GIORDANI, Mário Curtis. História da África anterior aos descobrimentos. Petrópolis: Vozes, 1985.
  • MACEDO, José Rivair. História da África. São Paulo: Contexto, 2015.
  • MAESTRI, Mário. História da África Negra pré-colonial. Porto Alegre: Mercado Aberto, 1988.
  • História Geral da África. Brasília: MEC-Unesco, UFSC, 2010.
  • MBOKOLO, Elikia. África negra: história e civilizações. Salvador; São Pulo: UFBA, Casa das Áfricas, 2009-2011, 2 t.
  • Story of cities: Benin city, the mighty medieval capital now lost without trace. The Guardian, 18 mar 2016.

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