Falando em pirâmides (parte 2): as pirâmides da América

7 de junho de 2021

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Na primeira parte desse artigo, comentamos sobre 17 pirâmides espalhadas pela Africa, Oriente e Europa: Egito, Irã, Iraque, Sudão, China, Indonésia, Cambodja, Polinésia e Itália. Agora vamos nos deter na América cujas fabulosas civilizações pré-colombianas (anteriores à chegada de Colombo) também ergueram pirâmides, feitas de pedra, adobe ou até mesmo de terra e argila. A lista é enorme, por isso selecionamos as mais representativas e sobre as quais existem mais estudos. Para que você não perca nenhuma pirâmide, repetimos aqui o sumário completo que inclui as pirâmides apresentadas na parte 1.

Sumário

Pirâmides da Mesoamérica

Chama-se Mesoamérica à região do continente americano que inclui o sul do México, os territórios da Guatemala, El Salvador, Belize e porções ocidentais da Nicarágua, Honduras e Costa Rica. Várias civilizações pré-colombianas (anteriores a Cristóvão Colombo) desenvolveram-se nessa região incluindo os olmecas, teotihuacanos, maias, toltecas e astecas.

18. Grande Pirâmide de La Venta (olmeca), México, 1000 a.C.

Os olmecas são considerados a primeira civilização da Mesoamérica, surgida por volta de 1200 a.C. na região do Golfo do México. Eles construíram centros cerimoniais com templos em formato piramidal.

A Grande Pirâmide, com 33 metros de altura, tem a forma cônica (diâmetro de 128 m), resultado de quase três mil anos de erosão. Pesquisas recentes indicam que ela era, de fato, retangular e escalonada. No topo ficaria o santuário e altar para oferendas. Foi construída de argila. Estima-se que a quantidade de argila utilizada em sua construção foi de 100.000 m³.

Os olmecas consideravam as montanhas sagradas e, como não existem montanhas nas proximidades, a solução foi construir a pirâmide para nela realizar as cerimônias religiosas. Quatro estelas localizadas na base do monte, com “faces de montanha” gravadas nelas, parecem confirmar esta teoria.

Embora a pirâmide em si não tenha sido escavada em profundidade, escavações recentes no lado sul da pirâmide indicam a presença do que pode ser a escada central.

Grande Pirâmide de La Venta, México, 1000 a.C., construída pelos olmecas, a primeira civilização da Mesoamérica.

Ilustração artística da Pirâmide La Venta, México.

19. Pirâmide de Cuicuilco, México, 600 a.C.

Cuicuikco foi um dos primeiros e mais importantes centros cerimoniais do Vale do México. A cidade cresceu em torno de um grande centro cerimonial com pirâmides. A área urbana incluía praças e ruas e possuía uma série de pequenos reservatórios de água alimentados por água das colinas próximas de Zacayuca e Zacaltepetl. Em seu auge, Cuicuilco tinha uma população estimada em 20.000 habitantes.

Cuicuilco foi contemporâneo dos olmecas que teriam influenciado na construção das primeiras plataformas circulares. O templo principal, em formato circular, com 17 metros de altura e 125 metros de diâmetro, testemunha o apogeu do centro cerimonial entre 600 e 400 a.C.  No alto ficavam os altares onde eram feitas as oferendas aos deuses.

Após um longo declínio iniciado no século I a.C., a cidade foi destruída e sepultada pela erupção do vulcão Xitle por volta de 300 d.C

Pirâmide de Cuicuilco, México

Pirâmide de Cuicuilco, México, 500 a.C., contemporânea dos olmecas.

Referência

  • PASTRANA, Alejandro; FOURNIER, Patrícia. Cuicuilco de Cuicuilco. INAH, Escola Nacional de Antropologia e História.13 julho 1997.

20. Pirâmide circular de Guachimontones, em Jalisco, México, 300 a.C.

Guachimontones é o nome do centro cerimonial erguido pela tradição Teuchitlán, uma complexa sociedade que existiu entre 300 a.C. e 900 d.C. O centro da cidade antiga era ocupado por três praças circulares, cada uma com uma pirâmide circular de várias camadas no centro. Há um total de 10 centros cerimoniais em Teuchitlán, identificados como “círculos”, que possuem, cada um, pirêmides circulares, praças retangulares e quadras de jogo de bola, bem como outras estruturas menores.

Pensa-se que as pirâmides circulares representam um cosmograma da estrutura mitológica do universo e os pilares fixados no centro representasse a árvore do mundo mesoamericano.

