História na BNCC agora é definitivo! Você está pronto? Dicas importantes

9 de janeiro de 2020

204
compartilhamentos

A BNCC (Base Nacional Comum Curricular) começou para valer neste ano de 2020. Se você ainda não se debruçou sobre o documento da Base (homologada em 2017) então se apresse para não ficar “sem chão” ao planejar suas aulas pois nada será como antes. Seu cotidiano pedagógico mudou e muito.

No final desse artigo tem o link para acessar o texto integral da BNCC, análises feitas por especialistas e também artigos já publicados no Ensinar História sobre as mudanças trazidas pela Base.

A essas alturas você já deve ter entendido que a Base não é currículo, não é grade curricular e não significa currículo mínimo. Se você busca um currículo, procure conhecer o material disponibilizado pela Secretaria de Educação de seu estado.

Todas as unidades da Federação atualizaram ou criaram seus currículos escolares – um processo iniciado em 2018, realizado pelo CONSED (Conselho Nacional de Secretários da Educação) e pela UNDIME (União Nacional dos Dirigentes Municipais de Educação) e que teve, como redatores de currículo, professores da rede pública. A rede particular também se articulou nesse sentido. Portanto, professor, você não está (e nem deve ficar) sozinho e isolado no planejamento de suas aulas.

Passo 1: COMPETÊNCIAS GERAIS

A ideia central da Base é que todo o Ensino Básico – incluindo todos os componentes e áreas – se paute por objetivos de aprendizagem comuns e obrigatórios para a rede de ensino pública e particular. Para isso, a Base estabeleceu 10 Competências Gerais. São elas que devem nortear o trabalho das escolas e dos professores.

Se você ainda está meio perdido, comece pelas competências gerais (elas estão na pág. 9-10 do documento oficial, veja link abaixo). Se quiser mais informações, veja o artigo “Entendendo a Base e as competências gerais” desse site.

Importante

  1. As competências gerais devem permear as aulas de todos componente ao longo do ano.
  2. Não é para o professor “dar uma aula” sobre as competências gerais.
  3. Não é para a escola inventar uma disciplina especial para elas.
  4. As competências gerais não são uma camisa de força nem uma intimidação ao trabalho do professor.

Pode acontecer que uma ou outra competência geral receba menos destaque em História e seja plenamente contemplada por outro componente. Pode ocorrer, também, que um grupo de competências seja trabalhado em um único projeto interdisciplinar.

Entenda as competências gerais como um pilar que sustenta todo o ensino, abrange todos os componentes e perdura os doze anos de vida escolar. Elas são um compromisso de cada professor com a qualidade e universalidade do ensino.

Exemplos de aplicação

Durante a aula sobre a Revolução Francesa, refletir e discutir sobre os fatores que desencadearam o Terror e a execução do rei e nobres: abordagem que permite desenvolver a competência geral 7.

Apresentar diferentes versões de um fato histórico e trabalhar com documentos: prática histórica que desenvolve a competência geral 2.

Propor uma pesquisa na Internet: oportunidade para desenvolver a competência geral 5.

Passo 2: COMPETÊNCIAS ESPECÍFICAS

A Base estabelece dois outros grupos de competências: as de Ciências Humanas (pág. 357 do documento oficial) e as Específicas de História (pág. 402).

De certa maneira, competências de Ciências Humanas e Específicas de História complementam e detalham as Competências Gerais, e também se interconectam. Veja o exemplo abaixo:

Competência Geral 9

“Exercitar a empatia, o diálogo, a resolução de conflitos e a cooperação, fazendo-se respeitar e promovendo o respeito ao outro e aos direitos humanos, com acolhimento e valorização da diversidade de indivíduos e de grupos sociais, seus saberes, identidades, culturas e potencialidades sem preconceito de qualquer natureza.”

Competência de Ciências Humanas 4

“Interpretar e expressar sentimentos, crenças e dúvidas com relação a si mesmo, aos outros e às diferentes culturas, com base nos instrumentos de investigação das Ciências Humanas, promovendo o acolhimento e a valorização da diversidade de indivíduos e de grupos sociais, seus saberes, identidades, culturas e potencialidades, sem preconceito de qualquer natureza.”

Competência Específica de História 3

“Elaborar questionamentos, hipóteses, argumentos e proposições em relação a documentos, interpretações e contextos históricos específicos, recorrendo a diferentes linguagens e mídias, exercitando a empatia, o diálogo, a resolução de conflitos, a cooperação e o respeito.”

Passo 3: HABILIDADES

Essa parte da Base é, possivelmente, a mais sensível para o professor pois diz respeito ao que e como fazer interferindo diretamente no dia-a-dia da sala de aula, no aprendizado de conteúdos, nas atividades e avaliações.

Todas as habilidades devem ser contempladas no ano a que se destinam. Portanto, nada de pular, substituir habilidade e muito menos em deixar algumas para o próximo ano.

Está achando que têm habilidades de mais? Não vai dar tempo de trabalhar as 36 habilidades do 9º ano? Não tem quase nada de Egito Antigo? Falar em surgimento da espécie humana no 4º ano é muito precoce?

Essas e outras perguntas podem ser respondidas da mesma maneira: veja qual é o verbo que inicia a habilidade (pode haver mais de um verbo). É ele quem indica a ação, isto é, o que e como fazer. Preste atenção nisso e direcione suas aulas para desenvolver, no aluno, exatamente o que a habilidade pede.

Tomando, como exemplo, as 11 habilidades do 4º ano: há uma grande incidência dos verbos “identificar” e “reconhecer” seguidos por “discutir, “descrever” e “relacionar”. Todos concordamos que são habilidades essenciais para o estudante do 4º ano desenvolver. As duas últimas habilidades do 4º ano pedem para “analisar”, uma habilidade de maior complexidade mas que pode ser alcançada depois do estudante exercitar as anteriores.

Portanto, professor, leia com cuidado o que cada habilidade pede, isto é, que ferramenta cognitiva ela pretende fornecer ao aluno.

Importante

  1. Todas as habilidades devem ser trabalhadas no ano letivo a que se destinam.
  2. O professor pode agrupar, reorganizar, desdobrar ou reordenar as habilidades.
  3. Pode criar novas habilidades para complementar, contextualizar ou aprofundar o que está estabelecido pela Base.

Os temas de História que você vai trabalhar no ano podem ir muito além (e devem), mas é importante que você possibilite que o estudante desenvolva cada habilidade e que suas aulas contemplem as competências exigidas. Com isso você estará comprometido com um ensino de qualidade para seus alunos e, no conjunto de professores, com os demais estudantes do país. Bom trabalho!

Referências

 

Publicidade

Compartilhe

Comentários

Subscribe
Notify of
guest
0 Comentários
Inline Feedbacks
View all comments

Outros Artigos

Últimos posts do instagram

Fique por dentro das novidades

Insira seu e-mail abaixo para receber atualizações do blog: