Por muito tempo, o senso comum e as primeiras correntes historiográficas defenderam que a escravidão havia destruído qualquer possibilidade de vida afetiva entre os negros escravizados. Romances e relatos de viajantes do século XIX consolidaram no imaginário social uma visão preconceituosa: a de que as senzalas eram espaços marcados exclusivamente pela promiscuidade, pela instabilidade das relações amorosas e pelo abandono de crianças.
Nas últimas décadas, contudo, as pesquisas no campo da História Social mudaram drasticamente esse cenário. Ao cruzarem registros de batismo, testamentos, inventários e cartas de alforria, os historiadores revelaram que, apesar da violência do cativeiro, os escravizados lutaram — e conseguiram — construir famílias estruturadas, duradouras e complexas. Mais do que mero afeto, o laço familiar tornou-se uma das principais ferramentas de sobrevivência, negociação e resistência contra a desumanização do sistema escravista.
As narrativas dos viajantes estrangeiros
A transferência da corte portuguesa para o Rio de Janeiro e a consequente abertura dos portos, em 1808, transformaram profundamente o cenário cultural do Brasil colonial. Até então mantido sob rígido isolamento pela metrópole, o país abriu suas fronteiras para cientistas, artistas e curiosos de diversas partes do mundo. Organizadas frequentemente com o apoio de governos europeus, formaram-se expedições científicas e artísticas compostas por naturalistas, médicos, botânicos e pintores. O objetivo era documentar minuciosamente a fauna, a flora, a geografia e a sociedade que a Europa desejava catalogar e conhecer.
Nesse contexto, o desenho e a escrita tornaram-se ferramentas complementares de registro. Diante da impossibilidade de transportar paisagens, construções ou o cotidiano das ruas para os gabinetes de curiosidades europeus, os artistas registravam os tipos humanos (indígenas, negros e mestiços), as técnicas de trabalho e as tradições locais. Ao longo do século XIX, uma vasta galeria de viajantes produziu relatos e imagens que se tornaram fontes históricas fundamentais para o estudo do Brasil oitocentista. Entre as principais obras publicadas por esses viajantes, destacam-se:
- John Luccock (Notes on Rio de Janeiro, and the southern parts of Brazil, 1820).
- Thomas Ender (suas aquarelas de 1817-1818 foram incorporadas a atlas e coleções científicas e publicadas em sua totalidade posteriormente).
- Johann Baptist von Spix e Carl Friedrich Philipp von Martius (Viagem pelo Brasil, 1823).
- Maximilian de Wied-Neuwied (Viagem ao Brasil, 1820).
- Augustus Earle (registrou o cotidiano brasileiro na década de 1820; seus desenhos foram publicados em relatos de viagem e álbuns de gravuras em Londres na década de 1830).
- Jean-Baptiste Debret (Viagem Pitoresca e Histórica ao Brasil, publicado em volumes entre 1834 e 1839).
- Johan Moritz Rugendas (Viagem Pitoresca através do Brasil, 1827-1835).
- Aimé-Adrien Taunay (integrou a Expedição Langsdorff na década de 1820, deixando diários e registros iconográficos publicados postumamente).
- Hercules Florence (deixou manuscritos e desenhos da Expedição Langsdorff dos anos 1825-1829, publicados de forma fragmentada no século XIX e integralmente no século XX).
- Alcide d’Orbigny (Viagem à América Meridional, publicado em fascículos a partir de 1835).
- Carl Seidler (Dez Anos no Brasil, 1835).
Contudo, a historiografia contemporânea faz um alerta crucial: esses diários e iconografias não devem ser lidos como reflexos neutros da realidade. Eles carregavam as lentes do Iluminismo europeu. Ao mesmo tempo em que os artistas denunciavam a brutalidade do cativeiro, suas descrições frequentemente reforçavam teorias de superioridade racial e cultural, justificando a dominação colonial sob o pretexto de um “ideal civilizatório”.

