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Saque de Jerusalém e destruição do Templo de Salomão

30 de agosto de 70

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Em 30 de agosto do ano 70 d.C., cerca de 60 mil soldados romanos sob comando de Tito, futuro imperador, ocuparam e saquearam a cidade de Jerusalém. O episódio punha fim à Grande Revolta Judaica que, desde o ano 66 vinha provocando motins e atentados contra cidadãos romanos em protesto ao domínio de Roma e ao pagamento de tributos.

Os revolucionários chefiados por Eleazar, filho do sumo sacerdote, haviam ocupado o templo e a fortaleza Antônia e, após dias de luta cruel, mataram todos os homens da II Legião, mesmo após terem se rendido, poupando apenas Metílio, prefeito do acampamento. Ao mesmo tempo, membros da seita zelota encaminharam-se para a fortaleza de Masada, no mar Morto, e massacraram a legião romana lá baseada. Outro bando de rebeldes fêz o mesmo na fortaleza de Chipre, que tinha visão panorâmica da cidade de Jericó. Os rebeldes tinham se espalhado pelo interior do país e ocupado a Judeia e regiões vizinhas. Herodes Agripa II, soberano de Jerusalém, tentou conter a revolta e não conseguiu.

Caio Céstio Galo, governador da província romana da Síria, marchou com uma força de 28 mil homens para restabelecer o controle romano na Judeia. Galo chegou às muralhas externas de Jerusalém em novembro, com o inverno prestes a começar e com os rebeldes determinados a resistir à poderosa Roma. Após um cerco superficial de cinco dias, Galo inexplicavelmente ordenou que suas tropas se retirassem. No vale de Beth-horon, a coluna do general Galo foi rendida e quase totalmente dizimada pelos rebeldes.

Em Roma, o imperador Nero nomeou o tenente-general Vespasiano, futuro imperador, para liderar uma força-tarefa para pôr fim à revolta judaica. Foram reunidos cerca de 60.000 soldados: três legiões, 23 coortes, 6 divisões de cavalos além de tropas auxiliares de reis amigos. Vespasiano deixou Antioquia em junho de 67 para se juntar aos seus soldados.

O líder da resistência judia era José, um rebelde de 30 anos, que posteriormente assumiu o nome romano de Flávio Josefo. Ele foi cercado e derrotado em julho de 67 por Vespasiano e transferido para o acampamento romano. Diz-se que Josefo salvou-se ao profetizar que tanto Vespasiano quanto seu filho seriam imperadores de Roma. Ele acompanhou o exército romano no restante da campanha, dando conselhos e informações sobre seus antigos companheiros de armas.Tornou-se o cronista da guerra. É a partir de seus escritos que ficamos sabendo a maior parte do que aconteceu na guerra judaica.

Enquanto Vespasiano conquistava mais partes do país, uma guerra entre facções judias rebeldes eclodiu em Jerusalém. Com a notícia da morte de Nero, ocorrida em junho de 68, Vespasiano suspendeu temporariamente as operações militares por um ano. Durante o tempo do cessar-fogo, os rebeldes ficaram envolvidos em lutas internas.

Em maio/junho de 69, Vespasiano interveio e conquistou o restante da província, exceto Jerusalém e três fortalezas: Masada, Macharus e Herodion. Em 1 de julho de 69, as legiões egípcias aclamaram Vespasiano imperador. Ele foi para Alexandria e ficou lá até o início do verão de 70 para aguardar a evolução política em Roma. Enquanto isso, seu filho Tito continuou a campanha na Judéia.

Tito atacou o ponto mais fraco da fortificação de Jerusalém: a chamada Terceira Muralha, a oeste da cidade. A cidade foi saqueada e o Segundo Templo, destruído. Para os romanos, não era um edifício religioso, mas uma fortaleza inimiga e, como tal, foi incendiada e arrasada. A maioria dos habitantes de Jerusalém foi assassinada, escravizada ou deportada para trabalhar na mina.

Tito e seus soldados celebraram a vitória em seu retorno a Roma exibindo, no desfile do triunfo, a Menorá e a Mesa dos Pães da Presença Divina.  Até então, esses objetos só haviam sido vistos pelo sumo sacerdote do Templo. Este evento foi eternizado no Arco de Tito, em Roma. A destruição do primeiro e do segundo Templo de Salomão é rememorada, anualmente, no jejum judeu Tisha B’Av.

Saiba mais

Abertura

  • Detalhe do Arco de Tito, no Fórum Romano, mostrando as tropas romanas levando os espólios de Jerusalém para Roma.

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