Um cérebro humano preservado com mais de 2.600 anos

17 de outubro de 2017

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Em 2009, arqueólogos da York Archaeological Trust descobriram em Heslington, Inglaterra, um crânio com mandíbula e duas vértebras ainda presas a ele. O crânio estava de cabeça pra baixo em um poço cavado e sem o resto do corpo.

No início, os arqueólogos acreditaram que tinham encontrado um crânio normal. A surpresa veio no momento que começou a limpeza e apareceu  “algo solto” por dentro.

Rachel Cubitt que realizava o trabalho de limpeza disse: “Peguei na abertura da base do crânio para investigar e, para minha surpresa, vi uma quantidade de material esponjoso amarelo brilhante. Era diferente de tudo o que eu tinha visto antes”.

Um arqueólogo da Universidade de Bradford confirmou que o tecido era o cérebro. A parte superior do crânio foi removida para revelar um cérebro humano surpreendentemente bem preservado.

Posição em que o cérebro de Heslington foi encontrado.

O dono do cérebro de Heslington

Os testes nos dentes e no maxilar revelaram que se tratava de um indivíduo que viveu entre 773 e 482 a.C. Uma época muito anterior ao domínio romano, quando a Grã-Bretanha e o resto da Europa eram povoadas por tribos celtas.

O homem de Heslington teria entre 26 e 45 anos de idade quando morreu. Sua cabeça foi cortada por uma pequena faca afiada, de acordo com as marcas nas vértebras, e imediatamente enterrada.  O que foi feito com o resto do corpo é um mistério.

A ausência do esqueleto com restos de vestimentas, armas e outros objetos impedem obter mais informações sobre quem teria sido essa pessoa, que posição ocuparia na sociedade assim como inferir qual o motivo de uma morte tão violenta.

O cérebro foi submetido a uma série de exames médicos e forenses pelo York Archaeological Trust, Inglaterra, que descobriu que estava incrivelmente intacto, embora tivesse encolhido em apenas 20% de seu tamanho original. O cérebro mostrou poucos sinais de decomposição, embora a maior parte de seu material original tenha sido substituído por um composto orgânico não identificado, devido a mudanças químicas durante o sepultamento.

Crânio de Heslington

Crânio de Heslington seccionado onde se vê o cérebro (à esquerda) e o cérebro depois de limpo (à direita).

Como o cérebro de Heslington se conservou?

O desafio maior é entender como o cérebro foi preservado naturalmente (foi descartada a possibilidade de ter sido embalsamado). O processo natural dos corpos enterrados ocorre em um ambiente em que solo, água, oxigênio e temperatura permitem que as bactérias prosperem e deteriorem o corpo. Quando um ou mais desses fatores estão faltando, a preservação pode ocorrer.

Normalmente, os cérebros tendem a se decompor rapidamente, como resultado de um processo chamado autólise, que ocorre quando certas enzimas quebram o tecido. Os cientistas agora acham que esse processo foi interrompido cerca de três meses após a morte do homem. Essa interrupção pode ter sido causada pela entrada de fluido ácido no cérebro por causa de sua maneira de morrer ou por algo que aconteceu pouco tempo depois. Assim, a excepcional preservação do cérebro de Heslington foi devida ao fato da cabeça ter sido cortada quase imediatamente depois que o homem foi morto e enterrada em um poço cavado em um terreno rico em argila e selado, isto é, sem contato com o oxigênio.

Enquanto ao longo do tempo, a pele, os cabelos e a carne do crânio apodreceram, as gorduras e as proteínas do tecido cerebral ligaram-se entre si para formar uma massa de grandes moléculas complexas.

Isso resultou no encolhimento do cérebro, mas que preservou sua forma e muitas características microscópicas encontradas apenas no tecido cerebral.

Sonia O’Connor, pesquisadora em ciências arqueológicas da Universidade de Bradford, comentou a respeito:

“A preservação do cérebro em restos esqueletizados é ainda mais surpreendente, mas não única. Esta é a investigação mais completa já realizada de um cérebro encontrado em um esqueleto enterrado e nos permitiu começar a entender realmente por que um cérebro pode sobreviver milhares de anos depois que todos os outros tecidos moles se deterioraram”.

Os pesquisadores trabalharam cuidadosamente no cérebro de Heslington.

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