“Rancho na região da serra do Caraça, MG“, gravura de Spix e Martius retratando o cotidiano do interior do Brasil oitocentista (Viagem pelo Brasil, 1817-1820). Fonte: Biblioteca Nacional.
Rugendas, um alemão na selva tropical
Nascido em Augsburgo, na Alemanha atual, Johann Moritz Rugendas (1802-1858) pertencia a uma tradicional linhagem de pintores e desenhistas alemães. Em 1821, com apenas 19 anos e recém-saído da Academia de Belas Artes de Munique, o jovem artista abraçou uma oportunidade que mudaria sua vida: foi contratado como desenhista oficial da Expedição Langsdorff, uma ambiciosa missão científica patrocinada pelo czar Alexandre I da Rússia e liderada pelo médico e naturalista Georg Heinrich von Langsdorff. Sua missão era documentar, em desenhos e pinturas, a fauna, flora, paisagens e costumes do povo brasileiro.
Rugendas desembarcou no Rio de Janeiro no início de 1822. No entanto, o temperamento centralizador de Langsdorff e as constantes divergências sobre o direcionamento dos trabalhos geraram atritos insolúveis. Em 1824, antes mesmo que a grande etapa fluvial da expedição rumo ao interior do país começasse, Rugendas rompeu com o grupo. Ele decidiu, então, seguir viagem por conta própria, percorrendo de forma independente as províncias do Rio de Janeiro, Minas Gerais, Bahia e Pernambuco.
Livre das amarras do inventário puramente científico, Rugendas pôde refinar seu olhar sobre o cotidiano da população. Fortemente influenciado pelas ideias do naturalista Alexander von Humboldt — que defendia que o meio ambiente moldava o desenvolvimento humano e a cultura —, o jovem pintor passou a focar intensamente nos costumes, nas festas e, fundamentalmente, nas duras cenas do cativeiro.
Essa rica vivência solitária resultou em centenas de esboços e desenhos que, ao retornar à Europa em 1825, serviriam de base para sua obra máxima, Viagem Pitoresca através do Brasil, publicada em Paris entre 1827 e 1835.

“A Dança do Lundu”, de Rugendas, litografia publicada em Paris em 1835. A cena retrata a confluência cultural afro-ibérica. Se para os europeus a cena gerava estranhamento ou curiosidade, para a população negra representava um espaço vital de sociabilidade, identidade e autonomia.
Famílias escravas sob o olhar europeu
Ao percorrerem as grandes plantações de café e açúcar e os centros urbanos do Brasil oitocentista, muitos viajantes estrangeiros registraram, com surpresa, a existência de núcleos familiares sólidos entre a população escravizada. Para mentes europeias moldadas pelo ideal da família nuclear burguesa e cristã, a constatação de casamentos duradouros, do apego afetivo entre os casais e do cuidado dedicado aos filhos chocava-se com a brutalidade inerente ao sistema do cativeiro.
Em seus relatos e gravuras, artistas como Rugendas documentaram homens, mulheres e crianças compartilhando o mesmo espaço doméstico, dividindo refeições e mantendo rituais de sociabilidade. Longe de ser um fenômeno isolado, a constituição de famílias na senzala era uma realidade demográfica expressiva, especialmente nas grandes propriedades rurais. Os registros paroquiais da época — que guardam as certidões de batismo e casamento dos cativos — confirmam o que a iconografia dos viajantes sugeria: milhares de escravizados buscavam a legitimação de suas uniões por meio do matrimônio católico.
Contudo, a existência dessas famílias representava um delicado campo de forças. Para a Igreja Católica, o casamento dos escravizados era um sacramento sagrado e indissolúvel, servindo como uma ferramenta de controle social e moralização dos costumes nas colônias. Para os senhores de escravos, permitir e até incentivar a formação de famílias em suas terras trazia vantagens pragmáticas. O historiador Robert Slenes aponta que os senhores percebiam a família como um elemento de estabilização da mão de obra: um escravizado casado e com filhos tendia a ser mais “acomodado”, apresentando menores taxas de fuga ou de insubordinação, uma vez que o temor de ver sua família punida ou desmembrada funcionava como um poderoso mecanismo de controle.
