Nelson Mandela condenado à prisão perpétua, África do Sul

12 de junho de 1964

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Em 12 de junho de 1964, o ativista sul-africano Nelson Mandela, de 46 anos de idade, foi condenado à prisão perpétua por crime de sabotagem e conspiração contra o governo da África do Sul. Mandela admitiu a culpa por sabotagem, mas negou a participação em uma guerrilha para derrubar o governo da África do Sul.

A África do Sul vivia desde 1948 sob o regime do apartheid que segregava a população negra e mestiça. A oposição ao apartheid intensificou-se em 1951, quando o Congresso Nacional Africano (CNA), fundado em 1912, lançou a Campanha de Desafio contra Leis Injustas, um movimento de desobediência civil.

Mandela foi o porta-voz da campanha incentivando os negros a usarem os espaços reservados aos brancos – em banheiros, escritórios públicos, correios etc. – o que levou à prisão Mandela e outros companheiros por dois dias. Foi a primeira de uma série de prisões pelas quais ele passou.

O princípio da não violência continuou a nortear o CNA, o que resguardou Mandela de ser acusado pelo governo de apoiar ações armadas. Porém, a evolução dos acontecimentos, como o massacre de 67 negros pela política em março de 1960 (massacre de Sharpeville), levou Mandela à resistência pelas armas.

Em 8 de abril de 1960, o CNA foi proibido e Mandela preso até o ano seguinte, quando passa para a clandestinidade. Durante dois anos a polícia esteve a sua procura e Mandela saiu do país. Foi a Londres, Nigéria, Botsuana, Egito, Marrocos e Etiópia onde recebeu treinamento militar.

Em 5 de agosto de 1962 foi preso acusado de incitar greves de trabalhadores e de deixar o país sem permissão. O julgamento final começou em outubro de 1963 terminando em 12 de junho de 1964. Durante o julgamento, Mandela defendeu sua causa diante do júri, concluindo: “Durante a minha vida, dediquei-me a essa luta do povo africano. Lutei contra a dominação branca, lutei contra a dominação negra. Acalentei o ideal de uma sociedade livre e democrática na qual as pessoas vivam juntas em harmonia e com oportunidades iguais. É um ideal para o qual espero viver e realizar. Mas, se for preciso, é um ideal pelo qual estou disposto a morrer“.

A acusação apresentou documentos a pouco descobertos que mostravam que Mandela havia aderido à luta armada. Um deles mostrava em detalhes um plano para atacar diversas instalações do governo. Mandela esperava para si e seus amigos a pena de morte. No entanto, o juiz decidiu pela prisão perpétua.

Mandela passou 27 anos na prisão, inicialmente na Ilha Robben, depois no presídio de Pollsmore, de segurança máxima, e daí para Victor Verster, de segurança mínima, onde passou a morar numa cabana no complexo penitenciário.

Campanha pela libertação de Nelson Mandela.

Campanha pela libertação de Nelson Mandela.

Depois de uma campanha internacional, ele foi liberado em 1990, quando recrudescia a guerra civil na África do Sul.

Mandela foi uma figura controversa durante grande parte de sua vida. Denunciado como um terrorista comunista por seus opositores, ele acabou sendo aclamado internacionalmente por seu ativismo contra o racismo e a segregação recebendo mais de 250 prêmios e condecorações incluindo o Nobel da Paz, em 1993 (que dividiu com o presidente branco Frederik de Klerk), a Medalha Presidencial da Liberdade, dos Estados Unidos e a Ordem de Lenin, da União Soviética.

Fonte

  • PEREIRA, Francisco José. Apartheid. O horror na África do Sul. São Paulo: Brasiliense, 1986.
  • MACEDO, José Rivair. História da África. São Paulo: Contexto, 2013.
  • MANDELA, Nelson. A luta é a minha vida. Rio de Janeiro: Globo, 1988.
  • MANDELA, Nelson. Nelson Mandela por ele mesmo. São Paulo: Martin Claret, 1991.
  • HOBSBAWN, Eric. Era dos extremos: O breve século XX 1914-1991. São Paulo: Companhia das Letras, 1995.
  • REIS FILHO, Daniel Aarão; FERREIRA, Jorge; ZENHA, Celeste. O século XX. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2000.

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