A maior estrutura piramidal é o Círculo 1, uma pirâmide circular de 120 metros de diâmetro, com 12 plataformas, construída de terra e pedra fixada com seiva de nopal. Os outros nove “Círculos” tem tamanhos menores, entre 100 e 50 metros de diâmetro, e 10 a 4 plataformas.

Guachimontones, pirâmide do círculo 1, em Jalisco, México, 300 a.C.

Reconstituição do círculo 2, centro cerimonial da tradição Teuchitlán, Mexico.

Referência

21. Grande Pirâmide de Cholula, em Puebla, México, 300 a.C.

A Grande Pirâmide de Cholula ou Tepanapa, também conhecida como Tlachihualtepetl (“montanha feita a mão”, em nahuatl) é considerada a maior estrutura piramidal do mundo. Os arqueólogos acreditam que a pirâmide começou a ser construída em 300 a.C. e estimam que sua conclusão demorou entre 500 e 1000 anos. Isso porque ela foi o resultado de sete pirâmides sobrepostas,  cada uma das quais cobrindo a totalidade da pirâmide anterior.

As sobreposições levaram ao alargamento gradual da base que atingiu 450 metros de cada lado e a altura de 66 metros, totalizando 4,5 milhões de m³ de terra. Essas medidas a tornam a maior pirâmide da Terra, com uma base 4 vezes maior do que a Grande Pirâmide de Gizé e o com quase o dobro de volume.

O local foi abandonado em algum momento do século VII ou VIII e a natureza escondeu a pirâmide. Quando os espanhóis chegaram, a pirâmide estava recoberta de pedras e plantas, parecendo uma colina.  No topo da suposta colina, foi erguida uma igreja católica em 1594. Como o templo católico foi declarado patrimônio histórico da nação mexicana, a pirâmide pré-hispânica não pôde ser escavada em sua totalidade.

Esta visão da pirâmide foi tirada no início do século 20 (Crédito: Getty Images)

A pirâmide de Cholula ou Tepanapa está embaixo da igreja. Foto tirada no início do século 20 (Crédito: Getty Images)

Vista das escadarias da pirâmide de Cholula com o santuário católico no alto.

Reconstituição artística da pirâmide de Cholula ou Tepanapa, a maior pirâmide do mundo.

Referência

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22. Pirâmide do Sol, em Teotihuacán, México, 100 d.C.

Teotihuacán, a “cidade dos deuses”, é um enorme centro cerimonial e urbano com uma avenida central, chamada Avenida dos Mortos, onde se erguem três grandes pirâmides. A pirâmide do Sol, construída no século II d.C. no lado leste da Avenida dos Mortos, é considerada o centro de Teotihuacán. Tem base quadrada de 225 metros de lado, 65 metros de altura (teria mais 10 metros com o templo no topo, hoje desaparecido).

Ela é feita de pedregulhos com o núcleo de adobes de terra e lama, recobertos de pedra e revestido de estuque pintado. É a estrutura mais volumosa da cidade, com 2,5 milhões de toneladas de material.

A pirâmide é composta de cinco plataformas escalonadas e uma escadaria cerimonial que conduz ao topo, onde existia um templo feito de madeira – utilizado para realizar sacrifícios e oferendas aos deuses – que foi destruído juntamente com a parte mais alta da pirâmide.  Durante o auge de Teotihuacan, as pirâmides eram pintadas de vermelho brilhante e se destacavam na paisagem

Pirâmide do Sol, México

Pirâmide do Sol, em Teotihuacán, México, 100 d.C.

Reconstituição artística da Pirâmide do Sol, em Teotihuacán, México.

23. Pirâmide do Jaguar (maia), em Tikal, Guatemala, 750 d.C.

A civilização maia desenvolveu-se por volta do século IV a.C. numa região próxima ao Oceano Pacífico, na atual fronteira entre o México e a Guatemala. A partir de 250 d.C., os maias se espalharam pelas florestas quentes e úmidas da Guatemala, sul do México, El Salvador, Honduras, Belize chegando até a península mexicana de Yucatã.

Tikal foi a capital de um estado guerreiro que se tornou um dos reinos moas poderosos dos antigos maias. Em seu apogeu, por volta de 700 d.C., dominou grande parte da região maia  um grande centro cerimonial maia, interagindo com a grande cidade de Teotihuacán.