O próprio Rugendas captou essa dimensão em seus escritos:
“Em geral, os colonos facilitam os casamentos entre escravos, pois sabem, por experiência, que é a melhor maneira de prendê-los à fazenda e a mais forte garantia de sua boa conduta. Entretanto, não se pode negar que haja inúmeras exceções a essa regra e que, muitas vezes, os senhores, pelos seus exemplos, provocam eles próprios a devassidão de costumes dos escravos. Ocorre, ainda que as relações entre escravos do sexo feminino e do sexo masculino tornam impossível a severa observância da moral ou a perseverança conscienciosa na fidelidade conjugal” (RUGENDAS, 1972, p. 142)
É preciso relativizar essas afirmações e compreendê-las em seu contexto histórico. A imagem de devassidão sexual e instabilidade familiar entre escravos registrada por estrangeiros e brasileiros “homens de bem” está carregada de preconceitos culturais e moralidades cristãs, comuns na sociedade europeia oitocentista. Ao rotularem as relações afetivas dos escravizados como “desregradas”, esses relatos consolidaram estereótipos que ainda repercutem na sociedade contemporânea.

“Interior de casa de negros”, guache de Joaquim Cândido Guillobel (c. 1820). A composição revela uma cena doméstica, mas a representação dos corpos exige um olhar crítico: a nudez do menino e os seios aparentes das mulheres não eram meros registros cotidianos. Para a sensibilidade europeia e a elite oitocentista, a exposição do corpo operava como um código visual de “exotismo” e “atraso civilizatório”, reforçando os discursos morais sobre a suposta devassidão e a necessidade de tutela e controle sobre a população escravizada.
Famílias escravas: forma de acomodação e resistência
A constituição e a manutenção das famílias no cativeiro não podem ser compreendidas de maneira simplista. Elas existiam no centro de um complexo jogo de interesses entre a lógica senhorial e a agência dos escravizados, operando simultaneamente como espaço de acomodação e ferramenta de resistência.
Sob a ótica dos senhores e do Estado imperial, a estabilidade familiar dos cativos funcionava como uma poderosa engrenagem de acomodação e controle social. Especialmente após a proibição definitiva do tráfico atlântico de escravos, em 1850, a reprodução natural da mão de obra tornou-se uma necessidade econômica vital para os cafeicultores e senhores de engenho. Incentivar o casamento e o nascimento de crianças nas senzalas garantia a continuidade do sistema sem os altos custos da compra de novos indivíduos. Além disso, proprietários e administradores percebiam que o escravizado inserido em uma rede familiar tendia a aceitar melhor as regras do cativeiro: o medo de ser vendido para longe, de ver os filhos castigados ou a companheira violentada silenciava rebeldias e reduzia drasticamente os índices de fugas e insurreições.
Por outro lado, o que os senhores viam como pacificação, os escravizados ressignificavam como resistência. Longe de aceitarem passivamente a tutela senhorial, os negros utilizavam o casamento católico e a constituição do lar como escudos legais e morais. Sabendo que a própria Igreja condenava a separação de casais batizados, os cativos pressionavam seus donos para que respeitassem a integridade de seus núcleos familiares, transformando o afeto em uma moeda de barganha e negociação cotidiana.
Dentro das paredes das senzalas ou nas pequenas habitações independentes, a família representava o único território onde o poder do senhor não era absoluto. Ali, os escravizados deixavam de ser meros fatores de produção para se tornarem pais, mães, irmãos e companheiros. Era nesse espaço de intimidade e acolhimento que se transmitiam memórias ancestrais, se preservavam tradições religiosas e linguísticas e se construíam redes de solidariedade essenciais para suportar o trauma diário do cativeiro. Assim, a família escrava foi, acima de tudo, um ato político de afirmação da própria humanidade contra um sistema que tentava rebaixá-los à condição de objetos.
