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Prisão de Atahualpa, imperador inca

16 de novembro de 1532

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Em 16 de novembro de 1532, Atahualpa (1502-1533), imperador inca, caiu em uma emboscada preparada pelo conquistador espanhol Francisco Pizarro. O inca, acompanhado por seu exército estava voltando para Cusco, capital do Império, para tomar posse do trono que recentemente conquistara. Pizarro convidou-o para um encontro na pequena cidade de Cajamarca, situada em um vale cercado de montanhas.

  • BNCC: 7° ano. Habilidade: EF07HI09

Sucessão do trono inca: guerra entre os irmãos

O imperador Huayna Cápac, pai de Atahualpa, morreu por volta de 1525. No mesmo dia, morreu seu sucessor, Ninan Cuyuchi. Isso deu origem à sangrenta guerra civil inca entre Atahualpa e seu irmão Huáscar pela sucessão do trono inca.

Atahualpa estava então em Quito, comandando o exército Inca do Norte e encarregado do governo daquela região. Huáscar foi coroado Inca em Cuzco, a capital imperial. Após uma longa campanha, Atahualpa conseguiu derrotar Huáscar em 1532 perto de Cuzco.

Atahualpa estava em Cajamarca (Fontes Termais) a caminho de Cuzco para ser coroado como novo imperador quando recebeu um convite de Francisco Pizarro para encontrá-lo na Plaza de Armas de Cajamarca.

Francisco Pizarro no Peru

Francisco Pizarro fez sua primeira expedição ao Peru no momento em que começava a guerra entre Atahualpa e Huáscar. Liderava 80 homens, mas a aventura não foi bem sucedida e ele retornou sem nada obter senão combates com os nativos.

Em novembro de 1526, Pizarro voltava ao mar, dessa vez cm 170 homens e alguns cavalos desembarcando na foz do rio San Juan na costa da atual Colômbia. Ainda dessa vez não ocorreu a pretendida conquista, mas Pizarro teve confirmada suas expectativas: havia muito ouro e prata no império inca.

Pizarro voltou à Espanha e diante da corte de Carlos V exaltou os esplendores do Peru ainda maiores do que Hernán Cortés havia encontrado no México. Em 26 de julho de 1529, a rainha assinou a capitulación que autorizava Pizarro conquistar e explorar as riquezas do Peru nomeando-o governador e capitão geral.

Em 1530, Pizarro rumou para a América e, depois de ficar um tempo no Panamá, chegou à costa do Peru onde, em 1532, fundou o primeiro estabelecimento hispânico na região denominado San Miguel de Piura. Ali formou uma força de conquista com 62 cavaleiros e 106 infantes com a qual avançou para a conquista de Tahuantinsuyu, o Império Inca.

O encontro fatídico do inca com o espanhol

No dia 16 de novembro de 1532, Pizarro, com sua pequena força expedicionária, chegou a Cajamarca. Deixando seu exército fora da cidade, aceitou o convite do imperador Atahualpa para um encontro.

Atahualpa havia acabado de ganhar uma das maiores batalhas da história Inca e, com um exército de 30 mil homens à disposição, ele achava que não tinha nada a temer de um desconhecido branco de barba com menos de 170 homens. Pizarro, no entanto, planejava uma emboscada.

Confiante em seu poder de impressionar os espanhóis, Atahualpa compareceu levado em um trono de ouro levado nos ombros por serviçais e rodeado de nobres, dançarinos e uma comitiva de 6.000 e 7.000 soldados desarmados. Encontra a praça de Cajamarca vazia e um de seus acompanhantes lhe disse que os espanhóis se esconderam porque estavam com medo.

Atahualpa entrou na praça de Cajamarca em um trono de ouro levado nos ombros por serviçais e rodeado de nobres, dançarinos e uma comitiva de milhares de soldados desarmados.

Nesse momento, entrou na praça frei Vicente de Valverde acompanhado de um soldado e de um intérprete. Mostrando a Bíblia ao inca, pediu-lhe que aceitasse o cristianismo como a verdadeira religião e se submetesse à autoridade de Carlos V e do papa Clemente VII.

Atahualpa tomou a Bíblia do frei, examinou-a e a jogou no chão demonstrando desprezo. Então disse a Valverde que os espanhóis deveriam pagar por tudo que roubaram de seu império. O frade, assustado, fugiu seguido pelo soldado e intérprete.

Pizarro, então, deu o sinal para seus homens abrirem fogo. Os soldados espanhóis, posicionados em pontos estratégicos, dispararam seus arcabuzes enquanto a cavalaria avançou causando pânico entre os incas que tentaram fugir da praça. Muitos morreram esmagados pelos cavalos ou pelos homens em fuga.

Enquanto os soldados matavam os indígenas, Atahualpa ainda estava na liteira carregada por seus servos. Quando alguns servos morreram, outros correram para substituí-los.  Um soldado espanhol tentou ferir o inca com uma faca, mas Pizarro interveio (ferindo sua mão ao fazê-lo) e ordenou que “ninguém machuque o índio sob pena de morte”. Finalmente a liteira caiu e o Inca foi capturado pelo espanhol Andrés Contero e feito prisioneiro.

Captura de Atahualpa em Cajamarca, pintura a óleo de Juan B. Lepiani, 1920-1927.

Prisão de Atahualpa

Preso em um prédio em Cajamarca, Atahualpa teve uma relativa liberdade para continuar a administrar seu império. Muitos curacas (chefes de comunidade, serviam de coletores de impostos e autoridade religiosa)  vinham ao presídio para ter uma audiência com Atahualpa. Seus captores lhe permitiram ter conforto e ser cuidado por seus servos e suas mulheres.

Atahualpa jantava todas as noites com Francisco Pizarro e conversava com ele por meio de um intérprete. Segundo o cronista Felipe Guamán Poma de Ayla, cronista de descendência inca, Atahualpa demonstrava inteligência superior, fazia perguntas que os espanhóis admiravam. Ele aprendeu um pouco de espanhol e a jogar um jogo de tabuleiro, talvez xadrez.

Em uma dessas conversas, Francisco Pizarro soube que os seguidores de Atahualpa mantinham Huáscar prisioneiro perto de Cuzco. Pizarro fez Atahualpa prometer não matar seu irmão e pediu-lhe que o levasse para Cajamarca. Atahualpa ordenou que Huáscar fosse trazido até ele, mas Huáscar foi morto no caminho por seus próprios guardas. Acredita-se que Atahualpa ordenou sua morte porque temia chegar a um entendimento com os espanhóis, mas sempre negou ter sido o responsável pelo crime e culpou seus capitães.

Oito meses depois de feito prisioneiro, Atahualpa foi executado por estrangulamento em 26 de julho de 1533.

Fonte

POMA DE AYALA, Felipa Guaman (1615). Nova crônica e bom governo (antologia). Lima: Editorial Horizonte, 1998. Versão digital: Det Kongelige Bibliotek.

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