A cidade cobre uma área de 16 km² e possui cerca de 3.000 estruturas entre templos, altares e palácios. A maior delas é a Pirâmide do Jaguar (Templo 1), com 9 plataformas que atingem 55 metros de altura. Foi construída a mando do governante maia Ah  e serviu-lhe também de sepultura, descoberta em 1962. A enorme crista que encabeça o templo foi originalmente decorada com uma escultura gigantesca do rei em seu trono, mas pouco sobrevive dessa decoração. O nome se deve à figura de um jaguar entalhado na porta principal.

Pirâmide do Jaguar,Guatemala

Pirâmide do Jaguar, construída pelos maias em Tikal, Guatemala, 250 d.C.

Referência

24. Templo das Inscrições (maia), em Palenque, México, 680 d.C.

Palenque é uma das três cidades mais umportantes da cultura  maia (as outras são Tikal e Chichén Itzá). Localiza-se no centro de uma selva tropical no estado mexicano de Chiapas. A cidade estava abandonada quando ocorreu a conquista espanhola no século XVI e só foi “descobertada” pelos espanhóis no século XVIII.

O Templo das Inscrições (Templo I) é uma pirâmide escalonada, construída de pedra, tendo 8 plataformas que atingem 22,8 metros de altura. Seu nome se deve aos três painéis de rocha com inscrições hieroglíficas, encontrados dentro do templo. Os hieróglifos detalham a história da dinastia governante na cidade e os feitos do governante maia K’inich Janaab Pakal ou Pakal, o Grande.

A estrutura é decorada com relevos em estuque. Dentro do templo, foi encontrada a cripta funerária de Pakal. As paredes da cripta, o sarcófago e a laje que o cobre são decorados com baixos-relevos que mostram, entre outras coisas, a morte de Pakal e sua descida ao mundo subterrâneo. Cinco esqueletos, masculinos e femininos, foram encontrados na entrada da cripta. Essas vítimas sacrificadas estavam destinadas a seguir Pakal na vida além da morte. Nos hieróglifos da cripta, a origem e os ancestrais de Pakal também são descritos, bem como a faixa celestial e uma série de divindades maias.

O cadáver de Pakal estava adornado com várias joias de jade. Havia uma máscara em seu rosto feita de 340 placas de jade, polidas e perfeitamente montadas, enquanto os olhos são feitos de madrepérola e obsidiana. As proporções da máscara e do crânio são as mesmas, por isso é um retrato preciso do governante em vida.

Templo das Inscrições, em Palenque, México, 675 d.C. Em seu interior encontra-se a cripta do governante maia Pakal, o Grande.

Jóias de jade colocadas no corpo de Pakal e detalhe da máscara mortuária. Museu Nacional de Antropologia e História, México, DF

Referência

25. Pirâmides de Tula (tolteca), em Hidalgo, México, c.1000.

Tula ou Tollan-Xicocotitlan foi a capital do estado tolteca que se desenvolveu no centro do México e cuja influência chegou a lugares tão distantes como a península de Yucatan, El Salvador e Nicarágua. A cidade ganhou destaque após a queda de Teotihuacan e atingiu seu auge entre 900 e 1150, chegando a ter uma população ente 40.000 e 60.000 habitantes.

O centro de Tula forma uma grande área que era usada principalmente para fins cerimoniais. A pirâmide mais famosa nesta zona é a Pirâmide da Estrela da Manhã (também Templo de Quetzalcoatl ou simplesmente pirâmide B). É uma pirâmide truncada com cinco níveis, construída no apogeu dessa civilização, entre os séculos X e XII. Na parte superior da plataforma estão quatro esculturas de guerreiros toltecas, de basalto com 4,5 metros de altura, com seus trajes e armamentos característicos, chamados os Atlantes de Tula.

Pirâmide B, Tula, México

Pirâmides de Tula, civilização tolteca, em Hidalgo, México.

26. Pirâmide de Caana (maia), El Caracol, Belize, c.650 d.C.

Caracol ou El Caracol oi uma das maiores cidades maias, cobrindo uns 168 km². “Caracol” é um nome moderno do espanhol, significando concha. Seu antigo nome na língua maia local é Oxhuitzá. Localizada no território do atual Belize, Caracol chegou a ter uma população estimada de 120 mil pessoas em seu apogeu, entre 300 a 900 d.C. Possui mais de 35.ooo estruturas, algumas com mais de 40 metros de altura. Um de seus monumentos registra uma vitória militar sobre o exército de Tikal em 562.