A historiadora Isabel Cristina Reis lembra, ainda, o destacado papel das mulheres no sentido de defender e preservar a família negra. Elas foram as principais protagonistas da resistência contra a violência que se abatia sobre sua parentela.

“Casamento de negros pertencentes a uma família rica”, de Debret, 1826. A imagem retrata uma união escravizada celebrada sob os rígidos padrões estéticos e religiosos da elite branca. Essa cena ilustra a ambivalência do cativeiro: se para os senhores o casamento era uma estratégia de acomodação e controle moral da mão de obra, para os escravizados a apropriação do sacramento católico representava uma tática de resistência, utilizando a legitimidade da Igreja como um escudo para proteger sua parentela contra o arbítrio senhorial.
Além dos laços de sangue: redes de parentesco e compadrio
Para além do modelo de família nuclear rigidamente imposto pela moral cristã ocidental, os escravizados desenvolveram formas alternativas e profundamente ricas de parentesco. Diante da constante ameaça de separação por venda, herança ou morte, a comunidade negra oitocentista aprendeu a estender os laços de afeto e responsabilidade mútua para muito além dos vínculos puramente biológicos, construindo verdadeiras redes de proteção social no cativeiro.
Uma das estratégias mais eficazes para a consolidação dessas redes era o compadrio. Ao escolherem padrinhos e madrinhas para seus filhos durante o batismo católico, os pais escravizados criavam um compromisso espiritual e social indissolúvel. Os padrinhos — que muitas vezes eram escravos de plantações vizinhas, pretos forros ou até mesmo pessoas livres de baixas posses — assumiam a responsabilidade de zelar pela criança caso os pais fossem vendidos ou falecessem. O compadrio funcionava como uma costura invisível que unia diferentes senzalas e criava pontes entre o mundo dos cativos e o mundo dos livres, multiplicando os defensores potenciais daquela infância negra.
Havia também os vínculos nascidos na travessia do Atlântico, os chamados “irmãos de barco” (malungos). Compartilhar o horror dos porões dos navios negreiros gerava uma aliança identitária que frequentemente se transformava em parentesco socioafetivo nas terras brasileiras. Esses laços horizontais, somados ao acolhimento de órfãos e à criação comunitária das crianças nas senzalas, revelam que a definição de “família” para a população negra era elástica, coletiva e baseada na solidariedade de sobrevivência.
Dessa forma, mesmo quando o chicote e o mercado senhorial rompiam os laços de sangue, a comunidade escrava se reorganizava para remendar os pedaços. As outras formas de família não eram arranjos incompletos ou precários, mas sim respostas sofisticadas de um povo que se recusou a viver isolado, transformando a solidariedade de classe e de cor na base de sua própria sobrevivência material e emocional.
O olhar de Rugendas sobre a família escrava
As belas litografias produzidas por Johann Moritz Rugendas tornaram-se os grandes clichês visuais do Brasil do século XIX. Amplamente reproduzidas em livros didáticos e na internet, essas imagens correm o risco de serem interpretadas como “fotografias” literais do cotidiano da senzala. No entanto, o registro de Rugendas não é um reflexo neutro: é uma construção artística mediada pelos valores europeus do Iluminismo e do Romantismo.
Para compreender como o artista retratava as famílias negras, é preciso entender seu pensamento político. Conforme vimos anteriormente em seus relatos, Rugendas fazia parte de uma corrente intelectual europeia que, embora criticasse a violência do cativeiro, defendia que o fim da escravidão deveria ocorrer de forma lenta e gradual. Sob a ótica desse reformismo conservador, o incentivo ao matrimônio pelos senhores era visto por ele não apenas como uma ferramenta pragmática de controle para fixar o trabalhador à terra, mas também como um termômetro moral.
Esse posicionamento explica por que as imagens de Rugendas sobre o cativeiro oscilam tanto. Ao mesmo tempo em que denunciava a barbárie dos castigos físicos, suas obras frequentemente idealizavam o cotidiano da senzala, registrando momentos de harmonia e intimidade doméstica. Para o pintor, retratar a existência de famílias negras era uma forma de avaliar o grau de “civilidade” e “moralização” daquela população, tentando provar que os escravizados seriam capazes de se adaptar a uma futura liberdade tutelada pelo Estado e pela Igreja.
