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Guerras Púnicas: Aníbal derrota os romanos em Canas

02 de agosto de 216 a.C

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BNCC

Em 2 de agosto de 216 a.C., o chefe cartaginês Aníbal Barca derrotou o exército romano comandado por Varrão em Canas, no sul da península Itálica. A esmagadora vitória cartaginesa é conhecida também como Batalha da Aniquilação sendo, provavelmente a pior derrota militar que romanos sofreram em toda sua História.

O episódio faz parte das chamas Guerras Púnicas (264-146 a.C.) entre a poderosa Cartago e Roma, que começava, então, a expandir seus domínios.

  • BNCC: 6º ano. Habilidades: EF06HI11, EFHI0613, EFHI0615

Contexto histórico: as Guerras Púnicas

A primeira fase da guerra (Primeira Guerra Púnica, 264-241 a.C.) terminara com a vitória de Roma e a ocupação romana nas colônias cartaginesas da Sardenha e Córsega. Cartago manteve o controle sobre suas colônias na Espanha, região importante por suas ricas minas de prata e terras agrícolas.

Em 226 a.C., o Tratado do Ebro foi assinado entre Cartago e Roma, concordando que os romanos manteriam o território espanhol ao norte do rio Ebro, perto da encosta dos Pireneus. Cartago manteria a área que já haviam conquistado ao sul do rio e nenhuma nação cruzaria a fronteira.

Ao sul da fronteira do rio Ebro ficava a cidade de Sagunto que, apesar de estar em território permitido aos cartagineses, era uma aliada romana. Em 218 a.C., o chefe militar cartaginês Aníbal Barca sitiou a cidade. Sagunto pediu socorro a Roma e esta mandou emissários a Aníbal pedindo-lhe que suspendesse o ataque.

Aníbal recusou-se. Sentindo-se afrontados, os romanos exigiram que Cartago entregasse Aníbal a Roma para que fosse convenientemente punido. O Senado cartaginês, que apoiara o cerco, recusou-se a atender a exigência romana e assim começou a Segunda Guerra Púnica (218-201 a.C.).

Reconstituição artística de Aníbal a partir de um busto de marmóre identificado como sendo do general cartaginês.

Aníbal marcha contra Roma

Aníbal, sabendo que os exércitos romanos estavam se movendo contra ele, decidiu marchar seu melhor exército para Roma. Eram cerca de 38 mil soldados de infantaria e 8 mil de cavalaria, incluindo seus experientes veteranos e mercenários recolhidos na África e na Espanha, bem como 37 elefantes (que acabariam tendo um papel insignificante nas batalhas).

O cartaginês queria travar a luta em solo romano, poupando a Espanha da devastação da guerra. Esperava, também, encontrar aliados entre os gauleses e as diversas tribos italianas conquistadas por Roma.

O caminho escolhido foi atravessar os Alpes, atingir o norte da península itálica e dali seguir para Roma. A travessia do exército e elefantes, em meio a neve, escarpas e desfiladeiros das montanhas tornou-se lendária.

Domínios romanos (vermelho) e cartagineses (azul) no início da Segunda Guerra Púnica.

A travessia dos Alpes

Na verdade, embora fossem difíceis, as passagens dos Alpes eram rotas eficientes e conhecidas para as hostes que iam do vale do Ródano ao sul do rio Pó. O segredo estava no apoio dos habitantes locais: tribos gaulesas dominavam os Alpes e seus guias podiam ajudar os estrangeiros a atravessar com segurança.

Aníbal e seus homens, porém, não receberam ajuda de ninguém; ao contrário, foram atacados com flechas e pedras, e os guias contratados desertaram. O exército avançou às cegas até que, em setembro de 818 a.C., conseguiu passar por uma garganta, a 1.650 metros de altitude.

Ao final da travessia, restavam 20 mil soldados da infantaria e 6 mil a cavalo. Com seu efetivo reduzido para assediar Roma, Aníbal desviou-se da capital inimiga e dirigiu-se para o sul da península.

Aníbal montando um elefante de guerra em uma ilustração moderna.

A batalha de Canas

Canas era uma pequena fortaleza e depósito de provisões no sul da Itália. Ali Aníbal enfrentou, sob o sol escaldante do verão, os 86 mil soldados romanos, o maior exército que Roma já colocara em campo.

Aníbal dispôs sua linha de frente num longo arco convexo, com o centro propositalemente mais fraco, e colocou sua excelente cavalaria, apoiada por colunas de lanceiros, nas laterais.

Os romanos caíram sobre o centro das forças de Aníbal que, como ele determinara, recuaram, transformando a linha convexa em côncava. Os romanos se surpreenderam cercados pela cavalaria cartaginesa, que fechou ambos os flancos.

Uma carnificina foi o resultado do duplo envolvimento. Pelo menos 50 mil romanos foram mortos e outros 10 mil feitos prisioneiros. Foi o maior desastre militar que Roma sofreu. Além dos legionários, Roma perdeu no combate um cônsul, 29 tribunos e 80 senadores. Varrão, o general romano, sobreviveu à batalha e fugiu para a região da Puglia mandando avisar ao Senado romano que fechasse as portas da cidade, pois Roma estava indefesa. Era o dia 2 de agosto de 216 a.C.

Logo após Canas, o comandante de cavalaria númida Maharbal exortou Aníbal a marchar imediatamente contra Roma. “Em cinco dias, jantarás em triunfo no Capitólio”, ele comentou. Aníbal, contudo, recusou, ao que Maharbal lhe respondeu: “Sabes como vencer, Aníbal; o que não sabes é aproveitar a vitória”.

Na Segunda Guerra Púnica, Roma sofreu em Canas o maior desastre militar de sua história.

Abíbal na Batalha de Canas

Depois de Canas

As tropas cartaginesas permaneceram no sul da Itália por mais treze anos, lutando esporadicamente com os romanos, que estavam refazendo suas forças ao norte. Aníbal esperou durante todo esse tempo receber reforços de Cartago, mas esta se recusou a enviar-lhe os reforços e suprimentos de que precisava.

Enquanto isso, o general romano Publius Cornelius Cipião (mais tarde conhecido como Cipião Africano) estava derrotando as forças cartaginesas na Espanha.

Com a Espanha conquistada e sob controle romano, Cipião levou seu exército para o norte da África com o objetivo de atacar Cartago.

Cartago chamou Aníbal para defender sua terra natal e ele finalemente deixou a Itália. Acabou sendo derrotado na batalha de Zama (202 a.C.), a 120 km a sudoeste de Cartago.

Cartago rendeu-se em 201 a.C. Terminava a Segunda Guerra Púnica. Cipião permitiu que Cartago mantivesse suas colônias na África, mas ela teve que entregar sua marinha e foi proibida de fazer guerra sob qualquer circunstância sem a aprovação de Roma. Deveria, ainda, pagar a Roma uma dívida de guerra de 200 talentos por ano durante cinquenta anos.

Fonte

  • MAGNOLI, Demetrio. História das Guerras. São Paulo: Contexto, 2009.
  • ROSTOVTZEFF, M. História de Roma. Rio de Janeiro: Zahar, 1973.
  • FARNOUX. Bernard Combet. Les Guerres Puniques. Paris: PUF, 1973.
  • KEEGAN, John. Uma história da guerra. São Paulo: Companhia das Letras, 1995.

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