A Crise de 1929 em um mapa mental para usar em sala de aula

23 de outubro de 2018

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A crise de 1929 foi uma crise na Bolsa de Valores de Nova York e que desencadeou a Grande Depressão que persistiu ao longo da década de 1930 terminando apenas com a Segunda Guerra Mundial (1939-45). É considerada o pior e mais longo período de recessão econômica do século XX, responsável pelo desemprego, queda da produção industrial, dos preços de ações e do PIB (produto interno bruto) de diversos países.

Mapa mental da Crise de 1929

O final desse artigo traz o mapa mental da Crise de 1929 para download, em tamanho A4.

Ele está em dois formatos: um completo e o outro com espaços para preencher. Este último pode servir de atividade para os alunos completarem sozinhos ou acompanhando a explicação do professor em sala de aula.

Antecedentes da crise: a prosperidade dos EUA

A partir de 1921, os Estados Unidos entraram em rápida expansão econômica fornecendo empréstimos e investimentos aos mercados externos da Europa e da América Latina. O crescimento industrial garantiu alto índice de emprego e baixou os preços dos bens de consumo. A elevação dos salários e a expansão das vendas a crédito também impulsionaram a classe média a comprar mais produtos, entre eles, automóveis, rádios, fogões, gramofones e geladeiras.

A prosperidade econômica, marcada pela produção em série para o consumo em massa,   não era, contudo, partilhada por toda população norte-americana. Havia grande concentração de renda nas mãos de poucos. Em 1929, por exemplo, os 13% de norte-americanos mais ricos detinham cerca de 90% da riqueza do país. Enquanto isso, metade da população vivia abaixo da linha da pobreza, a maioria constituída por negros.

O senhor acha que estará trabalhando

“O senhor acha que estará trabalhando o ano que vem , papai?”. Caricatura norte-americana de 1928, que ironiza a sociedade de consumo e o desemprego nos Estados Unidos.

A superprodução de 1925

A partir de 1925, uma crise de superprodução agrícola e industrial começou a frear o crescimento industrial e agrícola dos Estados Unidos. No campo, o uso de tecnologias agrícolas (colheitadeiras, tratores, fertilizantes e outros) resultou em enormes colheitas, excedendo as necessidades de mercados.

A superprodução agrícola aumentou os estoques de alimentos e mercadorias derrubando seus preços. A saída foi diminuir a produção e demitir trabalhadores. No fim de 1928, já havia 4 milhões de desempregados nos Estados Unidos. Mas a facilidade de obter empréstimos dava aos desempregados a ilusão de que tudo se resolveria.

A (falsa) euforia da venda de ações

Como estratégia para ampliar seus investimentos, as empresas aceleraram a abertura de seu capital para acionistas. As indústrias químicas, elétrica e mecânica dos Estados Unidos davam sinal de contínuo crescimento e a população se sentia confiantes em investir no mercado financeiro.

Tudo indicava que comprar ações de empresas bem-sucedidas era uma boa maneira de fazer com que uma pequena quantidade de dinheiro resultasse em grandes rendimentos. Os bancos ofereciam empréstimos a juros baixos, possibilitando a qualquer pessoa comprar ações na Bolsa de Valores.

“Doutor, faça-me um favor. Fique atento às ações da Consolidated Can e, se elas subirem, avise meu corretor para vendê-las e comprar 4 mil preferenciais da P&Q Rails. Obrigado.” Caricatura americana de 1927 satirizando a euforia por ações na década de 1920 nos Estados Unidos.

A especulação financeira

Em 1928, as ações dos Estados Unidos valorizaram em ritmo descompassado ao crescimento da economia do país. Em julho daquele ano, a produção industrial americana já havia começado a cair e, no entanto, a alta das ações na Bolsa de Valores de Nova York continuou a ser mantida artificialmente, baseada em pura especulação e não em investimentos reais.

Poucos prestavam atenção à real situação financeira das companhias que vendiam ações no mercado. A atitude geral dos acionistas era vender as ações quando elas subiam de valor e comprar ações de outra empresa mais promissora.

O crash da Bolsa de Valores

No dia 24 de outubro, as ações  na Bolsa de Valores de Nova York caíram drasticamente e tornou-se notícia em todo o mundo com o crash ou quebra da Bolsa.  O 24 de outubro ficou conhecido como Quinta-feira Negra. O medo de perder tudo o que tinham aplicado fez muitos acionistas vendessem seus títulos a baixos preços.

Os valores das ações despencaram nos dias seguintes, chegando ao desastre total no dia 29, a Terça-feira Negra. Milhares de acionistas perderam, da noite para o dia, grandes somas em dinheiro, e muitos foram à miséria.

Diante do alto risco de quebra também dos bancos, as pessoas correram para tirar seus depósitos. O efeito disso foi a falência de bancos em todo o país e das empresas que deles dependiam. Como consequência, milhões de trabalhadores foram demitidos aumentado o já alto número de desempregados no país.

Por $100 pode-se comprar este carro.

“Por $100 pode-se comprar este carro. Somente em dinheiro. Perdi tudo no mercado de ações”, diz o cartaz do carro à venda, foto de 1929.

O círculo vicioso da crise

O desemprego significou a queda do consumo e a ruína de comerciantes e industriais. Os preços despencaram. Indústrias, lojas e escritórios fecharam. A crise piorou a situação dos pequenos fazendeiros e trabalhadores rurais. Não havia compradores para seus produtos, que acabam apodrecendo às toneladas nos campos e nos celeiros. Sem renda, não podiam pagar suas dívidas e perdiam suas terras, que eram tomadas pelo bancos. Sobreveio o período da Grande Depressão que durou até o final da década de 1930.

Como resposta à crise, o governo norte-americano reduziu drasticamente suas importações e cortou os empréstimos e os investimentos no comércio exterior. O resultado foi a derrocada financeira de muitos países da Europa e da América Latina entre 1930 e 1932.

Mulheres com seus filhos formam filas para receber alimentos em Nova York, 1929.

Efeitos da crise

  • O empobrecimento repentino e o clima de pessimismo nos Estados Unidos e na Europa afetaram a credibilidade da população na democracia liberal. Greves, passeatas e agitações ocorreram em muitos países, especialmente na França e na Alemanha.
  • Ganharam força os movimentos de extrema-direita que propunham a implantação de um governo forte e antiliberal em que o Estado controlasse a economia.
  • O descrédito no capitalismo fez crescer os movimentos de extrema-esquerda que tomaram por modelo a Rússia comunista, o único país a não sofrer os efeitos da crise de 1929.
  • Renunciando ao liberalismo econômico, o Estado passou a interferir na economia regulando a produção e a distribuição de produtos, e impondo regras protecionistas para resguardar a economia nacional de mercadorias e capitais estrangeiros.
  • Nos Estados Unidos, o governo de Franklin Roosevelt adotou, em 1933, o New Deal (Novo Acordo) – um conjunto de medidas de intervenção direta do Estado na economia.

Mapa mental da Crise de 1929 Clique aqui para baixar

Fonte

  • BRENER, Jayme. 1929, a crise que mudou o mundo. Rio de Janeiro: Ática, 2006.
  • KARNAL, Leandro. Estados Unidos: a formação da nação, 4. ed. São Paulo: Contexto, 2007.
  • KARNAL, Leandro. Os textos de fundação da América: a memória da crônica e a alteridade. Ideias, n. 1, v. 11, Campinas, p. 9-14, 2004.
  • PAMPLONA, Marco Antônio. Revendo o sonho americano: 1890-1972. São Paulo: Atual, 1996.

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