Portanto, quando olhamos para as gravuras de Rugendas, estamos vendo tanto a realidade da sobrevivência negra quanto o filtro ideológico do próprio artista. Um dos exemplos mais emblemáticos dessa complexa sobreposição de olhares está na litografia “Habitação de negros”, onde cada detalhe da cena doméstica — da disposição dos corpos aos objetos espalhados pelo chão — esconde uma profunda camada de significados históricos que decodificaremos a seguir.
Estudo de caso: “Habitação de negros”, de Rugendas
A litografia intitulada Habitação de negros (produzida entre 1827 e 1835) é um dos recursos visuais mais ricos para sintetizar tudo o que discutimos neste artigo. Em vez da tradicional senzala coletiva e trancada, a obra nos apresenta uma cabana de pau-a-pique e sapé construída próxima à casa-grande — cuja varanda exibe a silhueta da senhora observando os cativos.
Vale lembrar que o termo senzala não era comum no Brasil até o século XVIII. Palavra de origem kimbundu, idioma banto, significando “povoado”, ela demorou a ser adotada na colônia. Chamava-se, até então de casa dos negros ou casa dos escravos as choupanas, cabanas, choças ou palhoças onde os escravos e suas famílias moravam.
O cenário descreve a moradia de uma família escravizada estendida, reunindo diferentes gerações no mesmo espaço doméstico. Ao redor da choupana, a presença de bananeiras, mamoeiros, abacaxis e pés de mandioca, além de galinhas ciscam no terreiro, materializa a existência das roças independentes e da economia de subsistência dos cativos. O grupo reunido transmite uma visão quase harmônica e idílica da vida familiar que, se por um lado documenta os espaços de sociabilidade e os costumes negros (o uso de cachimbos, colares, confecção de esteiras e vestimentas), por outro esconde a violência estrutural das relações escravistas sob o filtro do olhar tutelar europeu.
Para ajudar seus alunos a decodificarem essas múltiplas camadas de significado, propomos um roteiro de análise dividido em três etapas de complexidade. Esse exercício estimula a leitura crítica de fontes e atende diretamente às habilidades EF07HI16 e EF08HI19 da BNCC.
“Habitação de negros” – Roteiro de análise em sala de aula

Habitação de negros, de Rugendas, 1827-1835.
Nível 1: Alfabetização visual e observação
O objetivo é fazer os alunos treinarem o olhar e identificarem os elementos concretos da imagem.
- Quantos adultos e quantas crianças compõem o grupo central?
- Como a casa é construída? Quais materiais e técnicas você consegue identificar?
- Observe o entorno da habitação. Quais plantas e animais estão representados? De que forma esses elementos se relacionavam com a alimentação e a sobrevivência dessas pessoas?
- Quem é a figura que observa a cena do alto da varanda, à esquerda? Qual é o papel dela naquela estrutura social?
Nível 2: Análise contextual e levantamento de hipóteses
Para os alunos conectarem os elementos visuais com os conceitos de acomodação e resistência discutidos no texto.
- Com base nos objetos e atividades retratadas (fumo de cachimbo, fabricação de esteiras, ferramentas de costura), a cena se passa em um momento de trabalho forçado ou de descanso e sociabilidade? Justifique.
- A partir do que foi estudado sobre redes de parentesco, é possível que todas as doze pessoas dessa cena fossem parentes, mesmo sem laços de sangue diretos? Explique o conceito de parentesco estendido ou compadrio.
- Compare as vestimentas e a habitação retratadas por Rugendas com as representações da escravidão que você costuma ver em filmes, novelas ou ilustrações de internet. Quais são as principais diferenças e semelhanças?