Descoberto apenas em 1936, o complexo de El Caracol está sendo pesquisado, desde 1985, por uma equipe de arqueólogos da Universidade de Nevada, dos Estados Unidos.  O uso do LIDAR, introduzido em 2009, permitiu a avaliação de uma área de 200 km² onde se observou a presença de estradas e milhares de grupos residenciais e terraços agrícolas.

Caana (“palácio do céu”) é o maior edifício da Caracol e a estrutura artificial mais alta de Belize, com 43 m de altura. Teria sido construído por volta de 650-690 sofrendo reformas como a elevação do cume no século IX. Possuía um mínimo de 71 quartos e 45 altares. Acredita-se que tenha servido a muitas funções, desde palácio real até como local de cerimônias religiosas.  Foram encontradas tumbas como a de uma mulher de elite datada de 634 d.C.

Pirâmide de El Caracol, Belize

Pirâmide de Caana, El Caracol, civilização maia, Belize.

Referência

27. Pirâmide El Castillo (maia), em Chichén Itzá, México, 1000 d.C.

O nome “El Castillo” foi dado pelos espanhóis quando chegaram em Chichén itzá, no México atual, no século XVI . A pirâmide, porém, já existia há mil anos. Foi construída pelos maias para o deus Kulkucán. Sua construção foi iniciada no século VI d.C., tendo sido posteriormente ampliada nos séculos VIII e XI. Tem 9 plataformas que atingem 30 metros de altura sobre uma base quadrada com 55,3 metros de lado. Possui quatro faces com escadarias de acesso para o único templo no topo

O Templo de Kukulcán demonstra os profundos conhecimentos que os maias possuíam de matemática, geometria, acústica e astronomia. Sendo uma sociedade agrícola, os maias observavam detalhadamente o ciclo das estações, as variações das trajetórias do Sol e as estrelas; combinando seus conhecimentos, aplicaram-nos na construção do templo dedicado ao deus Kukulcán. Assim, cada escadaria possui 91 degraus que, incluindo-se a plataforma do templo, totalizam 365 passos, igual ao número de dias do Haab, o calendário solar maia.

Outros números indicados nas plataformas, baixos-relevos e adornos da pirâmide coincidem com o Tzolkin, o calendário lunar maia, de treze meses, com 20 dias cada, totalizando 260 dias. Dessa forma, a pirâmide não somente está dedicada ao deus Kukulcán, mas também observa a contagem do tempo dando particular relevância aos seus ciclos.

Na parte inferior da escadaria Norte há duas cabeças de Kukulcán, a serpente emplumada. Nos equinócios de primavera e outono, observa-se nesta escadaria um fenômeno de luz e sombra que parece dar vida à serpente divina.

Dentro da pirâmide existe outra pirâmide, mais antiga e com medidas bem menores: base de 33 metros de lado, altura de 17 metros. Tem, também, nove degraus piramidais, mas apenas uma escadaria com 61 degraus e um templo com duas salas.

Pirâmide El Castillo, México

Pirâmide El Castillo, em Chichén Itzá, 1000 d.C., uma das construções pré-colombianas mais visitadas no México atual.

28. Pirâmide do Mago (maia-tolteca), em Uxmal, México,  900 d.C.

Uxmal, fundada por volta de 500 d.C., foi uma das maiores cidades da península de Iucatã, no México. Entre suas maravilhas está a Pirâmide do Mago ou Piramide del Adivino, em espanhol. É uma estrutura singular, a única pirâmide, na cultura maia, com base elíptica.

Sua construção iniciou-se no século VI continuando periodicamente até o século X. Assim como outras pirâmides maias, a Pirâmide do Mago também seguiu a tradicional prática de sobreposição, isto é, em determinados períodos, nova estrutura foi construída sobre as já existentes aumentando assim sua dimensão. A pirâmide, como está hoje, é o resultado de cinco templos sobrepostos. Suas medidas são: base de 69 metros x 49 metros, e altura de 40 metros. Inteiramente construída de pedra, foi dedicada ao deus Chac, divindade da água e da chuva.

O nome da pirâmide é derivado de lendas populares contadas pelos descendentes maias. Uma delas fala sobre um deus chamado Itzamna que, sozinho, construiu a pirâmide em uma noite, usando seu poder e magia.

Pirâmide do Adivinho, México

Pirâmide do Mago, em Uxmal, México, a única pirâmide maia com base elíptica.

