Em 12/07/1917, cerca de 100 mil trabalhadores da cidade de São Paulo cruzaram os braços, um número expressivo frente a uma população estimada em 550 mil habitantes. Greves já vinham ocorrendo no país desde 1905, mas a de julho de 1917 foi a de maior impacto.
Ao longo do primeiro semestre daquele ano ocorreram greves de diversas categorias, a maior parte no Rio de Janeiro. As reivindicações dos trabalhadores eram: aumento salarial, redução da jornada de trabalho para oito horas diárias, fim do trabalho noturno para mulheres e crianças, liberdade de associação e de manifestação, redução no preço dos aluguéis, melhoria dos transportes públicos.
Em São Paulo, o movimento grevista ganhou força a partir de junho com a paralisação dos operários do Cotonifício Crespi ao qual se juntaram, no início de julho, trabalhadores de outras fábricas. No dia 9 de julho houve confrontos com a polícia em frente à fábrica Antárctica Paulista e à fábrica de tecidos Mariângela, resultando em três operários baleados.
No dia seguinte, morreu o sapateiro espanhol José Iñeguez Martinez, de 21 anos e anarquista, e o movimento ganhou mais força e adesões. No dia 12, os trabalhadores da Companhia de Gás e da Light (energia elétrica) pararam, o que paralisou bondes, principal transporte público. A cidade de São Paulo parou por cinco dias.
Os trabalhadores voltaram ao trabalho no dia 17 com a promessa de que suas principais reivindicações seriam atendidas. Elas não foram e lideres grevistas, tratados como criminosos, foram presos e os operários estrangeiros, expulsos do país. Dizia-se, então, que o movimento operário era controlado por lideranças estrangeiras radicais que iludiam o trabalhador nacional.
Por conta disso foi aprovada no Congresso, em 1921, a Lei de Expulsão de Estrangeiros que permitia, entre outras coisas, a deportação sumária de lideranças envolvidas em distúrbios da ordem e o fechamento de organizações operárias. O principal alvo dessa lei eram os anarquistas.
Houve uma tímida ação dos políticos no sentido criar leis que assegurarem alguns direitos aos trabalhadores. A Comissão de Legislação Social da Câmara dos Deputados apresentou projetos de lei, inspirados nas convenções de Washington, para regulamentar o trabalho fabril, incluindo o trabalho do menor, e garantir um período de férias remuneradas. O projeto não saiu do papel.
O ministério da Agricultura propôs o funcionamento do Departamento Nacional do Trabalho, órgão criado desde1918 e nunca posto em prática. Os industriais temiam que a regulamentação operária passasse do controle policial para a esfera deste departamento.
Fonte
- PINHEIRO, Paulo Sérgio e HALL, Michel. A classe operária no Brasil: 1889-1930. São Paulo: Brasiliense, 1981.
- FAUSTO, Boris. Trabalho Urbano e Conflito Social. São Paulo: DIFEL.São Paulo. 1978.
- SEABRA, Eliane Pires. O movimento operário na Primeira República. Anais do XXVI Simpósio Nacional de História –ANPUH, São Paulo, julho 2011.
Saiba mais
Abertura
- Trabalhadores com bandeiras em passeata pelas ruas de São Paulo, SP, durante a greve geral de 1917.