Nível 3: Crítica de fonte e conexão Histórica (Ensino Médio)
Nesta etapa final, os estudantes confrontam a imagem com a ideologia do autor e o legado contemporâneo.
- Rugendas afirmava que o casamento e a pequena produção agrícola prendiam o escravizado à fazenda, funcionando como uma garantia de “boa conduta”. Como a imagem ilustra essa visão de acomodação?
- De que maneira essa representação quase idílica e pacífica da família negra mascara a violência real do sistema escravista? Por que um artista iluminista europeu escolheria retratar o cativeiro dessa forma?
- As técnicas de construção de pau-a-pique e as dinâmicas de agricultura de subsistência representadas na gravura ainda podem ser encontradas no Brasil atual? Onde? Como isso se conecta com o legado das comunidades quilombolas e periféricas?
Recurso didático sobre a gravura
O recurso didático “Habitação de negros”, de Rugendas foi elaborado para o 7º ano do Ensino Fundamental. É um material GRATUITO que traz:
- Reprodução da gravura de Rugendas (tamanho A4).
- Desenho da gravura em preto/branco para pintar (tamanho A4).
- Texto explicativo de apoio para o aluno.
- Atividades focadas nos aspectos da vida familiar do escravizados.
- Respostas para o professor e orientações para aplicar a dinâmica.
- Complemento: teste/quiz online com resposta.
- Conheça outros títulos da coleção Imagens Históricas para colorir com atividades.
Fonte
- BELLUZZO, Ana Maria de. O Brasil dos viajantes. São Paulo: Metalivros; Salvador: Fundação Emílio Odebrecht, 1994, 3 vol.
- COSTA, Maria de Fátima & DIENER, Pablo. A América de Rugendas: obras e documentos. São Paulo: Estação Liberdade: Kosmos, 1999.
- LIMA, Valéria. A Viagem Pitoresca e a História de Debret: por uma nova leitura. Tese de Doutorado. Departamento de História do IFCH – Unicamp, Campinas, 2003.
- REIS, Isabel Cristina Ferreira dos. Histórias da vida familiar e afetiva de escravos na Bahia do século XIX. Dissertação de mestrado.Salvador: Ed. UFBA, 2001.
- FLORENTINO, Manolo; GÓES, José Roberto. A paz das senzalas: Família escrava e tráfico atlântico no Rio de Janeiro. São Paulo: UNESP, 2017.
- RUGENDAS, Johann Moritz. Viagem pitoresca através do Brasil. Trad. Sérgio Milliet. São Paulo: Martins / Edusp, 1972.
- SALLAS, Ana Luisa Fayet. Imagens etnográficas de viajantes alemães no Brasil do século XIX. Revista Chilena de Antopologia Visual. Santiago, n. 7, junho 2006.
- FARIA, Sheila do Castro. Cotidiano dos negros no Brasil escravista.
- FREITAS, Iohana Brito de. Cores e olhares no Brasil oitocentista: os tipos negros de Rugendas e Debret. (Mestrado). UFF: Niterói, 2009.
- SLENES, Robert. Na senzala uma flor: esperanças e recordações na formação da família escrava. Brasil sudeste, séc. XIX. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 2000.
- ________.Bávaros e Bakongo na “Habitação de negros”: Johan Moritz Rugendas e a invenção do povo brasileiro. Departamento de História IFCH/Unicamp, 1995 (mimeo).
- ________. As provações de um Abraão africano: a nascente nação brasileira na Viagem Alegórica de Joahnn Moritz Rugendas. Revista História da Arte e Arqueologia, n. 2, IFCH/Unicamp, 1995-1996 p. 271-536.
- ________. Lares negros, olhares brancos: história da família escrava no século XIX. Revista Brasileira de História. São Paulo, v. 8, n. 16, mar-ago 1988, p. 189-203.
- ________. “Malungu, ngoma Vem!”: África coberta e descoberta no Brasil. Revista USP, 12:48-67. São Paulo, dez.-jan.-fev. 1991-2, e Cadernos do Museu da Escravatura, 1. Luanda, 1995.
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