29. Pirâmide de Monks Mound, Estados Unidos, 900-1100.

Monks Mound é o resultado de um vigoroso trabalho de terraplanagem feito pelos índios Cahokia, antiga cultura pré-colombiana que floresceu entre 1050 e 1400 junto ao rio Mississipi em território da atual cidade de St. Louis, nos Estados Unidos.

Em seu ápice por volta de 1100, a cidade cobria uma área de 16 km2 com uma população estimada entre 14.000 a 18.000 pessoas. O nome original da cidade é desconhecido. Os Cahokia não deixaram registros escritos além de símbolos em cerâmica, concha, cobre, madeira e pedra, mas a construção de montes e sepulturas revelam uma sociedade complexa e sofisticada.

O local original continha 120 montes de terra dos quais 80 permanecem até hoje. Monks Mound é a maior estrutura, tendo 291 metros de comprimento, 236 metros de largura e 30 metros de altura. O nome originou-se da comunidade de monges trapistas que ali residiram depois que os colonizadores chegaram à região.

Para construir Monks Mound foram necessárias toneladas de terra, argila, grama e pedregulhos transportadas em cestos e depositados no local. As escavações revelaram vários tipos de terra e argila, vindos de diferentes lugares – o que atesta, entre outras evidências, que é, de fato, uma colina construída pelo homem.

No topo do Monks Mound foram encontrados vestígios de um grande edifício, um templo ou a residência do chefe supremo, medindo 32 metros x 15 metros, com uma área de 480 m2.

Pirâmide de Monks Mound, Estados Unidos

Pirâmide de Monks Mound, estado de Illinois, Estados Unidos, construída pelos índios Cahokia, antiga cultura mississipiana, entre 1050 e 1250 d.C.

Reconstituição artística de Cahokia, a cultura que construiu Monks Mound.

Referência

Pirâmides da América do Sul

30. Pirâmides de Caral, Peru, c.2500 a.C.

Caral encontra-se no Vale do Supe, 200 km ao norte de Lima, no Peru. Ali desenvolveu-se uma cultura complexa, chamada de Caral, entre 3000 a.C. e 1850 a.C., o que a torna a primeira cidade da América e berços da civilização andina.

A datação radiométrica de Caral surpreendeu os arqueólogos pois alterou os padrões que até então existiam para o surgimento das antigas civilizações na América em geral. Até então, Chavin de Huántar era considerado o centro cultural mais antigo do Peru, com no máximo 3.200 anos (1.200 a.C.).

Caral é chamada de cidade sagrada, pois tudo o que foi escavado na cidade está impregnado de religiosidade. Existem muitas fogueiras para oferendas nas áreas do espaço público, os templos e nas casas. Foi nessa época que as sociedades peruanas tiveram pela primeira vez um governo central, onde o Estado foi estabelecido e a religião foi usada como meio de afirmação.

As primeiras construções maiores começaram entre 3000 e 2300 a.C. O centro urbano de Caral é formado por 32 estruturas piramidais, de diferentes tamanhos.

A maior pirâmide (Setor E) mede 150 metros de comprimento, 110 metros de largura e 28 metros de altura. Devido ao seu tamanho e localização, em uma ampla praça, acredita-se que tenha sido o edifício principal de Caral. Faz parte de um complexo que é complementado por uma praça circular rebaixada e uma estrutura imponente de plataformas escalonadas. É a estrutura emblemática da cidade de Caral e a que mais aparece nas representações fotográficas.

Caral é gradualmente abandonada e seus edifícios são enterrados por volta de 1800 a.C. As razões exatas são desconhecidas, mas presume-se que tenha sido o resultado de eventos naturais, como terremotos e o fenômeno El Niño, que obrigaram os habitantes a migrar para outros lugares.

Pirâmides de Caral, Peru.

Pirâmides de Caral, Peru, contemporânea das pirâmides egípcias.

Referências

31. Huaca do Sol e Huaca da Lua (mochica), Peru, 100-800 d.C.

A civilização Moche ou Mochica floresceu no norte do Peru entre 100 e 800 d.C. Os moches exerceram forte domínio que se estendeu 400 km pela costa peruana até 80 km para o interior. Construíram para seus deuses pirâmides escalonadas. Entre elas, destacam-se as do Sol e da Lua.

Chamadas de huacas (ou waqa, que significa sagrado na língua quéchua, falada na região andina do Peru), elas foram construídas com tijolos de adobe e decoradas com pinturas murais nas cores vermelho, preto, azul, amarelo e branco.

A Huaca del Sol (Pirâmide do Sol), uma pirâmide escalonada em cinco plataformas, tem 43 metros de altura e ocupa uma área de 340 metros × 220 metros. É a maior estrutura maciça da América. Cerca de 140 milhões de tijolos de adobe foram necessários para construir o edifício de sete andares.

A Huaca de la Luna (Pirâmide da Lua), construída a 500 metros em frente à Huaca del Sol, tem uma base quadrada de 87 metros de lado e 21 metros de altura. As paredes da pirâmide são decoradas com relevos coloridos feitos de adobe. Em um altar, foram descobertos os restos mortais de 40 guerreiros sacrificados.

Os arqueólogos acreditam que o Huaca del Sol pode ter servido para funções administrativas, militares e residenciais, bem como um túmulo para a elite Moche. A Huaca de la Luna serviu principalmente para uma função cerimonial e religiosa, embora contenha também sepulturas.

No espaço entre as pirâmides havia uma chamada zona urbana com locais residenciais e cemitérios. Discute-se se seus moradores formavam uma população socialmente diferenciada ou se eram apenas membros da elite administrativa e religiosa.

A Huaca del Sol foi parcialmente destruída e saqueada pelos conquistadores espanhóis em busca de ouro, no século XVII, enquanto a Huaca de la Luna foi deixada relativamente intocada.

Huaca do Sol, Peru

Huaca do Sol construída pelos mochicas, povo guerreiro que dominou a costa norte do Peru entre 100 e 800 d.C.

Friso em relevo de adobe colorido do deus moche Ai Apaec (o Decapitador), mural da Huaca da Lua, Peru.

Referência

32. Pirâmide de Akapana, em Tiahuanaco, Bolívia, 500 d.C.

Tiahuanaco, na Bolívia, foi capital de um vasto império cujo apogeu deu-se entre 500 e 900 d.C. Entre suas construções encontra-se Akapana, uma estrutura piramidal escalonada. Embora esta construção monumental seja frequentemente descrita como uma pirâmide, o complexo consiste, na verdade, em sete plataformas sobrepostas cheias de terra que circundam paredes de contenção de pedra de tamanhos sucessivamente menores.

Akapana tem 194 metros de largura, 182 metros de comprimento e 18 metros de altura. No topo possuía um pequeno templo em forma de cruz assinalando os pontos cardeais. A pirâmide sofreu constante desmonte feito pelos caçadores de tesouro desde o início da colonização espanhola.

Pirâmide de Akapana, em Tiahuanaco, Bolívia, 500 d.C.

Pirâmides de hoje

A pirâmide continua fascinando o homem moderno e inspirando obras ainda mais arrojadas como os edifícios abaixo.

Hotel Ryugyong (2012), um gigantesco edifício em forma piramidal com 300 metros de altura, em Pyongyang, na Coreia do Norte.

The Shard ou Shard of Glass (2012), edifício piramidal revestido de vidro, em Londres, Inglaterra, tem 306 metros de altura

Palácio da Paz e Reconciliação (2006), em Nur-Sultão, capital do Cazaquistão, tem base quadrada de 62 metros e altura de 62 metros.

Pirâmide do Louvre (1989), em Paris, França, inteiramente de vidro, com 20 metros de altura, serve como monumental entrada ao Museu do Louvre.

1) Hotel Ryugyong, Coreia do Norte; 2) The Shard, Londres, Inglaterra; 3) Palácio da Paz e Reconciliação, Cazaquistão; 4) Pirâmide do Louvre, Paris, França.

Transamerica Tower (1972), em São Francisco, Estados Unidos, com 260 metros de altura.

Pirâmide Arena (1991) , em Memphis, no estado do Tennessee, Estados Unidos, tem 98 metros de altura (32 andares) e base quadrada de 180 metros.

Luxor Las Vegas (1993), hotel-casino nos Estados Unidos, é uma reprodução americanizada da cidade de Luxor (antiga Tebas) no Egito. Sua pirâmide tem 111 metros de altura.

Pirâmide Walter ou Pirâmide de Long Beach (1994), uma arena para 4.000 lugares construída no campus da Universidade de Long Beach, Califórnia, Estados Unidos. Tem base quadrada de 105 metros e altura de 105 metros.

Pirâmides nos Estados Unidos: 1) Transamerica Tower, São Francisco; 2) Pirâmide Arena, Memphis; 3) Luxor, Las Vegas; 4) Pirâmide Walter, Califórnia.

Este artigo é sequência de Falando em pirâmides (parte 1): 32 pirâmides ao redor do mundo.

 

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